Notícias

AESE analisa estratégia digital das organizações portuguesas

Na 14.ª Assembleia de Alumni da AESE, o Prof. Adrián Caldart apresentou o estudo "Negócios 4.0"

Num ambiente de negócios cada vez mais “tecnológico-dependente”, como estão as empresas portuguesas a acompanhar a evolução digital, a adaptar-se aos seus novos requisitos, a aproveitar – ou não – o valor acrescentado das redes sociais e a investir na mobilidade dos seus colaboradores? Com base num inquérito realizado a 135 gestores nacionais, a AESE procurou medir o pulso do ambiente digital que predomina no nosso país.

Foi com o objetivo de responder a estas e a outras questões cruciais da era digital que a AESE Business School realizou um estudo, da responsabilidade do Professor Adrián Caldart, diretor da área de Política de Empresa, que envolveu 135 respondentes, pertencentes a empresas de micro, pequena, média e grande dimensão e representantes dos três grandes setores de atividade, e cujas conclusões nos permitem aferir a saúde tecnológica do ambiente de negócios nacional. Seguem-se os principais resultados.

São cerca de 70 % das empresas inquiridas as que afirmam acompanhar de forma sistemática ou com bastante atenção a evolução digital. Destas, quase metade são de grande dimensão e 70 % transacionam serviços. Apenas 1 % dos dirigentes inquiridos afirmou não fazer nenhum acompanhamento da evolução digital.

Questionados sobre as iniciativas estratégicas que desenvolvem para estar a par do que a era digital vai “produzindo”, cerca de metade dos respondentes afirma possuir uma estratégia digital integral, formal e da responsabilidade de um alto dirigente, mas com apenas 60 % [neste segmento] a considerarem possuir os recursos humanos “suficientes” para lidar com os inúmeros desafios que esta encerra.

Das empresas que revelam ter uma estratégia digital ativa, 60 % são de grande dimensão. Em contrapartida, 15 % das empresas inquiridas não têm qualquer iniciativa estratégica relacionada com as tecnologias digitais. Destas, 33 % são micro-empresas, o que contrasta com os 24 % da amostra geral, com 80 % das mesmas a afirmarem não contar de todo com os recursos humanos suficientes para lidar com os desafios digitais e quase metade a admitirem não investir ativamente na formação digital dos seus colaboradores.

A “adaptação à economia digital” constituiu também parte integrante do estudo em causa, com apenas 30 % dos dirigentes inquiridos a considerar que a sua organização tem um nível adequado de “ajustamento” à economia digital. Já no que respeita a outra das questões fundamentais do mundo 4.0 – a segurança e privacidade dos dados – cerca de metade dos dirigentes considera que o controlo e a segurança dos dados são consistentes e integrados no interior da arquitetura tecnológica da organização.

E como lidam os dirigentes empresariais com as redes sociais? De acordo com as respostas, 80 % a 90 % dos dirigentes são membros do WhatsApp, do LinkedIn e do Facebook. No geral, as principais redes sociais utilizadas pelos dirigentes portugueses são o Whatsapp, o LinkedIn, o Facebook, o Instagram e o Twitter e aquelas que são mais utilizadas pelos dirigentes devido a motivos profissionais são também o LinkedIn, o WhatsApp, o Facebook, bem como blogs e fóruns de discussão.

Adicionalmente, todos os dirigentes que afirmam aceder semanalmente ao LinkedIn, por motivos profissionais, pertencem a micro ou pequenas empresas.

Se, por um lado, 60 % das empresas afirmam investir recursos e desenvolver ações frequentes nas redes sociais, 9 % não o fazem de todo.
E entre as que nelas marcam presença, esta reparte-se – equilibradamente – entre uma estratégia explícita - 28 % -, ações frequentes, mas com orçamento limitado – 31 % - e ações isoladas que exigem pouco ou quase nenhum investimento – 32 %.

O estudo indica também que a utilização das redes sociais é feita, sobretudo, para desenvolver a imagem de marca, seguindo-se o incentivo à compra de produtos e serviços e só depois a investigação de mercado.

De destacar ainda que 35 % dos dirigentes que elegem o desenvolvimento da imagem de marca como de importância central na estratégia para as redes sociais pertencem a micro-empresas. Este valor sugere assim que estas mesmas empresas, normalmente com menos recursos para a publicidade institucional, podem tirar maior partido das redes sociais para crescer.

Ainda no que respeita às estratégias de social media, só 48 % das empresas inquiridas contam com medidas para avaliar a sua performance nestes meios. Uma parte significativa – 70 % - usam como principal “indicador” o tempo que as pessoas passam nas suas páginas web.

O estudo da AESE procurou igualmente aferir as políticas e níveis de investimento das organizações no que respeita à mobilidade, com cerca de metade das empresas inquiridas a afirmar que tem modelos de colaboração baseados no trabalho a tempo parcial ou de trabalho em casa.

Quase 40 % das empresas que admitem trabalho a partir de casa são micro-empresas e apenas 17 % são organizações de grande dimensão.
No que respeita ao desenvolvimento de aplicações móveis, 54 % das empresas afirmam ter desenvolvido aplicações móveis para os clientes.

 

Entrevista por Helena Oliveira, Editora do Portal Ver

Artigos relacionados
Revista da 14.ª Assembleia Alumni AESE: "Mundo 4.0: Connecting People and Business"