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“Grandes Empresas Portuguesas rumo ao futuro”

People and Management

A 2.ª conferência do ciclo People & Management teve como convidados os diretores de Recursos Humanos da The Navigator Company - Paula Castelão -, do Grupo José de Mello Saúde - José Luís Carvalho (PADIS AESE) -, e TAP Air Portugal - João Falcato (PDE AESE). O encontro foi moderado pelo Alumnus do Executive MBA AESE Afonso Carvalho, CEO da EGOR e President da APESPE-RH (Portuguese Private Employment Association), e teve por finalidade suscitar o debate sobre os desafios das “Grandes Empresas Portuguesas rumo ao futuro”, no dia 4 de junho de 2019, em Lisboa.



O papel dos Recursos Humanos hoje
Paula Castelão referiu a “necessidade de diversificar os perfis” nas organizações, a fim de provocar a “mundança de mindset” de uma “cultura ainda muito masculina”. Apesar de ainda pensarmos muito na gestão de recursos humanos a nível dos quadros, “o desafio consiste em pensar nas nossas práticas e estendê-las a toda a organização, de uma forma integrada.” Hoje ser responsável de Recursos Humanos não é uma função de “poder”, mas sim de “coach e facilitador”. Assim o entende a HR Director na The Navigator Company, quando reflete sobre o valor que o seu trabalho pode trazer à organização.

O Human Resources Director do Grupo José de Mello Saúde reforçou a opinião de Paula Castelão, destacando “o grande desafio de apresentar uma proposta para quadros e não quadros”. Há um papel muito importante a desempenhar nesta área. “Para além da componente analítica e de processos, inerente à gestão de Pessoas, possuir “uma base sólida de equidade é fundamental. Mas o papel da equipa de Recursos Humanos passa também por fazer ver à administração que é um trabalho conjunto.”

 

“As empresas têm de se reinventar todos os dias.” João Falcato, Diretor de Recursos Humanos para Empresas Subsidiárias e Projetos Especiais na TAP Air Portugal, assistiu a uma grande evolução na aviação. “Sobrevivemos à crise. Atualmente, precisamos de aviões e pessoas. Estamos em fase de crescimento e chegámos ao final do ano de 2018 com 1000 admissões”, registando-se um crescimento de cerca de 10 % a 15 % ao ano.

 


Gestão de Talento
Da captação à retenção de talento, se fosse dada a oportunidade em que investiria? Paula Castelão optaria pela retenção: “é crítico para a organização, apesar de haver necessidade de mais recursos.” José Luís Carvalho concordou: “já que a rotatividade é grande e a expectativa de progressão de carreira à entrada deve ser mantida entre os colaboradores.” Já João Falcato apostaria na captação de novos colaboradores, tendo em conta a fase da vida da TAP e a consciência generalizada de que a companhia portuguesa é “empresa para a vida”.

 


Papel ativo dos Recursos Humanos nas Comissões Executivas
“É impossível trabalhar em Recursos Humanos e não falar de “negócio”. Para Paula Castelão é claro: “temos de saber antecipar os desafios do negócio, ser facilitadores e dar cada vez mais empowerment às chefias. Os Recursos Humanos devem arranjar as soluções de que a organização precisa. Existindo este diálogo, a proximidade é possível.” “A formação só não chega, tem de haver learning no the job, com aplicação prática no dia a dia e objetivos muito claros daquilo que se espera do responsável.” E Paula Castelão acrescenta: “a gestão tem de ser de médio e de longo prazo, ainda que as decisões de liderança tenham impactos frequentes no curto prazo.” Se assim não for, a Diretora da The Navigator Company preconiza “termos de lidar com as consequências.”

O Grupo José de Mello Saúde tem vivido “uma onda de crescimento que exige a criação de unidades de raiz e aquisições.” Os recursos Humanos são por isso “o garante de transmissão de cultura e dos valores para os novos colaboradores. A administração acredita que os recursos humanos têm uma função importantíssima, de garantir a continuidade do operador junto do Conselho Executivo. Nem sempre é fácil, mas a minha função é dar feedback positivo, construtivo, gerando confiança.” O Human Resources Director do Grupo José de Mello Saúde sublinha que “é de incentivar projetos transversais e trabalhar em parceria.”

“As políticas de recursos humanos” para João Falcato “têm de garantir a sustentabilidade da empresa. É importante sair dos gabinetes e ir para o negócio, nas diferentes áreas.” Esta atitude “aumenta a rapidez da tomada de decisão. Ou criamos necessidade, ou tornamo-nos dispensáveis. A Comissão Executiva quer ver-nos como pessoas que ajudam a fazer negócio.”

 


A robotização e a aplicação da Inteligência Artificial

Paula Castelão mantém-se expectante relativamente àquilo que a Inteligência Artificial será capaz de fazer pela gestão das pessoas e do talento. José Luís Carvalho referiu alguns desafios que têm sido vividos pelo Grupo José de Mello Saúde a nível da Cibersegurança, na gestão dos call centres e da utilização da IA no diagnóstico. “Não estando ainda na vanguarda, haverá seguramente muitos impactos a vários níveis na organização.”

“A automatização e o apoio ao cliente são os desafios” sentidos na TAP. Para o responsável, “a oportunidade consiste em reconfigurar os papéis das pessoas nas organizações” com a incorporação da IA nas operações.

 

No final da sessão, a audiência colocou ainda algumas questões sobre a forma de repensar as motivações, a conciliação de trabalho e família, o teletrabalho, entre outras.


Legenda da fotografia
Catarina Heleno (AESE), José Luís Carvalho (Grupo José de Mello Saúde), Maria de Fátima Carioca (AESE), João Falcato (TAP), Paula Castelão (The Navigator Company), Afonso Carvalho (EGOR) e José Fonseca Pires (AESE).