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Interação entre Gerações no Mundo Empresarial: Desafios e Oportunidades

Equipas de trabalho multigeracionais permitem melhor gestão do talento

Os objetivos do segundo estudo preparado para a 13.ª Assembleia da AESE eram conhecer as diferentes gerações de colaboradores hoje presentes nas empresas portuguesas e compreender como convivem, colaboram e aprendem em conjunto no mundo do trabalho. Procurou-se assim, através de conjuntos de perguntas diferentes colocadas a 4.150 pessoas empregadas, obter, por um lado, uma perspetiva geracional – caracterizar o perfil de cada geração e a forma como vê a sua envolvente – e, por outro lado, analisar a perspetiva intergeracional, o que significa compreender as principais barreiras e oportunidades na colaboração entre gerações no mundo empresarial.

Este estudo, coordenado pela Professora Maria de Fátima Carioca, Dean da AESE, assumiu as tradicionais três divisões geracionais – Millennials (< 35 anos), Geração X (35 < 50 anos) e BabyBoomers (> 50 anos) – e permitiu concluir, por exemplo, que “ao identificar as principais competências que cada geração aporta à sua empresa, torna-se evidente que os pontos fortes de uma geração correspondem tendencialmente aos pontos menos desenvolvidos das restantes, o que torna clara a riqueza e necessidade de constituir equipas de trabalho multigeracionais e de criar oportunidades de contacto que fomentem a entreajuda e aprendizagem mútua dentro da empresa”.   

E a Professora Fátima Carioca acrescenta: “Além destas vantagens, também o facto de existirem várias gerações presentes na empresa, permite uma gestão do talento a longo prazo mais equilibrada e consistente e, provavelmente, mais gratificante e desafiadora para a maioria dos colaboradores. Por último, o crescimento das empresas, o amadurecimento das organizações faz-se, sobretudo, através de uma cultura de encontro e de relacionamento, de diálogo construtivo entre quem é memória do seu passado e quem tem capacidade para compreender a complexidade global das novas situações e revitalizar o pensamento e a estratégia em face do futuro”.   

Analisando as características específicas de cada geração, é possível verificar que, por exemplo, em relações às preocupações, as três gerações apresentam focos de preocupação semelhantes, com exceção das temáticas relativas à política e segurança nacional. A desigualdade social é a questão que apresenta um maior nível de coincidência nas preocupações sociais entre gerações. A economia e o défice nacional não se revelam focos de preocupação tão elevados para os Millennials, como para as restantes gerações. As gerações mais jovens evidenciam maiores sinais de preocupação com as questões relacionadas com o ambiente.

O principal foco de preocupação da geração Baby-Boomers incide sobre os valores. As questões relacionadas com a família são uma temática de grande preocupação tanto para a Geração X, como para os Millennials. A Geração X é aquela que mais se preocupa com questões relacionadas com a Segurança Social. Temáticas como o emprego e finanças pessoais têm um foco de preocupação cada vez mais elevado por parte das gerações mais novas, como é o caso dos Millennials.

Mais de metade dos Millennials acredita que estará a trabalhar noutra empresa num horizonte de 3 a 5 anos. As perspetivas de vir a trabalhar fora de Portugal são semelhantes para as gerações Baby-Boomers e Millenials. Em termos laborais, a geração Millennials é aquela que apresenta maior confiança nas suas capacidades e na flexibilidade do mercado de trabalho. Apesar de todas as gerações se revelarem seguras relativamente àquilo que desejam para o seu futuro, os Baby-Boomers são aqueles que apresentam um maior grau, tanto de autoconhecimento, como de autoconfiança.

Apesar de se verificar que todas as gerações demonstram interesse em atividades de lazer como a leitura, ir ao teatro ou cinema, os Baby-Boomers são aqueles que mais se destacam neste campo. Os Millennials são a geração que lê jornais e revistas com menor regularidade. Quase metade dos Millennials desloca-se para o trabalho de transportes públicos. A geração Baby-Boomer é aquela que costuma fazer voluntariado com maior frequência.

No final da apresentação, interrogada sobre a perspetiva das diferentes gerações relativamente ao Estado Social, Fátima Carioca considerou que os “Millenials são os mais céticos sobre o Estado Social”, revelando por isso uma preocupação acrescida sobre o emprego e as finanças pessoais.  

Quanto à apetência para emigrar, a coordenadora do estudo sublinhou que os mais disponíveis são os jovens e os mais velhos, revelando-se a Geração X menos aberta a sair para trabalhar no estrangeiro, talvez porque estão numa fase da vida que privilegia mais a estabilidade.    

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