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Mobilidade pessoal 4.0

Antonio Melica, da Nissan, fez-se representar na 14.ª Assembleia de Alumni da AESE por José Pereira Joaquim.

A mobilidade pessoal está a sofrer grandes alterações e a indústria automóvel está a adaptar-se a uma nova era de consumidores interligados a viver em ambientes crescentemente urbanos. Quais são, a seu ver, os maiores desafios para esta transformação significativa?
AM: "A Nissan tem uma abordagem holística no que respeita aos desafios da mobilidade elétrica, à qual chamamos visão da Mobilidade Inteligente, e que se divide em três grandes eixos: Potência Inteligente, a qual se foca na forma como os nossos veículos tiram partido de diferentes fontes de energia e de tecnologias de propulsão para maximizar a eficiência; Condução Inteligente, com enfoque particular nas soluções de condução autónoma e no caminho para “lá se chegar” e Integração Inteligente, que lida em particular com a interação e integração entre veículos e consumidores, mediante formas inovadoras que acrescentem soluções de valor para a sociedade global. O grande desafio é o de conseguir que todas estas tecnologias e sistemas distintos alcancem o principal objetivo da visão corporativa da Nissan: Enriquecer a Vida das Pessoas."

Os parceiros de TI são fundamentais para fazer estas mudanças acontecer, sendo que esta transformação radical tem muitas “faces”: veículos conectados, Big Data, utilização partilhada de automóveis [car-sharing], condução autónoma, segurança dos dados e, obviamente, a produção de veículos mediante formas ambientalmente adequadas. Na sua opinião, e tendo em consideração o que realmente o consumidor deseja, quais são as “áreas” que conferem uma maior proposição de valor?
AM: "Não podemos desejar resolver os principais desafios da indústria automóvel, bem como os desafios da mobilidade, de uma forma abrangente, a não ser que trabalhemos todos em conjunto e em “modo de parceria”. Todas as “faces” que mencionou são igualmente decisivas para a oferta de uma verdadeira solução global para os consumidores e mediante um formato sustentável. Num mundo global, as necessidades e decisões dos consumidores têm um impacto igualmente global e, por isso mesmo, alguns requisitos comuns. Todavia – e tal como acontece com os nossos produtos e tecnologias – as proposições têm de ser adaptadas aos consumidores locais e às condições particulares dos mercados."

A condução autónoma é, sem dúvida, uma das mais promissoras áreas desta “revolução da mobilidade”. Enquanto player de peso no setor, acredita que, num futuro próximo, será possível a coexistência de veículos autónomos nas estradas com outros veículos “normais” ou ainda assistiremos, durante algum tempo considerável, a uma grande diferença entre um “carro que não precisa de condutor” e veículos que, graças à IA, irão contribuir para melhorar a segurança dos condutores e dos pedestres?
AM: "Possuímos já, no presente, os elementos base da condução autónoma em muitos dos nossos veículos, através do nosso Escudo de Proteção [Security Shield] e das tecnologias de estacionamento inteligente. O ProPilot – que designa todas as nossas tecnologias de condução inteligente – está já muito avançado e temos em marcha um plano que se compromete a colocar no mercado um conjunto destes veículos ao longo dos próximos quatro anos (até 2020) e com capacidades autónomas crescentes. O nosso primeiro veículo, equipado com o ProPilot, está já disponível no Japão (o novo Serena começou a ser comercializado no Japão em agosto de 2016) e introduziremos a tecnologia ProPilot na Europa logo no início de 2018, com o novo Nissan LEAF e a nossa gama de crossovers."

A Nissan assume-se como tendo uma prioridade número um: construir uma sociedade de emissões-zero. Qual o atual estado de concretização deste desejo tão ambicioso?
AM: "Como já anteriormente referi, a Nissan rege-se por uma abordagem holística que pode ser descrita, em geral, mediante os três eixos acima mencionados e que constituem a nossa visão de Mobilidade Inteligente. Mas posso dar alguns exemplos de projetos que anunciámos recentemente e que serão implementados em 2018.
Cerca de 1,3 mil milhões de pessoas vivem sem acesso à energia que todos nós damos como garantida. Para ajudar a lidar com este problema, a Nissan está a implementar três projetos com enfoque em comunidades identificadas como aquelas que estão em maior risco ou necessidade desta energia. E todos eles estão a ser concebidos para potenciar a aplicação de baterias elétricas, bem além da “utilização de veículos”.
O primeiro tem como objetivo a construção de um micro sistema de abastecimento que irá fornecer uma fonte de energia a comunidades locais, num país em desenvolvimento, que não tem acesso sustentável à mesma. O que irá contribuir para oferecer aos residentes um melhor acesso a necessidades básicas como a educação e os cuidados de saúde.
O segundo irá trabalhar em conjunto com municípios locais na Europa de forma a implementar os princípios do Ecossistema Elétrico da Nissan para os que mais precisam. Este projeto, em particular, inclui equipar um edifício residencial com um sistema de energia solar, com as baterias residenciais Nissan xtorage, com sistemas de armazenamento bidirecional (vehicle-to-grid technology ou V2G, na sigla em inglês) e com os novos Nissan LEAFs para car-sharing (partilha de veículo).
O terceiro projeto juntará a Nissan e outras organizações em áreas com maior propensão de virem a ser afetadas por desastres naturais, tendo por objetivo descortinar formas mediante as quais os empregados da Nissan e as suas tecnologias possam contribuir com a sua experiência e inovação."

Entrevista por Helena Oliveira, Editora do Portal Ver

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