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O diálogo geracional e o crescimento: da desigualdade à oportunidade

Os complexos desafios da Geração D

O Professor Luís Cabral, docente de Economia na Universidade de Nova Iorque e na AESE, cativou a audiência com uma intervenção repleta de fino humor sobre a análise das características e dos desafios que se colocam à geração nascida já depois do 25 de Abril de 1974, que batizou de “Geração D”, diferenciando-a das gerações anteriores: a nascida entre 1940 e 1955, classificada de Geração Ultramar, e a nascida entre 1955 e 1975, denominada de Geração Europa.

Segundo o conferencista, ao contrário das gerações anteriores, a Geração D já encontrou o sistema democrático e a integração europeia como realidades adquiridas em Portugal. No entanto, chegou ao mercado de trabalho numa fase em que a economia portuguesa entrou em estagnação e é por isso a geração do desemprego, ainda por cima de um desemprego jovem e muito qualificado, pois o número de universitários cresceu neste período como nunca (de 75 para 400 mil) – “Portugal é o segundo país europeu com mais arquitetos por mil habitantes” –, o mesmo tendo sucedido com o número de doutorados, cujo crescimento foi ainda mais brutal (dez vezes mais).

Perante este enquadramento, o Professor Luís Cabral sustenta que a Geração D é a da “Diáspora”, assistindo-se à emigração de jovens para a Europa e temendo-se que o pior ainda esteja para vir; é a geração da “Dependência”, já que a relação entre trabalhadores e reformados é o dobro do resto do mundo; é a geração da “Desigualdade”, dadas as diferenças de condições com as gerações anteriores; é a geração do “Desinteresse”, tal é o seu alheamento em relação à política e aos atos eleitorais; é a geração da “Desconfiança”, para quem os sistemas da Política e de Justiça não têm credibilidade; é a geração da “Desilusão”, porque o sonho parece inalcançável.

Percebe-se pois a complexidade dos desafios a enfrentar pela Geração D, embora subsista uma luz de esperança, tanto mais que os elementos desta geração mais jovem se apresentam com um maior espírito e capacidade de empreendedorismo, embora revelem de forma também elevada um individualismo militante – “a média de arquitetos por ‘atelier’ em Portugal é de 2,5” – o que dificulta a hipótese de os projetos ganharem escala numa economia globalizada.  

Daí que o Professor Luís Cabral conclua que a Geração D precisa, urgentemente, de cultivar a escola do associativismo, única forma de se afirmar com a dimensão necessária perante os desafios que se lhe colocam.

E a última palavra é também de esperança: a Geração D mostra-se convicta de que estará melhor em 2020 e que então Portugal terá encurtado distâncias para o resto da Europa.       


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