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O Menino que sai das palhinhas do presépio

Formação integral

Em pleno advento, a AESE organizou uma sessão com o o P.e Gonçalo Portocarrero de Almada, a fim dos alumni se prepararem melhor para o Natal em Família.
Numa breve entrevista, o Capelão da AESE, registou as seguintes notas.

Como fazer das situações imprevistas da vida, momentos de Natal, isto é, de nascimento e de esperança?
PGPA: “Estamos habituados ao Natal como sendo uma festa tradicional. Certamente que o é. Não devemos, no entanto, perder o seu sentido histórico e o seu sentido religioso. O seu sentido histórico leva-nos a um acontecimento absolutamente imprevisto, como foi o nascimento de Jesus, antes que fosse de esperar que aquele casal pudesse ter um filho, e depois, também porque foram obrigados a abandonar a sua terra que era Nazaré.
Portanto, tudo o que é o Natal fala-nos de coisas imprevisíveis que acontecem a uma família – seguramente, muito semelhante a muitas outras famílias que haveria naquele tempo e naquele lugar -,  e que conseguem ultrapassar todas essas dificuldades, mantendo-se sempre unidos. Isso acho que é importante. As nossas famílias estão hoje também sujeitas a muitas provações e é necessário que as saibam ultrapassar mantendo-se unidas também.”

Como conciliar as várias dimensões da vida humana (a profissional, a familiar e a pessoal), de maneira a viver genuinamente o Natal?
PGPA: “De facto, as personagens que o Natal nos convida a meditar, ajudam-nos precisamente a considerar essa interligação dos diversos ambientes, porque temos em Nossa Senhora a vida familiar, a vida doméstica, a dedicação, supomos que em exclusividade à família. Hoje em dia talvez não seja tão comum que a mulher possa dar tanto tempo ou dar a exclusividade da sua ocupação à família; e temos São José que tinha certamente um trabalho profissional exigente, até porque dele dependia o sustento da Sagrada Família. E conseguiram isso mesmo. Ante a emergência de um acontecimento extraordinário que devia acontecer com eles, souberam fazer com que tudo concorresse para o bem da família.
Considero muito importante nos tempos que correm, termos essa noção de que a família deve vir sempre em primeiro lugar e se alguma coisa tiver de ficar em segundo lugar, melhor será que seja a profissão e não a família, porque esse é o grande labor a manter.”

Que conselhos devemos reter para este Natal?
PGPA: “Seria muito importante que todos nós nos preparássemos para o Natal, criando no nosso coração um espaço onde Deus possa vir a este mundo, porque onde ele quer ficar não é nas palhinhas do presépio, ele quer ficar é no coração de cada um de nós. O presépio é só uma escala técnica para esse caminho que deve terminar nos nossos corações.
Mas também acho importante que o Natal sirva para criar um novo ambiente nas nossas famílias. E o Papa Francisco tem falado muito disso. De pessoas descartáveis, de pessoas que são postas de lado, de pessoas que muitas vezes nós, evitamos. O Natal deveria ser uma boa ocasião para reconhecer Nosso Senhor nessas pessoas e acolhê-las com uma outra atitude.”

Na sessão houve lugar a um momento de perguntas colocadas pela audiência, que foram respondidas pelo orador.