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O Mundo e o investimento estrangeiro

Luís Amado reforça que “captação de capital é absolutamente crítica para o crescimento”

O 4.º Painel da 13.ª Assembleia da AESE, foi subordinado ao tema "O Mundo e o investimento estrangeiro - o caso Fidelidade".
Para debater este tema, o Agrupamento de Alumni da AESE convidou Luís Amado, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Lingjiang Xu, executivo sénior do Grupo Fosun na Europa, e Jorge Magalhães Correia, Presidente da Fidelidade.

“Muito poucas nações nos trataram com tanto respeito e dignidade histórica como a China”
É consensual que o país precisa de internacionalizar as suas empresas e de captar investimento estrangeiro para retomar uma rota de crescimento, sob pena de colapsar com a insustentabilidade da dívida pública. Foi assim que Luís Amado deu início ao terceiro bloco do dia “O Mundo e o investimento estrangeiro”, para sublinhar que a capacidade de atrair capital é absolutamente crítica.

“O país precisa de novos mercados para os seus produtos, assim como de novos produtos e isto significa que precisa de capital”. É, pois, necessário orientar Portugal para mercados onde há crescimento e capital para investir e a China é o melhor exemplo. É um grande mercado para colocar os produtos portugueses e um grande investidor que, nos últimos anos, quadruplicou o seu investimento na Europa.

Num mundo que vive profundas mudanças na sua geopolítica e relações de força, que vive grande instabilidade no seu sistema financeiro, com uma união monetária europeia que continua a não ser suportada por uma união política… “nós, como uma economia frágil, na periferia e presos na armadilha da Europa, temos de aproveitar a crise para resolver a questão de Portugal na Europa, mas também para perceber que Portugal tem Mundo”, sublinhou.

Neste sentido, é preciso retomar relações com geografias que nos são ‘caras’ historicamente e que estão hoje vibrantes, como as economias emergentes da África e da Ásia. É preciso promover uma agenda nacional capaz de criar confiança e maior previsibilidade, para conseguirmos atrair capital produtivo e gerador de emprego.


“Vemos Portugal como uma plataforma para crescer noutros mercados”
Fundado em 1992, o Grupo Fosun começou por investir na indústria (farmacêutica e imobiliária) e esta foi a base que lhe permitiu, em 1997, entrar em Bolsa, no principal índice de Hong Kong. Paralelamente, ampliou-se para o setor dos seguros, do investimento e da gestão de ativos que, juntamente com a indústria, continuam a ser as quatro grandes áreas de negócio do Grupo. Foi com elas que se internacionalizou, especialmente a partir de 2010, afirmando-se hoje como uma multinacional presente em 19 países, sete dos quais na Europa.

Foi neste contexto que investiu em Portugal, tomando posição nos seguros, em maio último, com a aquisição da maioria do capital da Fidelidade, e que assumiu há apenas alguns dias a agora Luz Saúde, um negócio que permite sinergias diretas com o setor segurador.

Segundo Lingjiang Xu, executivo sénior do Grupo Fosun na Europa, o investimento em Portugal remete para o ideograma chinês, tanta vez citado, que representa simultaneamente crise e oportunidade.


“Desde 2007 e 2008, que vários países europeus passaram tempos difíceis”, referiu. Portugal foi um deles, mas a Fosun acolheu com agrado o esforço feito para revitalizar a economia, pelo que “considerámos que poderíamos ajudar nesta recuperação, ao mesmo tempo que vemos Portugal como uma plataforma para crescer noutros mercados”.


O Grupo está atento a outras oportunidades de investimento, seja em Portugal ou noutro mercado, sempre que os projetos em causa tenham sinergias com as quatro linhas de negócio base do Grupo Fosun - indústria, seguros, investimento e gestão de ativos – e sejam capazes de as escalar, explica Lingjiang Xu, reforçando que o Grupo está totalmente focado em boas oportunidades do ponto de vista do retorno e em sinergias capazes de aumentar a sua cadeia de valor.

“Há 500 anos, Jorge Álvares chegou à China por mar. Há 5 anos, por sorte, descobrimos Jorge Magalhães”, referiu em tom de humor, questionando a existência de algum longínquo parentesco entre os dois Jorges e passando a palavra ao Presidente da Fidelidade, Jorge Magalhães Correia.


“Fosun coloca Fidelidade no radar dos grandes investimentos globais”

A Fidelidade atravessou a crise sem um ano de perdas, mantendo-se líder de mercado destacada com 27%, uma quota muito maior do que qualquer congénere europeia nos respetivos países, e com uma distribuição multicanal única, que lhe assegura presença em cinco canais, um dos quais inédito na Europa - os correios.

Estas foram apenas algumas das razões que tornaram a mais antiga das seguradoras portuguesas num ativo atrativo para o investidor que, como referiu Jorge Magalhães Correia, encontrou na Fidelidade “um know-how facilmente exportável para as seguradoras do Grupo noutros mercados”.

A Fidelidade passa, assim, a ser uma porta de entrada para mercados como Angola ou Brasil, onde a sua experiência e inovação representa uma vantagem competitiva, uma estratégia de crescimento que começará em breve a dar os seus frutos, com a abertura de duas sucursais em Moçambique a estar já planeada.

Apesar da forte posição da Fidelidade nas soluções de poupança e reforma – seguros de capitalização – que constituíam já uma fonte de capital sustentável, a capacidade de investimento da seguradora estava limitada a Portugal e à zona euro – e também pelas limitações a que estão sujeitas as empresas públicas - uma realidade que mudou com a entrada da Fosun.

“O conhecimento e experiência da Fosun na alocação de ativos, permite-nos diversificar e coloca-nos no radar dos grandes investimentos a nível global”, sublinha o responsável, reforçando que a entrada da Fosun representa uma ampliação das oportunidades de investimento, assim como maior autonomia na gestão estratégica dos investimentos, como prova a aquisição da Luz Saúde.

Relativamente ao mais recente investimento do grupo chinês em Portugal, Jorge Magalhães Correia sublinha a existência de fortes sinergias entre os seguros e a saúde. “Era uma ambição regressar a este mercado e uma oportunidade para otimizar a nossa cadeia de valor”. “A Fidelidade é uma empresa com futuro, com o nível melhor de serviço e com um leque de produtos vasto e inovador.”

“O êxito” da relação entre a Fidelidade e a Fosun deveu-se “ao facto da Fidelidade ser um grande ativo empresarial do país. Os investidores como a Fosun procuram naturalmente ativos rentáveis e distintivos que tenham atributos singulares e diferenciadores, e que encaixem na estratégia do comprador”.

Macau, França, Espanha, Cabo Verde, Angola e agora Moçambique são já mercados nos quais a Fidelidade marca presença nos dias de hoje. “Com a entrada da Fosun criámos uma Chinese desk Business Unit, que se destina a apoiar empresas portuguesas na China e chinesas em Portugal, com um orçamento que ronda os 500 milhões de dólares.”

A entrada da Fosun como acionista da Fidelidade trouxe uma enorme ampliação das nossas expectativas de crescimento e também da nossa autonomia, que nos últimos anos estava coartada, devido ao nosso acionista estar sob intervenção pública e não lhe ser possível trazer novos investimentos.

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