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Open Innovation Day

A European Biotech week 2017 Portugal na AESE

A AESE recebeu o último dia de trabalho da European Biotech Week 2017.

Convidado para falar na AESE aos Alumni sobre a maneira como a Europa encara estes assuntos, Hans GCP Schikan, da PharmDe e Former CEO da Prosensa, falou sobre os desafios e as oportunidades que existem atualmente.

Numa breve entrevista, o conferencistas sintetizou as suas ideias principais:

1. Qual é a perspetiva europeia sobre a biotecnologia?

HS: "Nós estamos no ponto de viragem de um grande progresso na biotecnologia. Isto acontece virtualmente em todas as áreas onde a biotecnologia desempenha um papel, como na agricultura, nos plásticos biodegradáveis, nos biocombustíveis, nos usos ambientais, mas certamente também em ciências da vida e cuidados de saúde. Na minha opinião, especialmente no campo do desenvolvimento da medicina, veremos mudanças de paradigma nos próximos 10 a 20 anos. Graças aos avanços tecnológicos, e a uma visão mais aprofundada sobre o funcionamento do corpo humano, estamos a cumprir muitas pequenas e grandes etapas todos os dias para entender melhor como curar doenças. A possibilidade de desvendar o genoma humano em menos de uma semana a um custo muito aceitável é algo que não imaginamos possível há duas décadas. A terapia genética e a edição de genes estão ao virar da esquina, o que nos permite abordar doenças na sua origem. O medicamento de precisão que permite tratamentos feitos sob medida já é uma realidade hoje.
Em relação aos diagnósticos poderemos identificar a doença num estágio muito anterior e aumentar as hipóteses de uma cura real, graças à nanotecnologia, à proteômica, à metabolômica, à genômica e a muitos outros campos.


2. No seu ponto de vista, quais são, atualmente, os fatores chave para ultrapassar os principais desafios biotecnológicos com sucesso?

HS: "Para a biotecnologia ser bem sucedida não basta fazer-se ciência de qualidade. Uma ciência sólida e um espírito inovador são pré-requisitos para que qualquer iniciativa de biotecnologia seja bem-sucedida, tanto comercial quanto do ponto de vista do benefício do paciente, mas é necessário mais. É igualmente importante ter as pessoas certas que estão equipadas com um espírito empreendedor. Isso significa que teremos que garantir que um clima de empreendedorismo seja promovido, especialmente em nossas instituições acadêmicas, onde se origina grande parte da verdadeira ciência inovadora. Parcerias entre professores e empresas, apresentando empresários transformados em acadêmicos, apoio a empresas iniciantes, estruturas de incubadoras, são exemplos de como um clima biotecnológico produtivo e proliferativo pode ser alcançado.
Finalmente, um ambiente financeiro saudável é essencial. Sem investimentos sérios, os frutos de nossos esforços de biotecnologia não podem ser cultivados e, eventualmente, colhidos. Isso significa que o ecossistema do financiamento no início, no meio do estágio e no estágio final deve estar no lugar."


3. Qual é o seu conselho para os líderes da área da biotecnologia?
HS: "Em primeiro lugar, entre em contato com seus utilizadores finais, que em muitos casos serão o paciente real para um medicamento novo. Parece fácil dirigir uma organização de biotecnologia da torre de marfim do escritório, mas o que realmente importa é como as pessoas que, eventualmente, usarão a produção de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento, pensam sobre a carga da sua doença, e também sobre o peso potencial de um novo tratamento.
Em segundo lugar, reunir as melhores pessoas ao seu redor, seja como membros da sua força de trabalho, ou como membros do conselho consultivo. Eles irão ajudá-lo a superar os desafios que enfrentará ao levar a sua inovação para o próximo estágio. A este respeito, certifique-se de celebrar êxitos, mesmo os pequenos. Inovar, valorizar, colaborar pode ser uma grande diversão e uma inspiração para os outros. Portanto, não deixe passar em vão um motivo de celebração.
Finalmente, pense grande, mas seja humilde ao mesmo tempo. Perseverança e tenacidade são essenciais para mantê-lo no caminho certo, mas também perceber que você tem o privilégio de estar na vanguarda da inovação científica e da valorização.
Nunca desista."

A ordem de trabalhos terminou com um debate sobre trabalhar em parceria em prol da evolução do ecossistema. O Prof. José Ramalho Fontes, da AESE, Carlos Faro, da Biocant, João Almeida Lopes, da Apifarma, Nuno Arantes-Oliveira, da P-Bio, Luís Pereira, da Medtronic e António Murta, da Pathena, apresentaram os seus pontos de vista encarando com otimismo o futuro. Coube a Filipe Assoreira, da P-Bio, o wrap up das mensagens capitais do encontro.