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PME’s – Desafio de crescimento e reindustrialização

Fatores críticos de sucesso em cinco exemplos

Cinco dirigentes de topo de outras tantas empresas de sucesso, expuseram aqueles que consideram ser os fatores críticos das bem-sucedidas experiências em setores tão diversificados como o agroindustrial, o alimentar, a saúde ou a construção.

A frescura do caso Vitacress
Luís Mesquita Dias, Diretor-Geral da Vitacress, empresa que produz anualmente, por exemplo, 5.000 toneladas de saladas diversas e 1.200 toneladas de batatas, coloca à frente na listagem dos fatores críticos de sucesso, o know-how e a qualidade, sublinhando a elevada formação dos seus técnicos e a ligação íntima aos mundos da Ciência e da Academia como garantes de uma produção mais eficiente e de qualidade extra. Será este conhecimento aprofundado que permite à empresa “praticar uma agricultura de precisão e muito intensiva, facultando cinco a seis colheitas por ano nos cerca de 300 hectares de terrenos explorados na região de Odemira, 30 dos quais em estufas”. Controlo de gestão, exportação, inovação, desenvolvimento de marcas, integração vertical (da sementeira à embalagem) e política de recursos humanos, são outros dos fatores que Luís Mesquita Dias realça para explicar os elevados índices de produtividade que permitem exportações na ordem dos 40%, nomeadamente para Angola, “o que levanta exigentes desafios logísticos, já que o prazo de validade da maioria dos produtos não ultrapassa nove dias”. O Diretor-Geral da Vitacress salientou ainda a atenção dada às novas tendências de consumo, dando como exemplo “a preparação de produtos adaptáveis ao regresso das lancheiras, motivado pela crise económica, ou a resposta à luta contra a obesidade infantil”.   

Um caso de boa saúde
Isabel Vaz, Presidente da Comissão Executiva da nova Luz Saúde, justificou o sucesso num setor tão sensível como a Saúde, com “a capacidade de ousar pensar de forma diferente, de sonhar as coisas diferentes do que elas foram”. Recordando que a empresa tem crescido a um ritmo superior a 35% ao ano e que acaba de protagonizar uma mais bem-sucedida OPA na Bolsa de Valores de Lisboa, Isabel Vaz apresentou como fatores críticos de sucesso em Saúde, o combate ao desperdício com recurso a técnicas de gestão já testadas noutras indústrias, a transformação dos utentes em clientes, a valorização das capacidades dos profissionais de Saúde em trabalharem em equipa e de forma vertical à volta do doente, alinhados com a relação custo/benefício. Em suma, a responsável pela Luz Saúde fala de engenharia de processos tendentes à redução dos custos, em novos modelos de governação clínica, em que a eficiência e a rentabilidade são sinónimos de qualidade extra de serviço. E conclui: “Um Hospital é hoje uma grande e lindíssima fábrica onde é imperioso fazer as coisas bem feitas e sem desperdício”.

O caso Imperial
Manuela Tavares de Sousa, CEO da Imperial, o maior fabricante português de chocolate, não tem dúvidas que o sucesso atual desta empresa fundada em 1932, passa pela sua permanente capacidade em reinventar-se, o que pressupõe constante modernização tecnológica e uma exigente adaptação às tendências do mercado. Presente em todos os segmentos do concorrencial mercado de chocolates, a Imperial soube, segundo a responsável, “construir marcas com fortes ligações emocionais aos consumidores, confirmando uma grande apetência para colocar uma qualidade exigente e uma grande inovação/diferenciação ao serviço da captação de tendências de longo prazo”. Capaz de inovar com a marca premium Jubileu, por exemplo, com 40% das vendas no exterior, ou de recuperar, numa onda de revivalismo, as célebres marcas de furos da Regina, a Império aposta na exportação para ganhar dimensão e superar constrangimentos, como a sazonalidade. Hoje, o mercado externo representa já 20% do volume de negócios e novas geografias estão em estudo, como o Médio e Extremo Oriente, “mercados estratégicos para quem queira crescer e que exigem uma oferta adaptada”, segundo Manuela Tavares de Sousa.  

Prefabricats: um caso replicável
Francesc Planas, Administrador-Delegado da Prefabricats Planas, empresa de pré-fabricados para construção civil da região de Girona, em Espanha, é um exemplo flagrante do recurso à inovação sistemática com o apoio da Universidade para responder às alterações drásticas do mercado de construção e obras públicas verificadas nos últimos anos na Península Ibérica. “Antecipámos a queda do betão, que atingiu 90% nos últimos anos, e começámos a pensar e a desejar o impossível, para chegarmos ao produto utópico possível”, explicou Francesc Planas, recordando a transformação de uma empresa de pré-fabricados que tinha produtos em catálogo, numa unidade que passou a fabricar por medida, respondendo às necessidades específicas de cada cliente e incorporando novas soluções tecnológicas que nada têm a ver com o cimento, como sejam painéis fotovoltaicos ou outras. Os novos processos permitiram produzir novos produtos e atingir novos clientes cada vez mais exigentes, o que possibilitou que a empresa tivesse invertido a queda das vendas a partir de 2012, isto quando mais de 70% dos produtores de pré-fabricados em Espanha já fecharam as portas.

King Oscar: o segredo das sardinhas
Geir Arne Asnes, CEO da King Oscar, uma empresa de conservas de frutos do mar de origem norueguesa, começou por elogiar a boa sardinha portuguesa, bem melhor do que a do seu país, antes de explicar como é que uma empresa de nicho de mercado sobreviveu ao longo de 140 anos, tendo sempre conseguido adaptar-se às condições do mercado, incluindo através uma deslocalização de grande parte da produção para a Polónia, motivada também pela enorme disparidade dos custos de mão de obra relativamente à Noruega. Os fatores de sucesso da King Oscar, que comercializa, entre outras, conservas de sardinha, atum, salmão, arenque, cavala e anchovas, não são muito diferentes, segundo o seu CEO, daqueles que foram enunciados pelos seus colegas das quatro outras empresas deste painel, a saber: uma legislação estável; o desenvolvimento de produtos adaptados ao gosto dos clientes; estabilidade financeira; explorar todas as oportunidades de inovação; uma gestão apaixonada pelo negócio; e acionistas apostados em investir na companhia. Se a isto juntarmos bons níveis de competitividade, capacidade para dar dinheiro a ganhar aos distribuidores de cada vez mais países e a garantia da sustentabilidade dos recursos piscícolas, teremos a chave total do sucesso.      


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