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Um mindset adequado e uma firme vontade fazer a mudança

Na 14.ª Assembleia de Alumni da AESE, Pedro Henriques, da Siemens, explicou como "Preparar a Workforce para o 4.0".

É assim que Pedro Henriques, Diretor de Recursos Humanos da Siemens, antevê o futuro das organizações no Século XXI, elegendo ainda a diversidade cultural nas equipas como motor da inovação e uma “área” na qual os robots não terão lugar.

Com a emergência de tecnologias cada vez mais avançadas, com uma crise de aptidões que não fazem corresponder as necessidades das empresas ao conhecimento dos trabalhadores, se alguma certeza existe é a de que a futura força de trabalho terá de se reinventar. Em particular no que respeita ao conjunto de competências hoje existentes, na medida em que muitas delas se tornarão obsoletas. Quais as prioridades que elege para a melhor preparação da “força laboral 4.0”?
PH: "A melhor preparação da força laboral 4.0 assentará em novas competências e num novo mindset. As competências técnicas podem ser ensinadas. Mudar o mindset é algo mais difícil...Julgo que as organizações tenderão a investir prioritariamente no desenvolvimento das competências daqueles que têm o mindset adequado para esta nova realidade. Serão estes o “motor” da mudança que permitirá criar uma nova dinâmica e que “embalará” os mais conservadores para a realidade 4.0.
Teremos, então, as organizações do Século XXI."

A noção que nos acompanha, pelo menos desde a Revolução Industrial, de que os progressos tecnológicos destroem alguns tipos de trabalho, mas que criam, em simultâneo, outros tantos, tem servido para acalmar as hostes até agora. Mas e desta vez, são muitas as evidências demonstram que a tecnologia está a destruir empregos, a criar novos e melhores, mas também em menor quantidade. Como comenta este vaticínio defendido por inúmeros “especialistas”?
PH: "O assunto é mais complexo e as conclusões talvez não sejam tão lineares...
Nesta matéria, gostaria de partilhar um facto: os países e regiões onde a digitalização mais avançou têm taxas de desemprego mais baixas; pelo contrário, as taxas de desemprego mais elevadas encontram-se em países onde a digitalização e a inovação são mais incipientes.
Diria que crucial é investir fortemente tanto nas competências técnicas requeridas por esta nova realidade, como em “change management”.
Um Mindset adequado e firme vontade de mudança por parte das pessoas, são elementos decisivos para abordar o mundo 4.0."

O que neste momento é verdadeiramente difícil de prever não são as áreas em que a presença dos humanos deixará de ser necessária, mas que tipos de novas funções esta revolução tecnológica irá criar que sejam de performance “exclusiva” para a nossa espécie. O que considera – e visto que a Siemens é uma empresa conhecida pelos seus excelentes programas de incentivo à(s) diversidade(s) - seja de cariz cultural, geracional ou de género – serem as “competências mais humanas que os robots nunca poderão substituir”?
PH: "É a pergunta mais difícil e que “vale milhões”...
Neste contexto, o que as empresas podem fazer é trabalhar fatores como, por exemplo, a diversidade cultural nas suas equipas. Sabemos que a inovação aumenta substancialmente em ambientes de forte diversidade: coloca novos desafios às equipas e leva a resultados que, por vezes, estão muito além do que inicialmente se pensava possível.
Nesta área julgo que os robots não terão papel relevante a desempenhar.
Tentando generalizar diria que as pessoas estarão sempre ligadas a atividades que impliquem raciocínios complexos, avaliação da envolvente e onde não existam tarefas simplesmente repetitivas.

Como “imagina” a força laboral num período de cinco a dez anos?
PH: "Imagino pessoas muito mais qualificadas, equipas tendencialmente mais pequenas, remunerações mais elevadas e variáveis de acordo com os ciclos económicos, networking global (via net, etc.), novos setores de atividade, multiculturalidade e diversidade como dados adquiridos, força laboral constituída por cidadãos do mundo e, finalmente, uma defesa mais acérrima do equilíbrio entre vida pessoal e profissional como algo indispensável para as Pessoas 4.0."

Entrevista por Helena Oliveira, Editora do Portal Ver

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