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Uma mudança radical para salvar a empresa

Thought Leadership MBA: "Turnaround management: o caso de Arquiled"

Fazer um turnaround num negócio pode partir de uma questão de estratégia e até de sobrevivência. O caso Arquiled retrata como foi vital a mudança empreendida no  negócio. Miguel Allen de Lima, CEO da Arquilled e 1.º Executive MBA AESE, explica na primeira pessoa, os desafios sentidos e as motivações que o levaram a assumir decisões de risco.
 
Porque surgiu a necessidade de fazer um turnaround management na Arquiled?
MAL: “A empresa começou a ter problemas sérios de desenvolvimento devido a um aumento de custos e endividamento não acompanhados pelo crescimento das vendas. Ao mesmo tempo, os produtos apresentavam uma qualidade deficiente o que fez aumentar a insatisfação generalizada dos clientes. Assim, em 2013 a empresa entrou numa espiral negativa acentuada, ficando praticamente paralisada.
Os acionistas acharam que a única forma de salvar a companhia seria uma mudança radical de estratégia e de gestão


Quais foram os principais desafios encontrados por si, enquanto CEO, na gestão das pessoas, neste processo de mudança estratégica?
MAL: “Em primeiro lugar, a equipa estava muito desmotivada. Não só tinham vivido períodos de grande instabilidade na liderança e rumo da companhia, como foram fortemente afetados por cortes nas suas compensações e regalias.  Por isso não só havia muita mágoa e desconfiança, como também a equipa tinha perdido ritmo e processos de trabalho.  Nesse aspecto foi pior que começar do zero. Foi necessário definir novas formas de trabalho, criar os processos e informação de suporte necessária a atividade e, ao mesmo tempo, fazer a equipa acreditar que havia um novo rumo e caminho.
Curiosamente, a equipa que mais rapidamente recuperou e adoptou a mudança foi a na produção fabril. No escritório, na zona dos serviços, demorou mais tempo a alinhar, tendo sido necessário recrutar novos elementos, sem “mágoas do passado” para acelerar a transformação.”


Quais os fatores diferenciadores que o novo posicionamento da Arquiled oferece ao mercado?
MAL: “Ao adotarmos a eficiência energética como nosso foco estratégico, a diferenciação passa por oferecer ao cliente o melhor payback do mercado. Ou seja, os nossos produtos não têm de ser os mais baratos, nem os mais eficientes. Eles têm de ter o melhor custo benefício na ótica da eficiência. Ou seja o melhor equilíbrio entre a poupança energética e o preço do produto.


Como é que a Arquiled aborda o tema da internacionalização? Qual o ponto de situação no presente e a ambição a médio/ longo prazo?
MAL: “A Arquiled está desde 2015 a investir fortemente na internacionalização.  Temos um projeto formal a 3 anos co-financiado pelo P2020 e um objetivo de 30% das receitas vir deste canal em 2019.
Para já temos uma equipa dedicada ao desenvolvimento destes mercados, onde se destaca o  Peru, Chile, Colombia, Brasil e Espanha.
A médio prazo, é o nosso objetivo estratégico mais importante. O mercado português é demasiado limitado e, com a confiança que temos nos nossos produtos, achamos natural que tenhamos o mesmo sucesso no estrangeiro.”


Qual o investimento que têm feito a nível de R&D?
MAL: “O R&D é também uma prioridade para a empresa. Neste momento temos também um projeto em aprovação, em parceria com o IST para desenvolvimento de um produto bastante inovador.
No passado, a Arquiled também foi pioneira nas SmartCities, sendo o exemplo de Évora um dos primeiros pilotos de sucesso a nível mundial.
Estamos também a ultimar um projeto muito interessante na áera da Internet of Things, tudo R&D interno.
É nosso objetivo duplicar a equipa de R&D em 2017 aumentando assim a aposta na diferenciação tecnológica.”

O evento organizado em exclusivo para Alumni do Executive MBA AESE, para além da componente de formação, teve ainda um espaço destinado ao convívio e network dos participantes e destes com o orador.