2ª Edição do Prémio de Cidadania

A EDP, a UNICER e a TNT vencem a categoria “Empresas” da 2ª edição do Prémio Cidadania das Empresas e Organizações, promovido pela AESE e pela PwC. A AMI, o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e a Associação Sócio-Cultural dos Deficientes de Trás-os-Montes foram as ONGs distinguidas, na cerimónia, que teve lugar na AESE, no dia 21 de junho.



Cidadania à prova

 
Ramiro Martins, Professor e coordenador do projeto pela AESE, entende que as responsabilidades de uma empresa ou organização não podem ficar circunscritas à própria entidade. Daí que as instituições mais bem sucedidas na aplicação das suas políticas de responsabilidade social e sustentabilidade, nos níveis económico, social e ambiental, e as ONGs com melhores práticas na aplicação dos recursos existentes na concretização da sua missão, mereçam ser premiadas.


“Os desafios atuais têm uma dimensão global”, dado que “o impacte num ponto do planeta pode ter repercussões onde não se pensava que teria”. De facto, apesar de já existir “um elevado grau de consciência das organizações portuguesas relativamente à sua responsabilidade social, o caminho é ainda enorme. No entanto, aparecem cada vez mais exemplos notáveis, a merecer respeito e realce”. Note-se que, na primeira edição, participaram 55 entidades e este número foi superado, em 2007, pelas 98 empresas e 42 ONGs concorrentes. Segundo Ramiro Martins, “todas as instituições consideradas no estudo têm excelentes e inovadoras iniciativas, e mostram que muito trabalho é desenvolvido sem o conhecimento da comunidade local.” Quando questionado sobre o retorno das organizações quando investem em ações socialmente responsáveis, o Professor afirma que esse conjunto de iniciativas está patente “na satisfação dos recursos humanos, na redução dos custos a médio e a longo prazo em termos ambientais, para além de um impacte nada negligenciável na opinião pública consciente e sensível a estes temas. Os consumidores escolhem cada vez mais aqueles que optam por práticas adequadas e repudiam os outros.”


As Escolas de Negócio também têm contribuído para esta consciencialização, “impregnando” de ética, justiça e sustentabilidade a formação e as boas práticas de gestão.



Da participação à seleção

 
Conforme explicou o coordenador do Prémio e Partner da PwC Rui Loureiro, da análise das respostas ao questionário preenchido pelos responsáveis e colaboradores das instituições participantes, é possível concluir que há “uma dispersão considerável de realidades em matéria de serviços sociais. E, internamente, a gestão dos aspetos sociais na relação da organização com os colaboradores, leva a que a realidade seja também bastante heterogénea.”



A seleção dos vencedores do Prémio ficou a cargo de Jorge Jardim Gonçalves (Presidente do Júri), Manuela Eanes, Manuela Ferreira Leite, Isabel Canha, António Mexia, António Sousa, Carlos Borrego, Jorge Moreira da Silva e José Frias Gomes. A decisão teve em conta os parâmetros definidos pela SAM - Sustainable Asset Management e pela TSO – Observatório del Tercer Setor.

Sobre as empresas portuguesas sensíveis à sustentabilidade, Alexandra Reis, MBA AESE/IESE, apresentou o trabalho “Avaliação da responsabilidade social de 10 Empresas do PSI-20”, diagnosticando as dificuldades das empresas cotadas em bolsa para cumprir as recomendações de Normalização contabilística, Governo das Sociedades, Gestão de Desempenho, Melhores Práticas e Sustentabilidade.

Comparativamente com os EUA, onde as recomendações são vinculativas, em Portugal o grau de exigência é muito menor. No entanto, as empresas com capitalização na bolsa cumprem-nas cada vez mais, devido à pressão a que estão sujeitas.

Pedro Arbués, Diretor de Investimentos do Espírito Santo Ativos Financeiros, defende que “é compatível ter boa rentabilidade utilizando critérios sustentáveis.” O fundo de ativos financeiros do Grupo Espírito Santo foi criado há três anos, e hoje pode dizer-se que “é crescente o número de empresas a reconhecer o valor da melhor gestão dos riscos, da antecipação das ações do regulador, do acesso a novos mercados e segmentos, da capacidade de retenção dos empregados e do maior reconhecimento da marca e reputação. A sociedade está a tornar-se mais responsável, e o conceito está a globalizar-se. 





Fazer o que é certo

 
António Correia, Partner da PwC, encara a questão da sustentabilidade como um exercício constante: “devemos interrogar-nos se fazemos aquilo que está correto”, tendo em consideração o alinhamento da estratégia com o tema, os investidores e os parceiros interessados, a comunicação com credibilidade de iniciativas concretas e transmitir a imagem clara dos resultados e impactes. “ A sustentabilidade tem que ser vista como uma competência chave, e que, através do governo, permita e potencie a opção de cada indivíduo.”

 


Vencedores da 2ª edição do Prémio de Cidadania

 
António Mexia da EDP, João Sampaio da Unicer e Ana Bernardo da TNT, subiram ao palco para receber, ex-aequo, o Prémio de Cidadania de 2007. António Mexia referiu que “as sociedades dependem da qualidade das suas instituições”. João Sampaio acredita que “se não pensássemos a longo prazo, não estaríamos aqui” e Ana Bernardo defende que o segredo está em “promover diariamente estas práticas”.


A Fundação AMI, a Associação Sócio-Cultural dos Deficientes de Trás-os-Montes e o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa, foram as ONGs premiadas nesta edição. Fernando Pereira da Silva admitiu que esta atribuição “vai permitir lutar com mais força de modo a ganhar para os deficientes um mundo melhor”. E mais importante do que a visibilidade que possa advir das práticas implementadas, Isabel Jonet frisou “nunca se dever esquecer que no centro das decisões estão os homens.” As organizações não governamentais ganharam uma bolsa da AESE para um Programa de formação de executivos e da PwC apoio de consultadoria para um projeto à sua escolha.


Os membros do júri atribuíram a Menção Honrosa, na componente económica, à Portugal Telecom e à EFACEC, representadas por Henrique Granadeiro e Luís Filipe Pereira, respetivamente. O BCP, Grupo Auchan e IBM, nas pessoas de Filipe Pinhal, Jorge Filipe e José Joaquim Oliveira, receberam-na, na vertente social. E, na componente ambiental, a Menção foi entregue à Vodafone, estando presente para recebê-la, Ana Mesquita.