Orações de ida e volta!

Quando São Josemaria Escrivá de Balaguer nasceu para a vida eterna, no dia 26 de Junho de 1975, o Beato Álvaro del Portillo, que lhe sucedeu à frente do Opus Dei, de que foi também o primeiro prelado, pediu orações pela alma do Fundador. Conhecendo-o tão bem – era, há já muitos anos, o seu confessor – estranha essa sua petição, que parecia levar a crer que, para ele, a salvação eterna de São Josemaria poderia não estar garantida ou, pelo menos, que ainda carecia dos sufrágios dos fiéis, cooperadores e amigos da prelatura.

Nada disso. O Beato Álvaro era bem ciente da santidade de vida de São Josemaria, que o também Beato Papa Paulo VI considerou com uma das pessoas que, em toda a história da Igreja, recebeu mais graças de Deus. Mas, mesmo estando moralmente certo da santidade do Fundador do Opus Dei – que a Igreja solenemente beatificaria e canonizaria – o Beato Álvaro era ciente de que a tanto estava obrigado pelo quarto mandamento da Lei de Deus. De facto, mesmo depois de concluída a vida terrena dos pais, não cessam as nossas obrigações filiais, porque subsiste a grave obrigação de por eles rezar, oferecendo sufrágios pelas suas almas.

O Beato Álvaro, quando a todos os fiéis do Opus Dei pediu orações pela alma do recém-falecido Fundador, invocou também uma outra razão: esses sufrágios eram, como então disse, orações de ida e volta! Queria assim dizer que, não precisando São Josemaria dessas orações pela sua alma, as mesmas regressariam com redobradas eficácia sobre quem as tivesse pronunciado, porque é próprio dos santos serem muito agradecidos!
Neste mês de Novembro, a Igreja convida-nos, em especial, à oração pelos fiéis defuntos. Rezemos pois pelas almas do purgatório: por todos os nossos familiares e amigos que aguardam os nossos sufrágios para poderem chegar, quanto antes, ao Céu. Essas orações são, afinal, um bom ‘investimento’: quando chegarem ao Céu, essas benditas almas intercederão, em especial, por aqueles que mais as sufragaram!


Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada