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A digitalização do talento

Na 14.ª Assembleia de Alumni da AESE, Sofia Tenreiro, da Cisco, fala sobre a sua experiência de liderança numa empresa de referência do setor tecnológico.

O mundo do trabalho está a sofrer uma (r)evolução sem precedentes e pouco ainda se sabe sobre quais serão os desafios mais prementes que teremos de enfrentar num futuro não muito longínquo. Mas e de acordo com o Relatório sobre Capital Humano divulgado recentemente pelo Fórum Económico Mundial, há que repensar profundamente o que significa aprender e trabalhar no século XXI. Enquanto responsável por uma empresa tecnológica, “progressista” e inteiramente devotada ao mundo digital, como define o “talento” ou as competências que serão mais procuradas nos próximos 5 a 10 anos?
SF: "A mudança muito rápida que acontece, está a exigir uma alteração, também muito veloz, nas competências que o talento deve ter. As “Soft Skills” são cada vez mais importantes numa época em que as “Hard Skills” são já uma commodity. É fundamental garantir uma constante atualização das Hard Skills, ao mesmo tempo que se aposta no desenvolvimento das Soft Skills. Nestas, há várias que considero prioritárias como a Inteligência Emocional, Energia Positiva, Paixão, Capacidade de Adaptação, Capacidade Analítica, Curiosidade e gosto pela aprendizagem contínua, Espírito Colaborativo, Capacidades de Comunicação, Coragem para tomar decisões, Integridade e Ética."

Dado que as economias atuais têm como base, e de forma crescente, o conhecimento, a tecnologia e a globalização, e simplesmente porque ainda não conseguimos prever os empregos de amanhã, existe também um substancial reconhecimento de que a próxima geração terá de ser capacitada para a aprendizagem ao longo da vida. Como podem as empresas ajudar a preparar os talentos do futuro?
ST: "Nos dias de hoje, todo o conhecimento se torna desatualizado muito rapidamente, pelo que é crítico manter um espírito de curiosidade e aprendizagem contínuas. As empresas têm de implementar políticas de RH personalizadas, ou seja, que respeitem a diversidade que se vive nas suas organizações. Por outro lado, as empresas precisam de disponibilizar ferramentas sólidas que permitam aos seus colaboradores terem uma aprendizagem contínua e relevante."

De acordo com várias estimativas, 65 % das crianças que estão, no presente, a iniciar a sua vida escolar, acabarão por começar a sua vida laboral em tipos de trabalho inteiramente novos e que ainda não existem hoje. Mas, mais cedo do que isso, e já em 2020, mais de um terço das competências que hoje consideramos importantes, tornar-se-ão obsoletas. Qual a sua visão em face desta mudança tão radical?
ST: "Cada vez é mais difícil prever o futuro, pelo que a flexibilidade e adaptabilidade são fundamentais. Por isso, é importante apostar nas Soft Skills, que são a base consistente que permite ir atualizando as Hard Skills à medida que os nossos conhecimentos se vão desatualizando ou que necessitamos de novos conhecimentos. As empresas devem ajudar o seu talento neste caminho da atualização e aprendizagem contínuas. Porém, a responsabilidade deve ser de cada um de nós de investir em si mesmo diariamente."

Nomeadamente para as empresas, a tendência que já é reconhecida como um enorme desafio – as dificuldades de recrutamento em face da escassez de talento – só tenderá, segundo várias estimativas, a piorar nos próximos cinco anos. Apesar de algumas reformas em termos de educação estarem já a ser levadas a cabo, não é possível deixar que a atual revolução tecnológica espere pela entrada da próxima geração na força de trabalho. Como pode o mundo empresarial contribuir para resolver este problema?
ST: "É cada vez mais importante procedermos à requalificação das pessoas ativas, de modo a manterem a sua empregabilidade num mundo em mutação. A Cisco tem apostado nesta área, através das suas inúmeras NetAcademy. Este é um programa disponível em muitas universidades e Institutos Politécnicos, que visa dotar pessoas ativas com Digital Skills, permitindo-lhes aceitar novas funções ou novos empregos para os quais não estavam qualificadas. Todos viveremos num mundo onde nos teremos de reinventar e assumir várias carreiras ao longo da nossa vida."


Entrevista por Helena Oliveira, Editora do Portal Ver

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