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Humildade do papel do Estado na promoção do crescimento económico
3/11/2011, Lisboa
Segundo Carlos Moedas, "o Governo tem um papel no crescimento mas deve ser humilde em reconhecer que há outros factores que fazem parte da equação.
O “Orçamento de Estado 2012: a recuperação do crédito internacional e a economia” esteve em debate na AESE a 3 de Novembro.
A colaboração com o Fórum para a Competitividade visou segundo José Ramalho Fontes, Director-Geral da AESE, exercitar todas as competências de liderança para semear um optimismo realista que nos compete transmitir a quem nos rodeia.
“Enfrentar uma das mais graves crises da economia portuguesa” é como Carlos Moedas, Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, encara o desafio que o Governo tem em mãos. “Não existem fórmulas mágicas para o crescimento”. No entanto, Carlos Moedas, confia que “se tem resistido à tentativa de resoluções fáceis”, já que são necessárias reformas estruturais. “ O Governo tem um papel no crescimento mas deve ser humilde em reconhecer que há outros factores que fazem parte da equação. O melhor que o Governo pode fazer pelo crescimento prende-se com as medidas do que deixa de fazer, de gastar, permitindo uma relação de concorrência equitativa. Não existem certezas em relação ao futuro."
“Devemos começar por pensar como foi possível um desmazelo tão grande nestes últimos anos.” João Salgueiro, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Fórum para a Competitividade, considera que o Orçamento de Estado para 2012 “é um orçamento de aflição que procura responder às métricas da Troika mas não vai muito mais longe do que isso.” A crise pode ser superada com “parcerias e pela subcontratação por empresas estrangeiras. É crucial que as empresas arranjem outros canais para terem maior viabilidade e que haja maior atracção fiscal. O único caminho para nós é atrair investimento produtivo, português ou estrangeiro”.
“Completamente descontrolada”, assim classifica o Economista João César das Neves, Professor da UCP, o crescimento da despesa pública dos últimos anos. Do descontrolo da despesa à negação da crise, na verdade “a dívida pública tem vindo a aumentar mesmo com a entrada da Troika.” No seu entender, não existe falta de crédito. O que acontece é que “dado o incumprimento da execução orçamental “as empresas públicas estão a utilizar o crédito que poderia ser usado a nível privado.”
Cristina Casalinho, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI, chamou a atenção para a necessidade capital de equilibrar a balança comercial portuguesa. Com base em dados apresentados, a economista prevê que em 2015, Portugal terá um défice na ordem dos 4% do PIB e o serviço da dívida representará 5% da riqueza” nacional. No seu entender, o valor da dívida pública ainda não reflecte totalmente a realidade.
Pensar-se em reduzir impostos “é uma quimera” para Jaime Carvalho Esteves, Partner da PwC . A recuperação passa pela simplificação de todo o sistema, pela aposta na agricultura e na indústria, no apoio à internacionalização no estrangeiro e ao investimento dos países desenvolvidos nos PALOP, sendo Portugal uma plataforma de contacto. “Não é realista as empresas privadas pensarem em depender do Estado nas próximas duas décadas.” É imperativo “alterar o modelo de negócio porque a crise não é passageira. A solução passa pela internacionalização e pelo mercado internacional sendo as parcerias e a subcontratação de empresas estrangeiras” a via a seguir. Jaime Cardoso Esteves refere que “quanto mais cedo o fizermos melhor.” E “há que convencer os estrangeiros disso”, adoptando uma atitude de benchmarketing em relação aos parceiros europeus.
O primeiro painel foi seguido da discussão sobre “O crescimento e o financiamento às empresas”, tendo em conta as respectivas soluções e constrangimentos.
O desequilíbrio entre a produtividade dos bens transaccionáveis e não transaccionáveis e os salários foi uma questão levantada por Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Fórum para a Competitividade.
A transferência progressiva do crédito à habitação e ao consumo para fazer face ao Orçamento de Estado e o apoio às PME são estratégias avançadas pela CGD, através do Administrador Jorge Tomé. Todavia “há falta de procura por parte das PME por causa do preço do crédito” praticado.
Francisco Banha, Administrador e Sócio Principal da Gesbanha, sublinhou a importância do recurso ao capital de risco e ao venture capital das empresas do PSI20 às organizações que necessitam de apoio a longo prazo.
O debate contou ainda com o parecer de João Moreira Rato, Executive Director at Morgan Stanley.
O Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, Carlos Moedas, concluiu a sessão de encerramento declarando que “temos um programa de Governo claro e exigente para que de uma vez por todas Portugal empreenda as reformas tão necessárias e adiadas.”
O encontro seguiu-se do lançamento do livro “Finanças Pessoais”, da autoria de Juan Palacios Raufast. A obra foi escrita com o objectivo de ajudar a gerir investimentos rentáveis através de uma série de ideias simples e eficazes de aplicação das poupanças pessoais. Finanças Pessoais é fruto de uma parceria entre a AESE, Aletheia Editores e Colt.
Tags: Carlos Moedas, Fórum para a Competitividade, Orçamento de Estado






