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Impacto das políticas de família na Suécia

Sessão de continuidade com Jonas Himmelstrand

Muitas das organizações sociais, no terceiro sector, tratam de dar resposta a disfunções da Família ; veja-se por exemplo “Ajuda de Mãe”, “Ajuda de Berço”, “Banco do Bebé”, em cujo nome já se percebe a própria missão, instituições para apoio a mães adolescentes, lares residenciais para crianças e jovens, etc, etc.

Compreende-se pois que tudo quanto possa evitar, na raiz, essas disfunções, será de extremo interesse para o bem estar e a felicidade das crianças e das famílias.

 

Jonas Himmelstrand veio à AESE para contar algo do muito que tem vindo a estudar nos últimos 25 anos. Consultor independente de gestão e em coaching pessoal, casado e pai de três filhos, analisou os dados factuais resultantes das políticas de Família na Suécia, nos últimos 35 anos.

 

A Suécia tem sido considerada um país de referência pelas medidas adoptadas, sendo de notar por exemplo algumas das suas estatísticas: a melhor licença de maternidade (18 meses); mortalidade infantil das mais baixas do mundo; pobreza infantil reduzida, etc. Os pais gastam muito pouco com os infantários, subsidiados a 90% pelo Estado (subsídios de €15,000,00/ano/filho). É fortemente desaconselhado ficar em casa para cuidar dos filhos, e fomenta-se que pai e mãe trabalhem a tempo inteiro fora de casa.

Paradoxalmente, os resultados obtidos não correspondem aos objectivos pretendidos: acentuada diminuição da saúde psíquica dos jovens, maus resultados académicos, violência, criação de gangs, promiscuidade; entre as mulheres, elevada incidência de baixas médicas; deterioração das competências parentais; marcada segregação no mercado de trabalho em função do género. As mulheres reformam-se em média muito mais cedo do que os homens, devido a problemas psíquicos.

 

Um estudo publicado recentemente mostra que 7 de cada 10 mulheres suecas, sobretudo as mães mais jovens, querem estar mais tempo em casa com os filhos; e mais de metade das mulheres gostaria de dedicar-se profissionalmente a ser dona de casa, se pudesse. Himmelstrand questiona-se sobre a utilidade de negar à mulher a possibilidade de estar em casa enquanto os filhos são pequenos, para reintegrar-se de novo no mercado de trabalho quando eles crescem; e se os 10 anos a menos de vida profissional activa por parte das mulheres devido às reformas antecipadas, não poderiam ser altamente compensados pela possibilidade de estar em casa os mesmo 10 anos, durante a infância dos filhos.

 

A seguir à exposição seguiu-se um vivo debate de perguntas e respostas, durante cerca de meia hora.

 

Beatriz Abreu

Directora do Programa GOS