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Internacionalização: uma questão de risco e perceção
11/05/2012, Lisboa
Encontro Anual dos Alumni do Executive MBA AESE/IESE
Internacionalização é uma realidade impossível de ignorar para a generalidade das empresas. Por essa razão, a AESE promoveu no encontro anual do Executive MBA AESE/IESE, organizado a 11 de maio de 2012, um debate sobre o tema, no qual participaram o Prof. Adrián Caldart, Sérgio Espadas, Diretor do AICEP, e Rui Semedo, Presidente do Banco Popular. O evento contou com a participação de um painel de Alumni do Executive MBA AESE/IESE que contaram as suas experiências de internacionalização em vários contextos geográficos e em diferentes setores de atividade.
Histórias contadas na primeira pessoa
Os fatores de sucesso identificados por Mário Martins (4º Executive MBA AESE/IESE), enquanto General Manager da CEGEDIM no Brasil, consistiram na boa organização do projeto, na proximidade das pessoas e da sinergia entre os membros da equipa. “É um desafio muito desgastaste” e simultaneamente “muito enriquecedor”, que não pode ser alheio à diferença dos países, do fuso horário e da língua na criação de uma operação de raiz.
Quando lhe perguntam se faz sentido aplicar os mesmos modelos de negócio no Brasil, Mário Martins responde que apesar da língua ser a mesma, no Brasil a gestão e a liderança funcionam de maneira distinta. “É fundamental aprender a forma de fazer as coisas e ajustar ao mercado de chegada.” No regresso a casa “trazemos sempre algo de novo connosco.”
A internacionalização aumenta a perspetiva do prazo nos negócios
Dedicada à produção e comercialização de medicamentos na área de doenças raras que afetam um número reduzido de pacientes, com um custo elevado, a Genzyme desafiou Filipe Assoreira (5º Executive MBA AESE/IESE ) a partir de Portugal para a Holanda como gestor de produto a nível europeu.
Pegando na apresentação do Prof. Caldart, o atual Diretor Geral da Genzyme Portugal relatou como era diferente a relação com as subsidiárias estratégicas, revisitando os conceitos de filiais militantes, as parceiras, as vassalas e as colaboradoras, introduzidas pelo Prof. Caldart, durante a discussão prévia de um caso.
“Foi uma experiência muito diversificadas que permitiu ver a internacionalização de vários prismas. Quando se regressa, consegue-se pensar a mais longo prazo, ter uma visão mais global da companhia e um maior envolvimento no desenvolvimento do negócio.” Terminou referindo que a sua empresa, que passou a integrar recentemente o grupo Sanofi, ”passou a ser uma das subsidiárias com mais sucesso”.
Expatriados experientes é meio caminho andado para o sucesso
Da internacionalização da Martifer na Polónia, na Arábia Saudita e atualmente em África (Senegal), Bruno de Jesus (6º Executive MBA AESE/IESE) da Martifer Solar, retira que é importante: “contar com alguém que conheça bem o mercado de chegada; ter uma equipa constituída por elementos experientes, que conheçam bem a empresa e o negócio, habituados a processos de internacionalização; não copiar modelos; saber como funcionam os negócios e a cultura" (perceções).
Os processos são geralmente demorados, implicando conhecer as diferentes sensibilidades. Bruno de Jesus relatou vários episódios pessoais tão engraçados como paradigmáticos das relações de negócio que se pode esperar que venham a conhecer.
Da expatriação à impatriação
Carlos Almeida (8º Executive MBA AESE/IESE), Supervisor/Supplier Delivery Perfomance da EMBRAER/OGMA, participou neste evento contribuindo para a discussão aportando o ponto de vista de um impatriado e da estabilidade que confere à organização.
Portugal: um projeto piloto da Bene Farmacêutica
A empresa familiar farmacêutica alemã Bene, conhecida pela comercialização do Benuron encontra-se presente em 20 países.
A escolha de Portugal para a criação de uma filial nasceu “da combinação entre a oportunidade e a necessidade” que o Diretor Geral Frank Tischler espera “que se torne uma boa estratégia”. Portugal apresenta um volume de mercado importante e o processo de internacionalização permitiu à Bene Farmacêutica uma melhor implementação de marcas próprias, estabelecendo-se autonomamente. Os critérios de implementação basearam-se na confiança gerada, no conhecimento do mercado e da cultura portuguesa (filial) e alemã (casa mãe), e no conhecimento das línguas. Este projeto piloto permitiu à sede a criação de estruturas de reporting e mudança de comportamentos.
Liderança pelo exemplo
Volátil, incerto, complexo e ambíguo são características que João Almeida Vice Presidente da CAP Gemini reconhece no mercado.
Ao internacionalizar-se uma empresa, no entender do 10º Executive MBA AESE/IESE Executive MBA AESE/IESE, deve conceder empowerment aos responsáveis pela operação que se encontram no terreno. Só assim é possível combater a eventual falta de colaboração de alguns países. “Qualquer que seja a decisão tomada é necessário planear muito bem e ter rapidez de execução.” João Almeida referiu ainda a necessidade de adaptar para as diferenças, preparar rejeições, construir confiança e concretizar. “A liderança faz-se pelo exemplo”: “o sucesso da missão mede-se no último dia, pelos emails que se recebe.”
Rumo a um país mais competitivo
Depois do período de perguntas e respostas que se se seguiu, Sérgio Espadas, da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, referiu as ações que têm vindo a ser desenvolvidas a fim de favorecer um ambiente de negócios competitivo que contribua para a globalização da economia portuguesa.
O conceito do que é ser internacional para Rui Semedo, do Banco Popular, tem a ver com abertura e a curiosidade que se (man)tem face ao mundo. O conferencista elencou várias empresas portuguesas internacionalizadas e lideradas por “pessoas que conhecem o mundo, que se interessam por ele e não nos deixam envergonhados em parte alguma.”
“É muito importante termos a noção de ser dos outros”, um “capital de análise” que permita conhecer “como é que as forças se movem”. “O capital psicológico” também é necessário, pois “nós, portugueses, movemo-nos muito pela emoção. A marca do país tem a ver com a respeitabilidade e a sua imagem, isto é a capacidade de afirmação externa, sendo muito característica a indústria portuguesa da saudade. Para Rui Semedo “o nosso problema é de perceção: vemo-nos como não somos. O estímulo para que as pessoas vão e arrisquem é fundamental para as empresas gerarem valor. É crucial. Falta-nos essa escala.”
O encontro terminou com um jantar convívio entre os Alumni de várias edições do Executive MBA AESE/IESE e os Professores.
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