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Temos de ser otimistas; ninguém o será por nós
26/01/2012, Lisboa
Para o Prof. Suárez, do IESE, as soluções devem ser encontradas por nós.
"Vivemos uma época interessante." A sessão de continuidade do Prof. José Luís Suárez, sobre "os mercados financeiros e a dívida na Eurozona, começou por demonstrar que o cenário de dívida previsto numa sessão realizada na AESE, em 2011, confirmou-se mais rapidamente do que o expectável. De acordo com os dados apresentados pelo Professor do IESE, o custo da dívida grega é superior ao estimado em 35% e a portuguesa em 15%.
O Banco Central Europeu anunciou que daria aprovação para a aquisição da dívida pública por parte da banca, por um valor ilimitado; todavia, Portugal está a ser contagiado pela negociação do default da Grécia.
“À medida que os países se endividam, mais perdem a flexibilidade financeira.” Os ratings dos países da América Latina são muito semelhantes aos europeus. Todavia, nos EUA, Canadá, Singapura, Coreia, entre outros, o quadro é positivamente distinto para estas nações.
"A boa notícia é a recuperação da Irlanda, o exemplo de uma economia intervencionada." Este facto confere uma mensagem de otimismo para os países que recorrem ao apoio da Troika.
Pelos dados disponíveis do caso irlandês, é possível observar a perda de competitividade durante o processo de retoma, que acaba por se inverter gradualmente. As previsões para 2012 apontam para a necessidade de crescimento do PIB, baixando o custo da dívida pública. A confiança da indústria e dos consumidores é um fator crítico que se encontra deficitário. Um dos casos apontados pelo Prof. Suárez é o da difícil concessão de crédito às construtoras, sector altamente sensível ao contexto bancário.
Segundo o ponto de vista do Professor, a situação portuguesa é muito diferente da da Grécia. Apesar das negociações estarem a sofrer as consequências do estado grego, há aspetos que deverão ser considerados.
Antes do debate começar, o Professor fez saber as suas expetativas para o futuro da economia portuguesa: "acredito que o mais importante é o comportamento dos anos iniciais em termos de aumento do crescimento económico e da redução da dívida. Prevê-se que haja uma queda de 3% do PIB nacional, em 2012, e um crescimento de 0,7, em 2013.
É no sector externo que reside a principal fonte de investimento. A austeridade fiscal é necessária, sempre como um critério de atuação. Agora deve-se desenvolver a confiança nos mercados de capitais. O Professor acrescentou: “a austeridade em demasia é penalizadora. O setor privado está parado e deve desindividar-se. o sector público não pode abster-se. Há que exigir ganhos rápidos.
A chave está em crescer. O crescimento virá do sector externo. Importa portanto ganhar competitividade. Há que liberalizar a economia.
A alternativa, que consiste no default unilateral e na saída da zona Euro, é pior. Temos de ser optimistas, ninguém o será por nós. O papel da empresa é fulcral como geradora de empregos e de novas oportunidades.”
“O que será da Europa?”, questiona o Prof. Suárez: “a solução passa por conferir mais liquidez ao Banco Central Europeu com a compra de dívidas soberanas. A queda dos juros e a ajuda política de "vender" a austeridade fiscal noutros países são outra das medidas que poderão vir a acontecer.”
A título de conclusão, o Professor referiu que “provavelmente temos motivos para nos mostrarmos indignados, mas temos de ser nós mesmo a encontrar as soluções.”
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