AESE insight #57 > Thinking ahead

Outlook 2022

A visão da Área Académica de Política de Empresa

Artigo de Adrián Caldart, Presidente do Conselho Académico e Responsável Académico de Política de Empresa da AESE Business School e Professor do IESE Business School

1. Quais são as principais tendências a considerar no âmbito da Direção Geral para o ano 2022?

Entre as principais tendências que será importante seguir durante 2022, destaco as seguintes:

Crescente procura social para as empresas que se destaquem a dar provas de serem guiadas por propósitos socialmente desejáveis. Não há espaço para que as “Purpose” and “Mission” statements sejam simplesmente uma peça simpática de relações-públicas ou de comunicação interna voluntarista, mas devem ser os fundamentos a partir dos quais se articula a agenda estratégica da empresa. Além disso, o propósito deve ser automaticamente guiado por valores que transcendem o simples sucesso económico, como a sustentabilidade, a harmonia trabalho/vida pessoal e a atenção à diversidade e são expectativas de crescente valor na sociedade, principalmente na geração sub-40.

A chegada da inflação e a sua implicação económica e política. Durante anos a Europa passou por um período extraordinário, caraterizado pelo financiamento a custos extraordinariamente baixos e, até negativos, sem experimentar o lógico aumento nos níveis de preços associados a este tipo de políticas de subvenção do custo do dinheiro. O ano 2021 trouxe como lamentável novidade o fim desta situação com a chegada abrupta de inflações anuais entre 5 e 7% em quase todos os países europeus. O incremento no custo das matérias-primas e notavelmente da energia são mencionadas entre as principais causas do fenómeno, e debate-se se estamos face a uma anomalia conjuntural ou frente a um fenómeno mais estrutural (sendo esta segunda visão a que ganha um crescente peso). Um cenário com inflação persistente que altere as expectativas dos agentes económicos, realimentando o fenómeno, pode alterar significativamente o contexto dos negócios em geral, através de fatores como a perda de poder de compra das famílias (com a potencial conflitividade social daí resultante), o incremento das taxas de juros com impacto em estados e agentes económicos altamente endividados, a maior volatilidade nas paridades entre as principais moedas com o consequente impacto na competitividade comercial dos diferentes blocos regionais.

A liderança nas empresas deverá assumir uma mão de obra mais dispersa. Embora existam entre as empresas e entre as pessoas distintas visões sobre a conveniência e preferência de contar com a força de trabalho “no gabinete” ou deslocada em casa, a verdade é que a dispersão da mão de obra será muito maior que antes da COVID-19. Do ponto de vista da direção geral, o desafio será encontrar modos de manter a produtividade e desenvolver a cultura da empresa nestes novos ambientes. Também a procura e a retenção de talento chave dependerá da gestão adequada desta tendência. A era dos empregados orgulhosos de trabalharem no grande edifício, no centro da cidade, ficará gradualmente no passado.  

2. Que temas de impacto transversal deveriam ter um espaço importante na agenda da alta direção em 2022?


Além das ações destinadas a responder às tendências comentadas acima, considero que os seguintes temas deverão ocupar um espaço importante na agenda da alta direção:

  • Procura ativa de oportunidades estratégicas, como aquisição ou desenvolvimento de novas linhas de negócio através de novos canais ou com propostas de valor que respondam aos novos valores sociais. A pandemia teve um impacto disruptor em muitos setores industriais, alterando os equilíbrios habituais e, consequentemente, abrindo oportunidades de fazer movimentos significativos (para os quais os fundos NextGen podem ser um importante catalisador).
  • Avaliar em profundidade dos riscos financeiros da empresa ligados a potenciais mudanças abruptas nas condições económicas durante os próximos dois anos. Gerir com grande cuidado e profissionalismo a comunicação externa, especialmente em empresas com uma exposição pública significativa, num entorno de consumidores, lobbies e cidadãos em geral muito sensíveis.
  • Dar importância crescente à gestão da diversidade dentro da empresa.
  • Compreender profundamente como tirar partido das vantagens operacionais e de gestão abertas pelas novas tecnologias de informação, adotando inovações com critério prático e fugindo do frequente efeito “me too” na hora de comprometer recursos neste tema.

3. E que temas dentro do âmbito específico da Estratégia Empresarial vão requerer uma maior atenção das empresas?

  • Compreender profundamente os aspetos críticos do modelo de negócio da empresa é sempre uma tarefa fundamental. No entanto, esta compreensão será especialmente importante em tempos de grandes alterações estruturais em muitos sectores, para poder avaliar lucidamente potenciais inovações no modelo de negócio da empresa. Isto implica calibrar com precisão o impacto organizacional destas inovações e, deste modo, decidir com uma adequada consciência dos desafios associados à mudança.
  • Do ponto de vista do governo corporativo, as tendências plenamente instaladas associadas ao ESG, à transformação digital e a atenção à diversidade exigem contar, ao mais alto nível do governo da empresa, com profissionais que dominem estes temas, tradicionalmente pouco representados em Conselhos de Administração e Comissões Executivas da maioria das empresas.

4.  3 atitudes / dicas / conselhos a ter em mente, enquanto líder, no próximo ano?


Criar confiança entre os stakeholders da empresa, com planos e ação claros, credíveis e sensíveis a uma sociedade que acumula dois anos de grande anormalidade na vida diária.

Seguir a evolução da macroeconomia com muita atenção.

Estar atento às oportunidades que os desequilíbrios associados à pandemia, à tecnologia e os novos valores sociais abrem em muitas indústrias.

A visão das Áreas Académicas para 2022

Comportamento Humano na Organização

Artigo de José Fonseca Pires, Eduardo Pereira, Cátia Sá Guerreiro e Paulo Miguel Martins

Economia e Finanças

Artigo de Diogo Ribeiro Santos, Professor de Finanças

Política Comercial e Marketing

Artigo de Ramiro Martins, Professor e Responsável de Política Comercial e Marketing

Operações, Tecnologia e Inovação

Artigo de Jorge Ribeirinho Machado, Agostinho Abrunhosa, Joana Ogando e Nuno Biga

Outros artigos desta edição

A Chave para os Desafios do Novo Ano de 2022*

Manuel Rodrigues, Docente de Finanças King’s College London e Conferencista na AESE

Sector da Energia, que perspectivas para 2022

Francisco Vieira, Diretor do Programa Advanced Management in Energy | AMEG