Gestão de Pessoas: quando a mudança não tem alternativa

15/09/2021

A AESE organizou um evento destinado a Diretores de Recursos Humanos, sobre o modo como diferentes setores lideraram as suas pessoas ao longo do contexto pandémico. “Novos tempos: as mudanças e esperanças de uma transformação” foi o tema escolhido para refletir sobre os desafios sentidos, os planos de ação implementados e as tendências a cultivar na gestão das pessoas e dos negócios para o futuro.

O encontro realizou-se na AESE, a 15 de setembro de 2021, reunindo responsáveis de gestão do talento de várias empresas, a operar em diferentes setores de atividade.


Desafios capitais num tempo extraordinário
Verónica Soares Franco, CHRO no Pestana Hotel Group, destacou a queda drástica da receita, tendo sido necessário implementar medidas em 14 países, procurando transmitir confiança aos clientes, aos fornecedores e às comunidades locais.


Cláudio Valente, Head of Human Resources na IKEA Portugal, fundamentou a estratégia de se focarem na cultura e nos valores da empresa. “Quando não tínhamos todas as respostas e precisámos de tomar decisões mais rapidamente do que antes, foi essencial não perder o norte de saber quem somos.” Durante o período de trabalho remoto integral, Cláudio Valente encontrou “colaboradores aptos e disponíveis para aprender sempre algo novo.”
A IKEA manifestou “preocupação com a igualdade e inclusão, cultivando o engagement a longo prazo, destacando a necessidade de estar com as pessoas quando precisam e individualmente.”


O Diretor de RH no Banco de Portugal, Pedro Raposo, referiu que já tinha sido iniciado um processo de trabalho remoto em regime de part time, porém com a Covid-19, “mais de 90 % dos colaboradores, começaram a trabalhar fora do escritório, em 48 horas.”



Lições aprendidas numa mudança nunca vista
Verónica Soares Franco considera que o modelo híbrido de trabalho vai evoluir, porque no seu entender “o remoto total faz com que se perca a cultura da empresa”. Desta forma, a comunicação interna e as sessões de partilha resultam para estimular o espírito de equipa. As sessões live com o CEO foram importantes na relação com os colaboradores, revelando como a estratégia estava a ser seguida.


NA IKEA foi destacada a versatilidade dos colaboradores no desempenho de tarefas que não costumavam fazer, bem como o espírito de iniciativa, essencial para a “criação de comunidade e de união”.


“Uma coisa é fazer mudança num contexto de crise. Outra é não haver alternativa.” Para Pedro Raposo, esta é uma lição importante para a gestão de pessoas numa situação de mudança. Outro ensinamento que retira da experiência dos últimos meses é que “as reuniões online tornaram-se mais curtas, diretas e úteis”, promovendo maior pontualidade e produtividade.



O futuro da Formação
No desenvolvimento de competências no Grupo Pestana a formação interna ganhou maior peso, havendo recetividade das pessoas e vantagens na medida em que os colaboradores “conhecem o negócio e têm gosto na partilha das experiências”.
Houve também uma grande tendência e procura por temas de saúde, bem estar e mindfullness. “Os temas de liderança e de gestão do negócio têm de continuar a ser fomentados, mas temos de ser muito mais ágeis a dotar as pessoas de competências em relação a aprender a lidar com o stress e as emoções”.


Na IKEA, “a aprendizagem contínua implica o acesso a outros formatos. As pessoas estão mais disponíveis para isso e esta é uma tendência que veio para ficar. As Business Schools podem ajudar as empresas a planear o futuro das pessoas, num horizonte de longo prazo”. Cláudio Valente considera que o futuro passa por desenvolvermos “várias competências e podermos contribuir em várias fases do processo”, ultrapassando o descritivo de funções. “Teremos de investir em empowerment e confiança.”


No caso do Banco de Portugal foi destacado o papel da formação híbrida e no caso da formação presencial, a importância do networking. Abrir a possibilidade das pessoas apostarem no seu desenvolvimento e formação e dar essa escolha às pessoas tem um impacto importante, dando a conhecer à organização o desejo de evolução na carreira dos colaboradores e também abrir novas oportunidades de progressão.



No final do pequeno almoço, os participantes puderam colocar as suas dúvidas e partilhar os seus comentários com os oradores, num ambiente de partilha de boas práticas.