O crescimento económico requer produtividade, atratividade e rapidez

16/12/2020

No dia 16 de dezembro de 2020, o World Economic Forum fez conhecer uma análise da competitividade genérica a nível internacional, já que o habitual Global Competitiveness Report não foi realizado este ano pelas medidas particulares implementadas por cada País, como consequência do contexto pandémico. A FAE, a Proforum, a PwC e a AESE realizaram, ainda assim, um encontro para fomentar o relançamento económico de Portugal.


“Produtividade” é a palavra chave
José Ramalho Fontes, AESE Business School, deu as boas vindas aos participantes no evento e desafiou a que o debate “não fique na superficialidade do ranking e a estudar a análise da realidade mundial da economia, com base naquilo que o WEF destilou como importante para fazer face à realidade.”


Na Europa, Portugal tem estado a ser ultrapassado, genericamente por todos os parceiros, “por estarmos adormecidos e anestesiados”. A AESE e os seus parceiros estamos comprometidos em atuar de modo a melhorar a competitividade e o crescimento da economia do País.


“Nós temos de crescer em produtividade. É uma palavra simples, mas aparentemente pouco sugestiva. Todavia, temos o dever de crescer em produtividade. Esta é a chave que todos temos de implementar na sua vida, na sua gestão, no seu ecossistema.”


“Este é um ano bom para recomeçarmos!”


Análise do WEF
Ilídio Serôdio, Proforum / PCG Profabril, explicou o porquê do WEF ter chegado à conclusão de que não conseguiria apresentar um ranking credível. Por essa razão, este ano os rankings foram suspensos devido às medidas extraordinárias de resposta à Covid, adoptadas por cada País.


No ano passado, Portugal encontrava-se na 34.ª posição. Este ano, com os dados recolhidos, foi possível observar que Portugal melhorou em matéria de: pegada ambiental, rendimento GINI, crescimento de GDP em 10 anos, investimento direto estrangeiro e desemprego.


>> GCR 2020_Apresentação de Ilídio Serôdio, da Proforum



É preciso acarinhar as empresas
Portugal fica regularmente bem classificado em áreas como as infraestruturas e comunicação. Todavia, Paulo Carmona, Presidente do FAE, diz faltar a melhoria da “atratividade para o investimento estrangeiro. Temos capital escasso e as empresas estão descapitalizadas. Sem produtividade, não há mais salários e sem isso, a qualidade de vida não melhora.” “É isso que importa resolver, para a criação de riqueza em Portugal. É preciso acarinhar as empresas.”


“É preciso agir e com rapidez”
“2020 tem sido um ano atípico.” António Brochado Correia, Territory Senior Partner da PwC, apontou 4 pilares de avaliação da situação nacional e internacional. Reativar e transformar o ambiente económico, reavivar e transformar o capital humano, os mercados e os ecossistemas de inovação são prioridades nas quais é fundamental investir.


O WEF considera que Portugal tem mais a fazer em matéria de saúde. No que respeita à transição energética, Portugal tem vindo a fazer um bom trabalho.

O País tem vindo a manter-se na mesma situação. O que leva António Correia a concluir que “não basta ter grande ideias. É preciso agir e com rapidez.” Sem investimento e com rendimento baixo, o crescimento económico fica hipotecado.


“O potencial de crescimento é grande”, no que respeita à saúde, competência, inovação e digital, entre outros indicadores que se traduzem em resultados efetivos na competitividade nacional.
A área dos mercados é “a área de soft power”, capaz de gerar “credibilidade” e “captação de talento lá fora”, da capitalização da marca Portugal e gerar qualidade de vida para os seus habitantes.


>> GCR 2020_Apresentação de António Correia, da PwC



A saúde da “Competitividade Portuguesa”
Francisco Vieira, Professor da AESE Business School e membro do Conselho Consultivo da Unidade de Reservas Petrolíferas da Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE), moderou o debate entre decisores de vários setores de atividade.


Guy Villax, da Hovione, mostrou-se surpreendido pelo facto de Portugal ser considerado sustentável. Referiu que no estrangeiro é reconhecido valor a Portugal e é de felicitar o facto da qualidade de formação dos jovens ser muito bem cotada.
Herdeira do pós 25 de abril, a empresa é ainda hoje “endemoniada”; uma perceção que valia a pena trabalhar de maneira a melhorar a competitividade do País.


Pedro Afonso, da Vinci-Energies, focou-se nos pontos de melhoria a empreender por parte das empresas, já que o Estado tarda a reagir. Da sua experiência, importa atentar na qualidade do capital de investimento e no trabalho de ir à procura de talento e motivar as pessoas que ajudam a produzir, a vender e a exportar.
O orador referiu também que valia a pena pensar numa máquina supraburocrática que favorecesse os negócios, as empresas e os investidores.


Luís Vieira, da Quinta do Gradil, reforçou a necessidade de reforçar a marca Portugal, que facilita a notoriedade dos produtos produzidos.O setor agrícola enfrenta desafios muito interessantes.


Francisco Fonseca, da Bitsight, alertou para a questão da cibersegurança e o impacto dos ataques na vida das pessoas e das empresas, cujo efeito se repercute na economia e na competitividade do País. Este momento de crise, “criou-nos um espírito maior de solidariedade e a consciência para se fazer mudanças de oportunidade”.


A estratégia do governo para a retoma económica
João Correia Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia, encerrou este evento. A 2 semanas do início da Presidência portuguesa da UE, “o desafio é grande”. A resposta que Portugal tem de ser necessariamente estruturante, a nível de uma Europa que se quer mais resiliente e autónoma, num contexto de crise sem precedentes.

Haverá uma atenção muito especial na preservação do valor acumulado nas atividades económicas, no que respeita à sustentabilidade de empresas e do emprego. Existem muitas áreas de atividade com impactos devastadores no volume da procura interna, que resulta de fatores conjunturais. Olhar a liquidez e o financiamento como um elemento muito crítico é uma prioridade.”Portugal foi um dos primeiros países a entregar o Plano de Recuperação e Resiliência em Bruxelas , estando agora em fase de negociação com os serviços técnicos da Comissão para garantir que os recursos chegarão à economia real o mais rapidamente possível. Sendo que este Plano está associado a uma estratégia e a uma lógica integrada na gestão nacional dos recursos que resultam da inserção europeia. Este Plano, alinhado com a visão estratégica 2020-2030, assenta em 3 pilares:

  • Resiliência: resposta às vulnerabilidades sociais (saúde, habitação, etc.), aumentar o potencial produtivo e emprego e fomentar a competitividade e a coesão territorial;
    • Transição climática: promover a imobilidade sustentável, a descarbonização da economia e a eficiência energética e as renováveis;
    • Transição digital: construir uma escola digital, promover as empresas 4.0 e contribuir para a administração pública cada vez mais digital.