Outsystems e Wink: 2 casos de sucesso na gestão do Talento

14/09/2022

A gestão de pessoas é uma aventura que acarreta muitos desafios, com nuances variáveis. Filipa Oliveira, Fundadora da Wink, e Rui Pereira, VP da Outsystems, aceitaram o convite da AESE para, num pequeno-almoço executivo, partilharem as suas experiências e debaterem ideias sobre Talento. O encontro realizou-se a 14 de setembro de 2022 e foi subordinado ao tema: “Gestão de pessoas: de startup a unicórnio”.

Moderada por Khalid Jamal, Executive Manager da AESE, a conversa com os oradores visou vários pontos, nomeadamente, o diálogo intergeracional dentro das organizações.

Atitude e experiência
Para Rui Pereira “há diferenças, apesar de nós não olharmos à idade”. Na Outsystems, “o que nos preocupa é a energia, que impacta o dia-a-dia.” A experiência, apesar de ser importante, “está um bocadinho sobrevalorizada”, uma vez que “as coisas mudam tanto. Tudo é diferente”, relativamente há 15 anos atrás.

A idade média dos colaboradores do escritório na Wink é mais elevada do que nos pontos de venda. Filipa Oliveira explicou porquê: “temos pessoas mais novas e disponíveis para trabalhar em shopping”, o que implica maior flexibilidade de horários. Em contrapartida, “há muito menos compromisso”, por parte dos colaboradores, sendo que “o investimento em formação, por vezes, não chega a ter o respetivo retorno”.

Durante a pandemia, a gestão de pessoas e do negócio na Outsystems e na Wink teve de adaptar-se. Rui Pereira deu conta de que coexistem modelos de trabalho presencial e remoto, numa lógica friendly para os colaboradores e para a empresa. No caso da Wink, a presença é essencial para o negócio. O online demonstrou ser fundamental na época pandémica para formação e para a motivação das pessoas, mas não se compadece com a natureza do serviço oferecido.


A dimensão da empresa e a relação com as pessoas
“Uma empresa tem de dar lucro.” Esta ideia é clara para a fundadora da Wink, que acalenta o desejo de deixar legado. “A empresa é pequena, mantendo uma natureza “familiar”. Conhecemos as pessoas e a sua realidade, logo as nossas decisões têm isso em linha de conta.”

O Vice Presidente da Outsystems lida com outra realidade. “Temos 1800 pessoas. A Outsystems é uma Happy Family.” Porém, Rui Pereira admitiu ter saudades do espírito “de uma empresa pequenina”, já que é notório “quão rápido a empresa está a crescer”.

Em ambos os casos, a visão do negócio tem evoluído. “Há ideias de base que se mantêm.” Filipa Oliveira atesta que a pandemia mostrou que é possível ser flexível e adaptarmo-nos a esta nova fase, tornando-nos capazes de em 2 meses reinventarmos o modelo de negócio.” Na verdade, “crescemos a 2 dígitos durante a crise”. E assim, conclui: “temos conseguido fazer esta mudança de forma positiva.”

O crescimento e a agilidade mostraram ser fatores incontornáveis para o sucesso da start up e do unicórnio. No evento falou-se ainda de questões na ordem do dia como a rotatividade e a quiet resignation.


Aquisição e refrescamento de conhecimentos
Filipa Oliveira sublinhou a valorização da troca de experiências para uma melhor tomada de decisão.
Por vezes, denota ser necessário fazer-se um trabalho na percepção sobre a aquisição de competências por parte dos colaboradores. Todavia, afirma: “quero que as pessoas que saem da Wink tenham aprendido e que saibam mais do que quando entraram para a empresa. A formação é fundamental, para as pessoas “crescerem profissional e pessoalmente.”

A formação na Outsystems é em escala. Rui Pereira observou os mecanismos digitais de formação obrigatória e facultativa existentes, e da possibilidade de recorrer ao formato on demanding.

O encontro do ciclo People & Management da AESE terminou com a possibilidade dos participantes, responsáveis de Recursos Humanos presentes em sala, colocarem algumas questões aos oradores e aprofundarem os temas mais prementes na gestão de Talento.



Legenda da fotografia
Da esquerda para a direita: Rui Pereira (Outsystems), Filipa Oliveira (Wink) e Khalid Jamal (AESE)