“Construir uma boa reputação demora anos. Para a destruir bastam alguns minutos. Pensar nisto leva-nos a fazer as coisas de modo diferente” Warren Buffett
30 de Abril de 2011. Data da assembleia geral da Berkshire Hathaway (BH) em Omaha, Nebraska, sede da empresa e local de nascimento do seu empresário e principal accionista, Warren Buffett, que desde 1968 desempenhava os cargos de Chairman e CEO.
Com 80 anos de idade, menos 7 que o seu braço direito e vice-presidente, Charlie Munger, e senhor de uma juventude invejável, Warren Buffett dirigia uma corporação responsável pelos negócios de 78 empresas subsidiárias com uma estrutura de apenas 21 pessoas.
Os ramos de negócio a que se dedicavam as empresas do grupo abarcavam uma grande variedade de actividades com destaque para o grupo de companhias de seguros, produção e distribuição de energia, uma grande empresa de caminhos-de-ferro nos USA, produtos financeiros e uma série de empresas na área de produção, distribuição grossista e retalho.
A carta aos accionistas incluida no relatório anual de contas da sociedade, era um marco importante dos principais pontos da sua gestão e das políticas de governação da empresa. A última, 28 de Fevereiro de 2010, terminava com o seguinte convite para a assembleia geral: “Come to our Woodstock for Capitalism”.
É assim que vinha sendo conhecido o evento organizado num fim-de-semana em Omaha e que concentrava numa área de 18 000 m2 (quase dois campos de futebol), 39 expositores das empresas pertencentes ao Grupo da BH e que vendiam desde chocolates a livros, móveis e jóias, seguros e aviões, etc.. A onda de consumismo e “lealdade” apresentava números verdadeiramente impressionantes sobre os cerca de 40 000 accionistas que se reuniam em Omaha para a assembleia. Em 2011, num único dia facturaram-se 1053 pares de botas, 5631 Kg de Chocolates, 8000 gelados e 880 canivetes.
O ponto alto da assembleia era sem dúvida a entrevista conduzida por quatro jornalistas seleccionados previamente e que tinham recebido as sugestões dos accionistas para as perguntas a formular. E por um período de cerca de cinco horas Warren Buffett e Charlie Munger davam contas da sua gestão do passado ano e teciam considerações sobre o futuro das empresas e dos mercados em que actuavam.
Os resultados e a rentabilidade da empresa continuavam a apresentar uma consistência muito boa e superiores ao índice S&P 500.
Na assembleia geral de 2012 toda a atenção estava concentrada no grave problema de utilização e aproveitamento de “Inside Information” por parte de um dos directores de uma importante subsidiária, Dave Sokol, facto que só foi descoberto após a emissão da carta aos accionistas. As conferências de imprensa preliminares sobre o assunto foram pouco claras.
Questionavam-se então os accionistas se o modelo corporativo adoptado pela BH e arquitectado por Warren Buffett estaria uma vez mais em causa. E será que estes problemas não iriam acelerar o processo de sucessão de Warren Buffett na BH ?