Nuno Vasco Lopes olhava pela janela do seu escritório situado na Rua Projetada à Matinha, em Lisboa, e pensava no grande desafio que tinha pela frente.
Estávamos no final de Julho de 2011 e o então Director de Marketing e Vendas da Alliance Healthcare, tinha acabado de saber que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Economia e o Ministério das Finanças, se preparavam para publicar um novo diploma regulamentar de alteração da Lei sobre as regras de construção do preço dos Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM), ditando assim a nova margem atribuída a cada stakeholder do sector, a Indústria Farmacêutica, os Distribuidores Grossistas e as Farmácias.
Esta era uma das medidas com resultados mais rápidos, após implementação, que os governos em inicio de funções tinham à disposição com vista à redução da despesa com medicamentos – a alteração da metodologia de preços ou de margens dos medicamentos. Por vezes, alterações de poucos cêntimos significavam muitos milhões de poupança para os cofres do Estado.
A Alliance Healthcare S.A., líder de mercado em Portugal, era vista como uma empresa de referência no sector farmacêutico, conhecida por ser a mais avançada quer do ponto de vista tecnológico, quer do ponto de vista das soluções de negócio.
Nos últimos dois anos, fruto de uma crise global sem precedentes, a margem bruta da empresa tinha-se vindo a degradar e era necessário implementar medidas de restruturação, quer a nível estratégico, operacional e a nível comercial.
No entanto, esta noticia era preocupante e deixava Nuno Vasco Lopes muito apreensivo. Não apenas devido à sua complexidade, mas também porque, além do plano de restruturação em curso, já lhe tinha sido pedido para apresentar uma proposta de abordagem a esta questão legal na próxima reunião de Board, agendada para o final de Setembro.