Desafios de crescimento num mercado em crise
Em Março de 2018, no seu gabinete, mesmo por cima da linha de montagem de brinquedos científicos, Miguel Pina Martins abria o Financial Times. As notícias do dia não eram propriamente animadoras. A Toys’r Us, um dos gigantes do mercado retalhista de brinquedos, declarou que ia fechar as suas lojas.
Miguel, que tinha trocado uma promissora carreira no sector da banca pela aventura transformar o seu projeto de curso numa empresa, não foi apanhado desprevenido. Há muito que o CEO da Science4You, a primeira marca de brinquedos científicos made in Portugal e caso de sucesso internacional, trabalhava em cenários que mantivessem o ritmo de crescimento das vendas. Como é que a Science4You ultrapassaria a crise dos grandes retalhistas de brinquedos e especialmente a queda de um dos seus maiores clientes?
Criando os seus próprios espaços de venda físicos e diversificando a sua rede? Ou investindo na transição para o modelo de e-commerce? Mas com que parceiros? E em que plataformas? O online é para muitas empresas o futuro prometido. Mas não há uma estratégia de pronto-a-vestir na transição para o digital – é mais fato à medida. Cada caso é um caso e, aí, outras questões se levantam: qual é o mix adequado de posição online e offline? Como coabitam? E como se gerem as expectativas dos parceiros, até agora a grande força de venda da Science4You? E pode uma empresa de brinquedos com pouco mais de uma década dar-se ao luxo de não ter as suas caixas na prateleira, onde as crianças fazem dos pais reféns da compra?
Estas perguntas tinham cruzado a cabeça de Miguel Pina Martins. Para além do seu próprio negócio, Miguel refletia ainda sobre os números da indústria dos brinquedos.
A Mattel, um dos maiores fabricantes do mundo, viu as suas ações caírem a pique2 depois de ter apresentado aos acionistas um cenário de vendas pessimista. A Lego, uma das flagship enterprises da Dinamarca, só a custo melhorou resultados e com uma estratégia de licenciamento de blockbusters da indústria cinematográfica – Star Wars e DC Comics.
Preocupava-o que o crescimento mundial das vendas de brinquedos fosse tímido. Seria a quebra de vendas no retalho o sintoma de uma doença mais profunda em toda a indústria de brinquedos? É uma evidência que as crianças de hoje passam cada vez mais tempo coladas aos ecrãs dos telemóveis, dos pads e dos videojogos. Teria mudado o paradigma de consumo? O vulcão científico foi o primeiro brinquedo e um dos maiores sucessos comerciais da Science4You. Tal como nessa altura, Miguel precisava de uma solução explosiva.