CASO DE ESTUDO

Projeto de integração. A Galp em Espanha.

Política de Empresa
Autor
Adrián Caldart
Autor
Pedro Leão
| 01 Out 2008 | 5 min of reading

01 Out 2008 | 5 min of reading

Autor
Adrián Caldart
Autor
Pedro Leão
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No início de 2010, Ferreira de Oliveira, CEO da Galp, reflectia sobre a integração bem sucedida da Galp Espanha com as operações da Agip e da Esso, adquiridas em Dezembro de 2007 e Abril de 2008, respectivamente. Esta operação tinha permitido à Galp transformar-se num actor relevante no mercado petrolífero espanhol, sobretudo nas áreas de retalho e extra-rede (grossista), atingindo quotas de mercado de 7% e 15%2, respectivamente, que posicionavam a empresa como o terceiro player do mercado espanhol (e ibérico).

Adicionalmente, a empresa havia superado com êxito o complexo desafio de gestão de um processo de integração de três empresas de forma simultânea, mediante um cuidadoso processo que permitiu a criação de uma nova organização, incorporando as melhores práticas de cada empresa. No decorrer de 2010, a nova organização começaria o seu primeiro ano de operação conjunta, existindo grandes expectativas depositadas na capacidade de a nova empresa concretizar o salto qualitativo esperado no posicionamento da Galp em Espanha, colocando-a a competir num patamar de igualdade face às empresas líderes do mercado espanhol.

O mercado espanhol de combustíveis

Na década de 80 do século passado, o mercado petrolífero espanhol encontrava-se fortemente concentrado em três grandes companhias que dominavam o mercado: Repsol YPF, Cepsa e a britânica BP. No início dos anos 90, o governo espanhol decidiu acompanhar as tendências internacionais de desregulamentação do mercado petrolífero, abrindo a porta à entrada de novos players nacionais e internacionais. Contudo, esta experiência de liberalização acabou por ser comprometida, em virtude de o grande poder de mercado das companhias incumbentes ter conseguido impedir que os novos players atingissem a massa crítica necessária para se tornarem competitivos, acabando a grande maioria por abandonar o mercado.

Apesar de existirem em 2007 mais operadores em Espanha do que os que existiam na década de 80, o mercado continuava fortemente dominado pelas grandes companhias, com a Repsol a manter a posição de líder incontestado, com uma quota de mercado de retalho de 42% e uma rede de 3500 estações de abastecimento. A Cepsa detinha a segunda maior quota de mercado (18%), com uma rede de 1500 estações de abastecimento. Em terceiro lugar encontrava-se a BP, com uma rede de 640 estações de abastecimento, mantendo uma quota de mercado de 9 %. O negócio de distribuição de combustíveis na Península Ibérica era caracterizado por margens baixas e por um crescimento esperado reduzido. No segmento de retalho, os concorrentes fixavam os preços em regime quase diário (duas a três vezes por semana), mas variando de acordo com as leis da oferta e procura das geografias locais.

Especialmente a partir do ano 2000, a Galp, apoiada na sua base de apoio logístico em Portugal e tirando partido do elevado nível de integração dos mercados petrolíferos ibéricos, foi o único operador que conseguiu manter-se em crescimento, levando a cabo uma política de aquisição continuada e de abertura de novas estações com a marca Galp e entrando gradualmente nos sectores da aviação e do GPL. A DISA, sendo um operador com boa posição competitiva nas Canárias, conseguiu adquirir os activos da Shell, ganhando assim um estatuto relevante no continente e posicionando-se como um player com uma quota de mercado de aproximadamente 4%.

O mercado espanhol apresentava-se em 2006 como um mercado predominantemente importador de produtos petrolíferos, principalmente de gasóleo e fuelóleo, de países como a Itália, EUA, países da ex-União Soviética e Reino Unido. A excepção era o caso da gasolina, em que a Espanha era um exportador líquido, com vendas para países da Europa não-OCDE, EUA, México e Canadá.

Durante 20 anos, praticamente até ao ano de 2005, o mercado espanhol apresentou um dos maiores índices de crescimento a nível europeu, mantendo-se a partir daí com crescimentos mais modestos, em virtude da crescente maturidade da economia espanhola. Em termos europeus, a Espanha possuía em 2006 um dos maiores mercados de refinação, com uma quota de mercado de 9% na região, detendo nove grandes refinarias e uma refinaria de especialidades.

Em 2007 a rede espanhola de pipelines de distribuição de produtos petrolíferos baseava-se numa rede de 3546 km operada pela CLH1, transportando os produtos desde as refinarias costeiras até às zonas de grande consumo no interior do país, estendendo-se de Bilbau no Norte, até Cádis no Atlântico-Sul, ligando também as refinarias do Mediterrâneo Oeste (Tarragona) à Zona Central.

O negócio do retalho de combustíveis assentava essencialmente na rede de estações de abastecimento e na rede logística de apoio operacional, tendo, no caso espanhol, sofrido grandes evoluções com o processo de desregulamentação iniciado na década de 90, facto que levou ao aumento do número de estações de abastecimento, de menos de 5500 em 1992 para mais de 9000 em 2007, incluindo cerca de 500 estações fora do território continental espanhol.

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