Naquela sexta-feira à tarde, Miguel Lameiras, o responsável pela logística hospitalar do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), estava reunido com os seus colaboradores para preparar o plano de actividades para 2010, que deveria ser apresentado ao conselho de administração na terça-feira da semana seguinte, em reunião marcada para as 10 horas.
A decisão de entrar no Hospital Pulido Valente (HPV) como responsável pelo planeamento e gestão de stocks era a típica decisão de trocar o certo pelo incerto. Miguel Lameiras, economista de formação, estava ainda a concluir o mestrado em logística e tinha recentemente iniciado um percurso profissional na consultora Deloitte, onde sentia que tinha ainda muito para aprender, numa carreira que é conhecida por ser bastante linear.
Ainda assim, a vontade de conhecer por dentro a logística hospitalar falou mais alto, e Miguel Lameiras aceitou o repto. Quando a 26 de Abril de 2007 Adalberto Campos Fernandes o convidou para acumular as funções de assessor do conselho de administração de ambos os hospitais que dirigia, pesaram na decisão certamente mais os bons resultados já concretizados no HPV (redução de consumos em 10,4% e aumento do nível de serviço para mais de 95%) do que a coincidência de se tratar afinal do seu dia de aniversário.
No que resta da história, Miguel Lameiras é convidado a assumir o cargo de director de logística do CHLN em Março de 2008, aquando da fusão operacional dos dois hospitais que o constituem. É responsável pela cadeira de Sistemas Logísticos em Saúde na licenciatura de Gestão em Saúde da Universidade Atlântica desde 2009 e é convidado com regularidade a palestrar sobre o tema da logística hospitalar em seminários e congressos da
especialidade.
O trabalho realizado nos últimos três anos nas áreas da logística e do procurement de materiais (dispositivos clínicos, materiais administrativos e hoteleiros) constituiu uma viragem radical nos métodos de gestão do passado, e os resultados já obtidos eram muito encorajadores.
Miguel Lameiras sentia, porém, que o sistema ainda não estava estabilizado e que o risco de retrocesso era uma ameaça presente. O plano a apresentar teria de responder, portanto, a dois grandes objectivos:
. Consolidar as mudanças realizadas;
. Lançar novas intervenções para garantir a continuidade da melhoria da eficiência do sistema, sem, no entanto, pôr em causa a eficácia no tratamento dos doentes.