Sentado numa cadeira no alpendre, Joaquim Alves Bento dava por si a contemplar a paisagem envolvente da barragem de Montargil. Os fins de tarde na casa de campo do Alentejo tinham um esplendor único nos meses de Outono. Este cenário de candura contrastava com pensamentos que o inquietavam.
O Outono é também a época de colheitas e em particular no mês de outubro, em que estas já estão a terminar, sendo é necessário olhar para o novo ano agrícola de forma pragmática. O planeamento é exigido para todas as operações e a definição das culturas a semear, dos objetivos que se querem atingir na exploração de pecuária, bem como dos produtos florestais que se preveem estar disponíveis para exploração e venda.
Todas estas decisões a tomar deixam este médico de profissão envolvido nos seus pensamentos. Joaquim Alves Bento, natural de Abrantes, no centro de Portugal, tem uma longa carreira dedicada à obstetrícia, e do alto dos seus 68 anos, gere um património herdado da família ao longo dos anos. Pese embora a paixão de dar e ver vida nos outros, este legado familiar levaram-no a ser também empresário agrícola. Esta atividade foi sempre desenvolvida em paralelo e exigia que se mantivesse a par dos negócios, por um lado na venda de produtos agrícolas ou florestais, por outro na compra de ativos necessários para a exploração agrícola como equipamentos, propriedades, entre outros.
Nunca teve total responsabilidade sobre o negócio agrícola, uma vez que houve sempre alguém da família que se dedicara a 100% ao negócio e que levara o mesmo por diante.