CASO DE ESTUDO

HIKMA – Gestão da mudança em altura de pandemia

Operações, Tecnologia e Inovação
Professor Supervisor
Joana Ogando
Autor
Ricardo André
Autor
Susana Carvalho
Autor
Victor Santos
| 01 Mar 2022 | 5 min of reading

01 Mar 2022 | 5 min of reading

Professor Supervisor
Joana Ogando
Autor
Ricardo André
Autor
Susana Carvalho
Autor
Victor Santos
remdesivir vials stethoscope

No dia 11 de Abril de 2020, exatamente 30 dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado o estado de pandemia mundial COVID19, estava Patrícia Pereira no seu gabinete, pelas 19 horas, quando o telefone toca. Ligava Riad Mishlawi, Presidente dos Injetáveis do Grupo HIKMA, que a convocava para uma reunião urgente, pelas 20 horas desse próprio dia. A agenda, que recebeu de seguida no seu calendário, tinha um único tópico: Produção de Remdesivir. Passados exatamente 60 minutos, Patrícia, Supply Director dos injetáveis da HIKMA, chega à sala magna de reuniões do Concelho de Administração.

Já lá estavam também Natheer Masarweh e Gonçalo Veríssimo, membros do conselho de administração da HIKMA Portugal (HIKMA). Além do board e de Patrícia, também tinham sido convocados Carla Gomes, diretora de recursos humanos, Rodrigo Campos, diretor da Qualidade e ainda Susana Carvalho, responsável pela Direção de Financeira.

Riad inicia a reunião: “Meus caros, agradeço a disponibilidade e a vossa presença para esta conversa que será breve e que servirá para lançar um dos maiores desafios que a HIKMA Portugal já enfrentou: Fomos contactados pela Gilead, para contribuirmos para a produção de Remdesivir, atualmente o fármaco mais eficiente no combate ao COVID19. A Gilead propôs-se a contratar 6 milhões de unidades até ao final de 2020. Este é um produto de génese distinta dos que produzimos atualmente, mas é um desafio que não podemos recusar. Estamos perante uma pandemia mundial e é obrigação da HIKMA contribuir com as suas valências para o combate a esta crise.”

Natheer reforça. “O que Riad acabou de referir está perfeitamente alinhado com a missão da HIKMA, usamos a nossa visão única para transformar tecnologia de ponta em soluções inovadoras que transformam a vida das pessoas em todo o mundo, proporcionando melhor saúde a preços acessíveis todos os dias. A oportunidade de deixarmos o conhecimento e competência da HIKMA ligados ao combate da maior pandemia mundial dos últimos 100 anos é única”.

Gonçalo Veríssimo acrescenta “mais do que isso, temos uma oportunidade igualmente importante de alargar o nosso portefólio de produção, sendo a oportunidade ideal para alargarmos o leque de produção de liofilizados, com um parceiro de excelência. É uma oportunidade excelente e um desafio que não podemos recusar.”

Patrícia interveio: “Sem dúvida que estamos perante uma situação muito delicada, mas temos de estar conscientes que a opção de produção do Remdesivir tem de ser previamente analisada. Não estou certa de termos neste momento capacidade de produção que comporte a produção de 6 milhões de unidades adicionais até ao final do ano, sem comprometer a produção e compromissos atuais. Tenho receio que as nossas linhas de produção não estejam preparadas para o efeito, quer em termos de equipamento de linha, quer em termos das qualificações dos operadores que temos ao nosso serviço. O Remdesivir é um produto liofilizado, com características especiais, que obrigará a uma formação intensiva. Além disso, dado que estamos a trabalhar a 98% da nossa capacidade, a opção de acrescentar um produto à linha de produção, caso seja tecnicamente viável, levará possivelmente a incumprimentos contratuais previamente assumidos.”

Susana reforça: “temos que validar os contratos que temo assinados que possam ter cláusulas de penalização em caso de incumprimento. Este tema terá de ser analisado detalhadamente, tendo em conta o contexto de pandemia em que estamos contextualizados.”

Carla acrescenta, “há ainda que ter em conta que os operadores fabris terão de conciliar o atual horário de trabalho com horas extra de formação, o que poderá levar à necessidade de trabalho extraordinário.”

Natheer toma novamente a palavra: “sem dúvida que o desafio é grande e não vos peço resposta imediata para todas as dificuldades que estão a elencar. Deixo algumas notas que peço que sejas analisadas e trabalhadas, para apresentarem uma análise de viabilidade no sentido de que a HIKMA possa produzir o Remdesivir nas nossas instalações em Portugal.

. O que teremos que adaptar nas linhas de produção? De que forma? Quais as necessidades?
. Em termos de recursos humanos, temos as competências para tal? Se não temos, o que nos falta?
. Os processos de controle de qualidade existentes são suficientes para responder aos padrões de qualidade da Gilead?
. Quais as responsabilidades que temos assumidas com os nossos clientes, de que forma serão afetadas e como podemos mitigar eventuais incumprimentos? Como as podemos mitigar tendo em conta a flexibilidade exigida no contexto de pandemia?
. Em termos financeiros, a proposta da Gilead parece interessante, com um preço unitário de 10$/unidade.
. Finalmente, tenham em conta que a missão da nossa companhia invoca a nossa capacidade de criar soluções inovadoras que transformam a vida das pessoas em todo o mundo. Temos uma oportunidade única de ficar na história e apoiar a humanidade naquilo em que realmente somos muito bons.

Peço que trabalhem e me apresentem uma análise de viabilidade de produção de Remdesivir, com início de produção no espaço de 8 semanas. Peço que me apresentem um plano de ação no espaço de 7 dias. Parece-me que o principal desafio que temos pela frente será relacionado com a operação das nossas linhas, pelo que proponho que seja Patrícia a coordenar o trabalho da equipa.”

Ficou logo marcada uma reunião para o dia seguinte, às 08:30 da manhã, para iniciar os trabalhos deste inédito grupo de trabalho.

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