Decidir em contextos de crescente complexidade é um dos maiores desafios enfrentados pelos dirigentes, em particular pelos responsáveis pela Administração Pública. Consciente desta realidade, a AESE lançou o PADIP | Programa de Alta Direção de Instituições Públicas, cuja primeira edição teve início a 25 de fevereiro de 2026, no AESE Campus Lisboa.
Liderar no setor público implica hoje muito mais do que assegurar a gestão corrente: exige visão estratégica, capacidade de antecipação e competência para decidir em cenários marcados pela transformação económica, social e tecnológica.
Na sessão de abertura, Miguel Silva Sanches, Diretor do Programa, deu as boas-vindas aos participantes, sublinhando o propósito do PADIP: “ampliar a visão estratégica” dos dirigentes, “desenvolver competências essenciais para uma liderança eficaz” e “treinar a capacidade de decisão”, perante realidades em constante mutação.
A conferência inaugural contou com a presença de Gonçalo Matias, Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, que desafiou os participantes a assumirem um papel ativo na transformação estrutural do setor público.
“Temos de instalar um sistema de confiança”: Gonçalo Matias traça rumo para a Reforma do Estado
O Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, afirmou que “temos de instalar um sistema de confiança” na Administração Pública, defendendo uma transformação estrutural assente na simplificação e digitalização, interoperabilidade e valorização das pessoas. As declarações foram proferidas na conferência inaugural do PADIP da AESE.
Dirigindo-se aos participantes, o responsável do Governo começou por manifestar o seu “gosto em estar entre pessoas da Administração Pública, com quem temos de fazer um trabalho importante”. Referiu o programa da AESE como “um pontapé de saída para algo mais forte e permanente na Reforma do Estado, um vetor central na agenda transformadora deste Governo”. Sublinhou ainda que “daqui depende o sucesso do País”, classificando esta missão como “um desígnio nacional”.
Na sua intervenção, Gonçalo Matias destacou que “é possível recuperar o País, também porque temos no centro a reforma do Estado”, apelando à mobilização coletiva para essa missão estratégica.
Entre os pilares da Reforma da Administração Pública, o Ministro identificou a simplificação e a digitalização dos processos como prioridades estratégicas. “Contamos convosco”, afirmou, dirigindo-se aos especialistas presentes, para trazerem “modos de trabalhar diferentes” e “modelos internacionais” que contribuam para a transformação ambicionada. Reconheceu que a mudança implica igualmente alterações relevantes a nível legislativo, mostrando-se comprometido com esse ministério.
A necessidade de maior agilidade na tomada de decisão foi outro dos pontos sublinhados: é fundamental acelerar processos para que “cada um possa fazer o seu trabalho”, assegurando um melhor serviço “aos nossos cidadãos e às nossas empresas”.
Na análise do Ministro, a burocracia em Portugal resulta, em grande medida, de um sentimento (histórico de) desconfiança. “Temos de instalar um sistema de confiança”, defendeu, sublinhando a importância de agir, com vista a que o País possa crescer “como é próprio de um Estado de Direito saudável”.
A interoperabilidade surge como outra dimensão deste novo paradigma do Serviço Público. Gonçalo Matias referiu a necessidade de plataformas que permitam “conversar a nível informático”, assegurando o acesso a informação atualizada por parte dos cidadãos e das empresas. Este trabalho, acrescentou, está a ser desenvolvido tanto a nível nacional como europeu.
“Nada disto se faz sem pessoas e contra as pessoas”, afirmou o governante, reforçando que a Reforma do Estado só será possível com o envolvimento ativo dos profissionais da Administração Pública. “As primeiras vítimas da Administração Pública são as pessoas que que trabalham nela”, alertou, reconhecendo as dores dos profissionais.
Como exemplo de mudança em curso, apontou a criação do canal digital nas Lojas do Cidadão. Ao redirecionar o maior fluxo de utentes para o serviço online, pretende-se garantir que, no espaço físico, “o atendimento seja de qualidade” e que os cidadãos que se dirijam ao balcão vejam os seus problemas resolvidos de forma eficiente.
Ao concluir, Gonçalo Matias apelou ao compromisso dos presentes: “a Administração precisa que todos os que aqui estão se juntem a nós, neste momento, para chegarmos a outras pessoas”. Mostrou-se ainda recetivo a críticas e comentários, defendendo o trabalho conjunto “nesta tarefa tão importante para o crescimento económico do nosso País”.
O programa reúne Dirigentes da Administração Central, das Direções-Gerais, das Secretarias-Gerais, do Governo Local, bem como Gestores de empresas e institutos públicos, promovendo um espaço de partilha de experiências, reflexão estratégica e aprendizagem ao mais alto nível.
PADIP, porque a modernização urge
Ao longo do PADIP, Professores da AESE e do IESE Business School, a par de conferencistas convidados, irão complementar a metodologia baseada no método do caso, potenciando a experiência dos dirigentes com conhecimento atualizado, ferramentas de gestão e enquadramento estratégico, adaptado à realidade vivida nas instituições.
Como defende Miguel Silva Sanches, “a modernização da Administração Pública é um desafio global, que requer soluções inovadoras e uma gestão eficiente”. Só assim será possível pensar, desenhar e implementar uma verdadeira Reforma da Administração Pública, orientada para servir melhor o cidadão, aumentar a eficiência, promover uma maior e melhor articulação institucional, e reforçar a valorização das pessoas que integram o setor público.
O PADIP afirma-se, assim, como um espaço privilegiado na preparação de líderes da Administração Pública capazes de decidir com rigor, visão e responsabilidade, num tempo de crescente complexidade e evolução.