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“Mais do que uma transição, vivemos uma adição energética”

| 3 nov 2025 | 4 min of reading

3 nov 2025 | 4 min de leitura

Perceber o estado atual da transição energética e as oportunidades de negócio que dela decorrem exige a visão de quem está na linha da frente do setor. A AESE convidou João Diogo Marques da Silva, co-CEO da Galp, na qualidade de orador do Executive Breakfast do AMEG | Advanced Management in Energy, realizado no dia 3 de novembro de 2025, em Lisboa. Neste encontro estiveram reunidos mais de 50 líderes e especialistas do setor da energia.


Sob o mote “O papel do Oil & Gas na transição energética: vilão, vítima ou protagonista?”, Marques da Silva destacou os desafios e dilemas de um setor essencial numa década marcada pela disrupção energética. O gestor elogiou a preocupação da AESE com a Formação dos dirigentes envolvidos na área da Energia, sublinhando a importância de “criar literacia num setor tão diversificado”.


O orador apresentou uma reflexão provocadora. Será o setor petrolífero é vilão, pelas emissões de CO? Será vítima, por uma narrativa por vezes polarizada? Ou, antes, protagonista, porque ainda fornecer 80% da energia mundial?


Segundo o co-CEO da Galp, substituir os combustíveis fósseis por energias renováveis e apostar na mobilidade elétrica resolverá apenas cerca de um terço das emissões globais de carbono. A resposta eficiente do setor continua a ser “o mix energético global”, afirmou, defendendo que a sociedade precisa de estar disponível para mudar hábitos e pensar o tema de forma holística.
João Diogo Marques da Silva abordou também a influência do contexto geopolítico e regulatório, que acrescenta volatilidade e incerteza à discussão sobre energia. Apesar do avanço das renováveis, a procura energética global continua a crescer e o gás natural manterá relevância até 2030.


Entre os principais dilemas do setor, destacou a segurança energética – com particular ênfase na dependência de recursos russos –, bem como a competitividade, sustentabilidade, acessibilidade e rentabilidade.


“Mais do que uma transição, vivemos uma adição energética”, afirmou o CEO. Mesmo num cenário net zero, explicou, serão ainda necessários cerca de 25 milhões de barris de petróleo por dia em 2050, o que torna imperativo descarbonizar o que permanece e transformar as empresas “de exploradoras em orquestradoras de sistemas energéticos”.

O líder considerou que o setor energético é parte da solução, graças à sua escala, capital e know-how, defendendo a colaboração entre todos os agentes como a fórmula de acrescentar valor, “através do que cada um faz melhor”.


No caso da Galp, Marques da Silva apresentou a estratégia da empresa, centrada na integração e funcionamento em rede, com um plano de ação focado na transformação e descarbonização do downstream e no crescimento seletivo do upstream.


Da Namíbia ao Brasil, o CEO destacou como estas operações reforçam a diversificação e integração do portefólio da companhia, sublinhando o compromisso com uma descarbonização disciplinada. A refinaria de Sines é apontada como exemplo de sustentabilidade e inovação, preparada para evitar o risco de obsolescência que afeta várias unidades europeias.


No midstream, a Galp procura maximizar o valor das operações, expandindo atividades de trading, otimizando margens e construindo um portefólio global mais equilibrado.


“O talento é a peça-chave para os nossos resultados”, destacou João Diogo Marques da Silva, reforçando que o empenho da Galp na transição energética faz da empresa um verdadeiro protagonista desta missão global.


O encontro do AMEG terminou com uma sessão de perguntas e respostas, na qual os participantes aprofundaram alguns dos temas abordados sobre o futuro do setor energético.

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