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Transição Energética: desafios, decisões e liderança, por João Manso Neto

| 19 mar 2026 | 4 min of reading

19 mar 2026 | 4 min de leitura

“A transição energética é uma necessidade óbvia por questões ambientais. Simplesmente, tem de ser feita de uma maneira perita também assegurar a competitividade das economias e a segurança energética.” Foi com esta afirmação que João Manso Neto, CEO da Greenvolt, enquadrou a sua intervenção na sessão do Alumni Learning Program, realizada a 19 de março de 2026, no AESE Campus Lisboa.

Convidado pelo Agrupamento de Alumni da AESE, partilhou, em formato de conversa, a sua visão experiente e pragmática sobre as decisões estratégicas que estão a redefinir o futuro energético e o impacto destas no tecido económico nacional. A sessão, dedicada às “Reflexões sobre a Transição Energética”, procurou aprofundar os desafios e oportunidades que moldam este processo, sublinhando o papel da inovação, da sustentabilidade e das políticas públicas na construção de um modelo energético mais resiliente, competitivo e responsável.

A transição energética num contexto global instável
Segundo Manso Neto, o atual contexto geopolítico veio reforçar a importância da mudança em curso: “com a guerra, mostra-se que claramente, que a transição energética, não só não é um obstáculo, como constitui um contribui importante para a conciliação de interesses entre países”. A ambição de alcançar “uma energia cada vez mais favorável e abundante” permanece, mas o orador alertou para um ponto essencial: mesmo com ganhos de eficiência, “o crescimento do mundo vai apontar para o aumento do consumo de energia”.

Energia abundante e ambientalmente favorável
Para o CEO da Greenvolt, o caminho passa por “eletrificar cada vez mais o consumo” e, consequentemente, é expectável que “o peso das renováveis seja cada vez maior”. Contudo, sublinhou a necessidade de clarificar o conceito de energias renováveis, lembrando que “os grandes projetos de renováveis não são, necessariamente, a melhor solução”.

A volatilidade da produção renovável continua a ser um desafio. O fornecimento energético deve ser consistente e constante, não podendo depender exclusivamente das condições climatéricas ou dos horários de consumo. O orador considera ainda que “as baterias não são suficientes” e que “é necessário arranjar outras formas de armazenamento”. Hoje, reconhece-se cada vez mais que as renováveis devem ser complementadas por outras fontes, como energia nuclear ou gás.

Compatibilizar eletrificação acelerada com acessibilidade
Manso Neto chamou ainda a atenção para os custos associados à expansão das renováveis: as renováveis vão exigir um investimento mais elevado, assim como custos cada vez maiores em redes de distribuição”. A segurança do sistema e a moderação da subida dos preços continuam a ser preocupações centrais.

Entre as medidas que defende, destaca-se a descentralização do setor energético, bem como a eliminação de custos adicionais que ainda oneram a eletricidade, como a taxa de audiovisuais. O orador convidado considera também desnecessário o investimento em tecnologias elementares e alertou os Alumni da AESE para a importância de uma utilização criteriosa dos subsídios.

A redução dos custos das renováveis depende dos “princípios fundamentais do livre comércio”. E Manso Neto acrescentou: “uma das condições necessárias para expandir o uso das renováveis é que haja mais redes”, embora reconheça que “há redes que não estão a ser bem utilizadas”. Concluiu afirmando que “a transição energética tem efeitos sobre o aumento de custos, mas podem ser minoradas”, se os temas referidos forem “bem pensados”. A diminuição da dependência energética — nomeadamente da China — é outro ponto que considera prioritário.

Um apelo à mudança de mentalidade
No final da sua intervenção, João Manso Neto respondeu às questões colocadas pelos Alumni presentes, reforçando uma mensagem essencial: “é preciso que a mentalidade mude”.

Próximas sessões do Alumni Learning Program

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