CASO DE ESTUDO

O Banco Grameen

Política de Empresa | Fator Humano na Organização e Ética
Professor Supervisor
Eugénio Viassa Monteiro
Autor
Ana Janeiro Dias
| 02 Out 2008 | 3 min of reading

02 Out 2008 | 3 min of reading

Professor Supervisor
Eugénio Viassa Monteiro
Autor
Ana Janeiro Dias
Muhammad yunus at weforum

O crédito como direito humano

Em Novembro de 2002, o professor Muhammad Yunus, fundador do banco Grameen, encontrava-se mais uma vez perante uma assistência algo incrédula. As perguntas da audiência, composta maioritariamente por antigos e actuais participantes dos programas de aperfeiçoamento e MBAs de uma escola de direcção e negócios, relembravam-lhe as várias conferências em que tinha participado ao longo dos últimos vinte e cinco anos.

Existia, no entanto, uma grande diferença entre os primeiros anos em que arrancou com o projecto que veio a tornar-se no banco Grameen e os dias de hoje. Antes, só dispunha das suas ideias e de uma experiência bem sucedida em algumas aldeias do Bangladesh. Agora, o banco Grameen tinha-se tornado num exemplo de sucesso, e existiam réplicas em dezenas de países, desde a América do Norte à Ásia, a funcionar com resultados alentadores.

“Professor Yunus, de onde surgiram estas ideias inovadoras? Como é que, não sendo banqueiro de formação, criou o Grameen?” Esta era uma das questões que mais frequentemente lhe dirigiam. Parecia que era difícil acreditar que tudo tinha começado na aldeia remota de Jobra, no Bangladesh, em 1974.

Nessa altura, Yunus exercia as funções de director e professor de Economia na Universidade de Chittagong, no Bangladesh, mas sentia uma grande frustração ao constatar que as teorias económicas que ensinava aos seus alunos em nada contribuíam para evitar todas as mortes à fome que diariamente observava.

Em resposta à pergunta, Yunus afirmou: “Acredito que uma boa ideia vence sempre. Conseguimos mudar os conceitos e as bases que sempre sustentaram a actividade bancária. O Grameen é um banco de auto-ajuda, do sector privado. Precisa de obter dia o banco Grameen deixar de existir. Não me considero um banqueiro no conceito tradicional que ainda subsiste.”

“Será possível que uma experiência bem sucedida no Bangladesh possa ser relevante para a erradicação da pobreza, em países como Estados Unidos ou até mesmo em Portugal? Como é que funciona a reprodução do modelo do microcrédito em contextos urbanos?”, perguntava alguém da assistência.

assistência.
“O modelo Grameen não se limita à cultura do Bangladesh. Os problemas e consequências da pobreza são os mesmos em qualquer parte do mundo. O auto-emprego pode ajudar a resolver o problema da pobreza, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas. Acredito que todos os seres humanos são potenciais empresários.”, afirmava o professor Yunus.

“E no futuro? O que se segue, agora que o lado comercial do banco Grameen já deu provas de si e está a mudar visivelmente as vidas das pessoas?”, perguntavam.

Ao contrário das questões anteriores, esta não foi imediatamente respondida. Após alguns momentos, o professor Yunus afirmava: “O caminho do futuro será construído sobre os mesmos pilares que serviram a construção do passado e do presente. Julgo que alguns dos presentes nesta audiência poderão descobrir qual será a nossa actuação futura se observarem com atenção os princípios que nos orientaram no passado. Para isso, julgo que será útil uma breve descrição do que fizemos até hoje.”

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