insight #138

Clima económico e dos índices de confiança entre empresas e consumidores nos países da OCDE – ed. Março 2026

15 Abr 2026 | 4 min de leitura

Rafael Franco

Este relatório apresenta uma análise atualizada do clima económico e dos índices de confiança entre empresas e consumidores nos países da OCDE assim como a evolução do índice de preços no mercado global das matérias-primas. Além disso, o relatório avalia a inflação e o emprego nos países da OCDE para medir a perspetiva económica geral. Ao examinar os principais fatores de mercado, as flutuações de preços e a dinâmica da oferta e da procura, procuramos oferecer informações valiosas sobre a situação atual e as perspetivas da atividade empresarial para os próximos meses. Compreender estes fatores é essencial para que os gestores, empresários e investidores possam lidar com as incertezas e identificar oportunidades emergentes no mercado global.

  • 1. Resumo

Os dados mais recentes revelam uma recuperação dos índices de confiança — tanto para os consumidores como para as empresas — uma redução da taxa de inflação e a estabilização dos níveis de emprego nos seus valores mais elevados nos últimos trimestres. Embora tudo isto sejam boas notícias, verifica-se, no entanto, um aumento significativo dos preços das matérias-primas e, mais recentemente, uma nova guerra que irá certamente impactar o progresso alcançado nos índices de confiança e nos índices dos preços.

  • 2. Matérias-primas

Para monitorizar o preço das matérias-primas, acompanhamos o índice de preços (2016=100) de matérias-primas base, incluindo combustíveis. Em fevereiro, o índice subiu 2,2%, dando continuidade à tendência de alta registrada desde maio, com um aumento acumulado de 7% nos últimos 12 meses.

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  • 3. Índices de Confiança

Índice de Confiança Empresarial, que abrange todos os países da OCDE, mostra sinais de recuperação desde agosto de 2025 e, em fevereiro, estava 0,5% acima do nível de fevereiro de 2025. 

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Índice de Confiança dos Consumidores  na OCDE iniciou 2025 em tendência de queda. Começou a recuperar em maio e, em 2026, confirmou essa tendência, ficando em fevereiro 0,1% acima dos valores de há um ano.

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Por fim, no que diz respeito à inflação nos países da OCDE, tem-se verificado uma tendência decrescente para menos de 4% ao ano, cifrando-se em 3,3% em janeiro de 2026, o que poderá levar a potenciais cortes nas taxas de juro. Esta situação poderá estimular o consumo e o investimento, bem como as taxas de emprego e a atividade económica em geral, desde que os níveis de confiança dos consumidores e das empresas sustentem estas decisões.

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A taxa de emprego nos países da OCDE apresentou sinais de recuperação que se mantiveram no 3.º trimestre de 2025.

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A taxa de emprego nos países da OCDE apresentou sinais de recuperação que se mantiveram no 3.º trimestre de 2025.

Conclusão: Entre a Recuperação e a Volatilidade Geopolítica

Em suma, a economia da OCDE encontra-se num ponto de inflexão crítico, onde o otimismo gerado pela desinflação e pela solidez do mercado de trabalho  enfrenta agora a resistência de choques externos imprevistos. Embora a convergência da inflação para os 3,3% em janeiro de 2026 abra uma janela de oportunidade para o alívio da política monetária e o consequente estímulo ao investimento, este cenário de “esperança otimista” está sob uma ameaça direta. A trajetória ascendente no custo das matérias-primas, com uma valorização acumulada de 7% nos últimos 12 meses, aliada à incerteza severa introduzida pelo novo conflito armado, constitui um risco real de estagflação se não for contida. Portanto, a sustentabilidade da atual recuperação da confiança  dependerá da capacidade dos mercados em absorver estes custos de produção mais elevados e da resiliência das cadeias de abastecimento perante o novo xadrez geopolítico. Para os decisores, o momento exige uma vigilância redobrada, equilibrando o potencial de crescimento com a gestão rigorosa de riscos externos voláteis.


Este relatório foi elaborado recorrendo a dados publicados pela OCDE e a contribuições do Gemini.

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