A luta contra o desperdício
Dando continuidade à visão inicial dos bancos alimentares, a principal linha de força é a luta contra o desperdício de alimentos. Trata-se, fundamentalmente, de captar os excedentes que se encontram em vários estádios da cadeia de valor do sector agro-alimentar. Recebem-se donativos, fazendo-se finca-pé na importância de serem em espécie. Quando empresas ou organismos pretendem contribuir com dinheiro, os bancos alimentares convidam as entidades a fazerem directamente a aquisição dos bens necessários e a doarem-nos.
A abertura de um novo banco alimentar é precedida de um levantamento dos potenciais doadores na sua área de intervenção. De seguida, agendam-se reuniões com as diversas empresas identificadas e propõe-se uma parceria de negócio, através da qual se explicitam as diversas vantagens das doações: eliminação de custos de destruição ou de armazenamento dos bens em excesso, benefícios fiscais, já que os donativos são considerados como custo fiscal em 140% do seu valor, e reforço da sua política de responsabilidade social.
Os bancos alimentares não compram produtos alimentares, apesar de não disporem de toda a variedade que produtos que seria conveniente.1 Esta tomada de posição facilita e torna transparente a relação com as empresas doadoras do sector alimentar, já que os bancos nunca são clientes, mas tão-somente receptores de doações. Por outro lado, permitir aquisições directas poderia desvirtuar todo o funcionamento e o objectivo central dos bancos. Em lugar de se combater o desperdício, poder-se-ia correr o risco de centrar a atenção na procura de fundos.
Os bancos alimentares têm um cariz fortemente local e conseguem os donativos das instituições da região em que operam. Apenas há redistribuição dos donativos concedidos pelas empresas nacionais. A forma de dividir esses bens pelos vários bancos alimentares é revista anualmente e tem em conta factores como a eficiência operacional de cada banco e as estatísticas das carências sociais da região.
Já há actualmente um razoável número de Bancos Alimentares a funcionar pelo país fora. Será bom apoiar a multiplicação do seu número e, se sim, à base de que critérios? A profunda crise, com recessão, que a Europa toda está a atravessar, deverá levar os Bancos Alimentares a uma atitude pró activa, nomeadamente alguma educação ou difusão de práticas de maior reciclagem de produtos, de poupança em tudo quanto possível, com racionalidade e disciplina nos hábitos alimentares e, em geral no consumo, para se ter uma vida mais sóbria e sã?
E porque não tirar proveito das experiências acumuladas, para promover a melhoria do desempenho das Instituições e dos seus colaboradores quanto à organização e capacidade de gestão, proporcionando-lhes formação e aconselhamento?