O setor de Executive Search está “cada vez menos ligado a encontrar curricula e cada vez mais a desenhar contextos de liderança ajustados a cada organização”. A 31 de março de 2026, Lisboa recebeu a quinta sessão do ciclo The KingMakers Series, organizada pela AESE em paceria com a UpperSide, com dois oradores da Boyden: Luís Melo, Country Managing Partner, e Paulo Marcelino, Principal. Ambos defenderam uma visão renovada sobre talento, liderança e desenvolvimento de executivos.
Da arquitetura do acaso ao desenho consciente de uma carreira
O percurso de Luís Melo até Country Managing Partner da Boyden começou com um curso de Gestão. A entrada no universo do Executive Search surgiu de forma inesperada, através de um telefonema da Amrop. A proposta consistia em “conhecer a linguagem e o modus operandi dos setores de atividade da economia nacional, a fim de interagir com líderes e executivos de topo”. Ao aceitar, passaria também a “ajudar na escolha dos perfis mais adequados para trabalhar com os nossos clientes”.
O entusiasmo foi imediato. A partir desse momento, as suas decisões profissionais passaram a ser “mais estruturadas e pensadas”. Depois de funções como Junior Researcher, Head of Research e Consultor, dedicou-se a tempo inteiro a um MBA, regressando depois ao Executive Search, desta vez numa empresa internacional. O convite da Boyden para Principal chegou quando tinha apenas 28 anos. Em 2005 tornou-se sócio local, mais tarde sócio internacional, e, em 2020, assumiu a liderança da operação em Portugal.
“A partir do momento em que decidi voltar ao Executive Search, ficou claro que eu tinha de influenciar a minha carreira”, afirma. E acrescenta: “teria de trabalhar” para conquistar os patamares seguintes.
A evolução do setor e a maturidade dos candidatos
Para Luís Melo, “o próprio setor de Executive Search foi evoluindo”. Também a maturidade dos candidatos acompanha as fases da vida profissional, dando origem a diferentes necessidades e expectativas.
Hoje, o valor acrescentado dos especialistas na área manifesta-se em quatro dimensões: o acesso privilegiado a talento desconhecido – “a oportunidade de ter acesso a pessoas que desconhecem”; a avaliação de adequação cultural e estratégica: a compreensão – “se uma pessoa se enquadra na cultura organizacional, nas necessidades e no negócio do cliente”; o papel de Trusted Advisor – quando o cliente “quer partilhar a estratégia” e procura uma opinião externa, mesmo sobre temas fora do recrutamento; e uma abordagem integrada que engloba o ciclo do talento – numa boutique de Executive Search como a Boyden, “os touch points com o cliente aumentam significativamente”, deixando de ser um trabalho apenas funcional para se tornar numa missão “muito mais estratégica”.
Metodologia, intuição e confiança: os pilares do processo
Para Paulo Marcelino, a qualidade do processo depende da combinação entre rigor metodológico e sensibilidade humana. O seu percurso iniciou-se na vertente técnica e no delivery: identificar pessoas, filtrar perfis, entrevistar e trabalhar de perto com consultores.
“Por muita tecnicidade que se possa ter, tem de se ter alguma sensibilidade”, afirma. Esta “característica inata” foi determinante para se apaixonar pela área e para o aproximar do contacto direto com os clientes.
“Ser Trusted Advisor é muito importante e motiva-nos todos os dias”, defende. “Não se trata só de encontrar uma pessoa, mas sermos parceiros e conselheiros” dos clientes.
Executivos mais ágeis e mercados sem fronteiras
Para Luís Melo, os desafios atuais já não vêm acompanhados de “uma receita pré-definida”. Os clientes procuram no Executive Search “alguém para desenhar a fórmula perfeita para o desafio com que se deparam”.
Paulo Marcelino destaca o impacto do trabalho remoto, que abriu o acesso a ecossistemas “mais complexos e multiculturais”. Para os empregadores, aumentou “o potencial disponível”. Contudo, alerta para os riscos: modelos “híbridos e menos híbridos” podem fragilizar a cultura organizacional, a aculturação dos novos talentos e o sentimento de pertença, algo que só “os corredores da empresa” conseguem robustecer. Ambos acreditam que esta tendência poderá vir a ser revista.
Atração de talento internacional e o regresso da diáspora
O Country Managing Partner e o Principal da Boyden também focaram a questão atração de talento estrangeiro, a diáspora portuguesa e a atração de portugueses expatriados, contrariando a tendência de regressar apenas em idade de reforma. Da proatividade e à reatividade da função de Executive Search, Luís Melo e Paulo Marcelino partilharam ainda casos, dilemas, reveses e sugestões de Líderes exemplares e inspiradores.
“Líderes excecionais têm uma capacidade quase inata de se mover na ambiguidade”.
The KingMakers Series: a pensar no próximo passo profissional dos Alumni AESE
Depois das sessões com a Korn Ferry, a Amrop, a Transearch e o Grupo Odgers Portugal, o ciclo The KingMakers Series promoveu mais este evento a pensar na visão estratégica da liderança e do talento, sob o ponto de vista dos responsáveis pela avaliação, seleção e pelo acompanhamento de executivos de topo na definição dos próximos passos das suas carreiras.
A iniciativa materializa o compromisso da AESE e do Agrupamento de Alumni enquanto parceiros no desenvolvimento contínuo de líderes, dirigentes, empresários e executivos.
A tomar decisões conscientes e eficientes no contexto atual faz dos Alumni da AESE líderes mais bem preparados para impactar positivamente as organizações, nas pessoas e nos negócios.
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