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A digitalização do Estado: “pensar como um Cidadão e uma Empresa”

| 29 abr 2026 | 4 minde leitura

29 abr 2026 | 4 min de leitura

A visão, as prioridades e os instrumentos da Secretaria de Estado para a Digitalização estiveram no centro da sessão com o Secretário de Estado Bernardo Correia aos participantes do PADIP | Programa de Alta Direção de Instituições Públicas. A sessão teve lugar a 29 de abril de 2026, no AESE Campus Lisboa.

Segundo Bernardo Correia, a tecnologia é hoje um fator determinante para gerar prosperidade e diferenciar países que, geograficamente, podem estar separados apenas por fronteiras. A sua missão, afirmou, passa por posicionar Portugal na trajetória da inovação e por reforçar a capacidade de criação de riqueza, assente em três ideias‑chave: velocidade; investimento massivo em inteligência artificial, robótica e computação quântica; e talento, com o objetivo de atrair, concentrar e escalar competências no seio da tech community portuguesa.

“Estamos só no início dos inícios da IA”. “Aplicar a mesma ao mundo físico será o capítulo seguinte”, afirmou o Secretário de Estado, sublinhando que a combinação de tecnologias e a criação de sinergias entre elas constituem uma vantagem competitiva para toda a comunidade.

Bernardo Correia destacou ainda a originalidade do PADIP, que “coloca à mesma mesa atores de várias instituições da Administração Pública”, potenciando uma visão integrada dos desafios do Estado.

O governante identificou a velocidade como um dos principais desafios do setor público, condicionada pela baixa produtividade estrutural da economia portuguesa. Este défice, explicou, “resulta, em grande medida, das insuficientes competências” dos trabalhadores. Contudo, num cenário de rápida adoção de IA, “podemos ter uma oportunidade” de aumentar “a produtividade das pessoas, das instituições, e das empresas, grandes e pequenas”.

A Secretaria de Estado para a Digitalização integra esta estratégia de reforma através da desburocratização, simplificação e digitalização dos serviços públicos. Para o governante, esta transformação exige também o empoderamento dos funcionários públicos e o reforço da confiança entre todas as partes envolvidas.

“O Estado tem de pensar melhor e diferente”

Durante a sessão, Bernardo Correia apresentou o plano de ação da Estratégia de Digitalização Nacional (EDN), estruturado em quatro dimensões: competências digitais, infraestrutura, dados — “o novo petróleo” — e aplicações. Todas estas áreas, defendeu, devem avançar em paralelo para garantir rapidez e eficácia no processo de reforma. Requalificação e imigração surgem como fontes essenciais para suprir a necessidade de profissionais com literacia tecnológica, sendo necessário “reajustar a capacidade de atração e retenção da imigração certa”. O pacto para as competências digitais assume, assim, “um fator mobilizador” de transformação.

O Secretário de Estado destacou também a escala do investimento internacional em centros de dados, afirmando que “não há paralelo histórico” para o que está a acontecer. Na ausência desse fator produtivo em Portugal, alertou, “vamos ter de importar IA”, e fazê-lo com rapidez. “Enquanto Estado, temos de dar ‘time to market’ e ‘time do power’ rápidos e previsíveis e construir parques industriais, onde seja possível a instalação e o desenvolvimento do negócio”. A energia, acrescentou, será um elemento crítico, exigindo antecipação da procura para garantir capacidade de resposta eficiente e com recurso, necessariamente, a fontes renováveis.

Outra prioridade identificada foi a criação de “uma cloud soberana”, capaz de “guardar bem os dados e de processá-los”, assegurando viabilidade, resiliência e ausência de interferências externas. “Precisamos de uma dignidade tecnológica melhor do que a existente. O Estado tem de pensar melhor e diferente”.

Por fim, Bernardo Correia reconheceu que “o Estado falha na interoperabilidade” entre sistemas, o que se traduz em dificuldades de comunicação entre as várias entidades públicas – um obstáculo que considera essencial ultrapassar para acelerar a modernização administrativa.

Bernardo Correia lançou o repto aos profissionais de Administração Pública pensar como Cidadão e Empresa com o objetivo de prestar um melhor serviço, “de preferência de forma automática e sem pedir: este é o grande desafio de mentalidade a que eu gostava de assistir”.

A sessão terminou com um período de perguntas colocadas pelos profissionais de Administração Pública ao Secretário de Estado para a Digitalização.

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