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O Executive Search tem um fator humano muito forte, insubstituível pela IA

| 12 mai 2026 | 5 minde leitura

12 mai 2026 | 5 min de leitura

“Se há 20 anos, nos pediam para contratar um Diretor Comercial, hoje, o que nos pedem é alguém para assumir uma responsabilidade de desenvolvimento de negócio, com uma experiência internacional nos mercados, com formação executiva específica…”, afirmou Joana Proença de Carvalho na sessão de 12 de maio de 2026, do ciclo The KingMakers Series.

A Partner Country Manager da Ackermann International foi a oradora convidada da 6.ª sessão, organizada pela AESE em parceria com a UpperSide, onde partilhou com os Alumni a sua visão sobre as tendências atuais do Executive Search. Para a especialista, o “briefing de candidatos é mais exaustivo e o trabalho de Executive Search mais difícil”, refletindo a crescente complexidade das funções de liderança.

A visão estratégica no desenho da carreira

Ackermann International, player espanhol com forte presença na América Latina, reforçou a sua aposta na Península Ibérica ao contratar Joana Proença de Carvalho para liderar a operação em Portugal.

Formada em Gestão, iniciou carreira na Andersen Consulting, “ambicionando, um dia, chegar a Partner”. Apesar desse foco, reconhece que percorreu “alguns caminhos laterais, que não estavam previstos, e que, hoje, olho para trás, e fizeram muito sentido no meu percurso”. Entre esses marcos, destacou a função de Diretora de Recursos Humanos da Brandia Central e o lançamento da área de Leadership Advisory numa empresa de Executive Search no Brasil.

Um setor em transformação, com players estáveis

O Executive Search tem sofrido “muita evolução” nos últimos anos, embora os principais players se mantenham. “Temos grandes empresas de Executive Search a virem para Portugal”, observou, lembrando que no país estão presentes quatro das cinco SHREK Companies (Spencer Stuart, Heidrick & Struggles, Russell Reynolds Associates, Egon Zehnder e Korn Ferry).

A crescente instalação de multinacionais em Portugal também tem elevado o nível de exigência: “o nosso mercado de clientes tem hoje outra consciência e conhecimento do que é a prática de recrutamento de executivos”.

Apesar da sofisticação tecnológica, Joana Proença de Carvalho sublinha que “a nossa atividade tem um fator humano muito forte, e, portanto, não há Inteligência Artificial que substitua um conjunto de etapas do nosso processo de recrutamento de Executivos”.

A coragem do “não” e o valor da integridade

A oradora destacou ainda a importância de saber recusar projetos quando confrontada com “situações de pouca transparência, de pouco respeito”, seja por parte de clientes ou candidatos. Essas decisões implicaram mudanças na sua carreira, mas garante: “não me arrependo de nenhum deles; talvez tivesse dito alguns mais cedo”.

Entre as qualidades essenciais num Executive Search Leader, destaca “o fit” entre candidato e empresa, a confidencialidade, a humanidade, o respeito pelas pessoas e “curiosidade para perceber quem temos à nossa frente”.

Novos perfis, novas expectativas

“No segmento executivo os perfis dos candidatos evoluíram muito”, afirmou, sublinhando que a formação é hoje vista como “um investimento seguro”, “uma aposta” e um fator decisivo num mercado mais competitivo.

Para além da experiência comprovada, considera “absolutamente crítico” demonstrar “a paixão e o entusiasmo ao lugar a que estou a concorrer”, bem como “a visão trazida para a posição e organização” e “a empatia”.

Entre os red flags, aponta “excesso de confiança e de azar”. Não exige humildade absoluta, mas admite não “admirar o oversell”, nem nos candidatos nem nos clientes.

A mobilidade entre setores tornou-se “perfeitamente natural”, dependendo das funções. E há uma mudança geracional em curso: “Há uma geração a entrar nas empresas que não aceitam uma série de coisas”, sobretudo em temas de sustentabilidade. Essa pressão está a obrigar líderes mais experientes a rever práticas: “se as lideranças não se adaptarem aos tempos atuais, efetivamente, não têm grande futuro”.

Para preparar a segunda fase da carreira, Joana Proença de Carvalho deixou como sugestões um exercício criteriosamente pensado de alteração de carreira: “que setores, empresas, mercados, estilos de liderança?… devem ser considerados”. “O pensar, planear e estudar, identificando quem é quem, criando uma rede de contactos junto daquela organização e setor” são fundamentais, a par das “competências necessárias” para alcançar esse objetivo.

De seguida, abriu-se o debate aos participantes presentes em sala.

The KingMakers Series: a pensar no próximo passo profissional dos Alumni AESE

O ciclo promovido pela Upperside e pela AESE proporcionou aos Alumni várias experiências de especialistas em Executive Search.  Korn Ferry, Amrop, Transearch, Grupo Odgers Portugal, Boyden e agora a Ackermann International acrescentaram valor pela diversidade e experiência acumulada de quem procura Líderes para os desafios do presente e do futuro. Os participantes nestas sessões puderam expor-se a novas abordagens, a desenhar a sua progressão profissional e a intensificar a sua rede de contactos.

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