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“Transformar a diferença em vantagem competitiva”

| 20 mai 2026 | 6 minde leitura

20 mai 2026 | 6 min de leitura

Num contexto marcado pela multigeracionalidade e multiculturalidade, as organizações portuguesas enfrentam hoje um desafio estrutural que já não pode ser ignorado. Como sublinhou a Prof. Cátia Sá Guerreiro, moderadora da sessão de People & Management da AESE, realizada a 20 de maio de 2026, em Lisboa, esta realidade “já não é uma escolha”, mas sim “uma realidade estrutural”, com impacto direto em “modelos de trabalhar completamente diferentes” dos tradicionais.

O encontro, integrado no pequeno-almoço executivo “Gerações e Culturas que inspiram o futuro”, reuniu dirigentes de Recursos Humanos e gestores de talento com um objetivo claro: perceber como “transformar esta diferença em vantagem competitiva”.

Num país onde o rápido envelhecimento demográfico convive com novas vagas de imigração, as organizações integram, atualmente, quatro gerações distintas (Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z), com expectativas, valores e formas de trabalhar significativamente diferentes. Esta diversidade levanta desafios concretos, desde a transferência de conhecimento à perda de competências e à integração das novas gerações no mercado de trabalho.

“Esta realidade faz parte da agenda do negócio”

Para enriquecer a reflexão, a AESE reuniu responsáveis de setores estratégicos que partilharam práticas e experiências com forte enfoque na realidade portuguesa: Catarina Paiva (Turismo de Portugal), Isabel Moisés (Secil) e Miguel Reis Costa (CME – Construção e Manutenção Eletromecânica).

No setor do Turismo, Catarina Paiva destacou a elevada intensidade operacional e a necessidade constante de atrair e reter talento de diferentes nacionalidades. A sazonalidade e a crescente presença de trabalhadores migrantes reforçam a importância de uma gestão eficaz da diversidade, num equilíbrio entre crescimento contínuo e qualidade do serviço prestado.

Já na Secil, Isabel Moisés foi clara ao afirmar que esta temática “faz parte da agenda do negócio” e não pode ser tratada de forma reativa. Num setor intensivo em mão de obra, a responsável destacou o desafio de preparar líderes capazes de integrar gerações mais jovens, que “encaram o negócio de uma maneira diferente”. Nesse sentido, questiona: como “acelerar a preparação dos novos líderes” para promover inclusão e gerar valor?

Na CME, Miguel Reis Costa destacou a importância de uma integração estruturada, defendendo que “a entrada na casa tem de ser um marco”. “A nossa cultura é muito focada nos resultados, mas gerimos com coração”, evidenciando o papel do fator humano, no sucesso organizacional.

“Os valores e cultura são inegociáveis”

Entre as medidas concretas apresentadas, destacam-se práticas orientadas para a segurança, integração e valorização das pessoas.

Na CME, “conseguir que as pessoas trabalhem com segurança” é uma prioridade absoluta. “A mensagem tem de ser muito clara”, explicou Miguel Reis Costa, reforçando que há áreas onde existe “Tolerância 0”, nomeadamente na qualidade e segurança. Ao mesmo tempo, reconhece a necessidade de ajustar o ritmo de trabalho às equipas.

Também na Secil, a segurança assume um papel central. Isabel Moisés reforçou que “os valores e cultura são inegociáveis”, embora reconheça espaço para adaptação em aspetos como “formas de trabalho, de comunicação e os seus canais”. Esta flexibilidade exige maior responsabilidade por parte das lideranças: “a discricionariedade e arbitrariedade dos processos acarreta mais trabalho para os líderes”, mas permite decisões mais ajustadas às equipas.

No Turismo de Portugal, o foco está na criação de valor sustentável. Como referiu Catarina Paiva, o propósito passa por “crescer em valor e menos em volume, para clientes, comunidade e colaboradores”. Para isso, é essencial investir em qualificação: “serviço, excelência e hospitalidade dependem de colaboradores altamente formados e motivados”.

A responsável destacou ainda iniciativas concretas de integração, como programas de formação dirigidos a migrantes na língua e cultura portuguesas, com o objetivo de “aumentar o tempo de permanência de turismo de alto valor” e garantir qualidade no serviço. “O grande desígnio é escalar e superar as expectativas”, afirmou.

“O nosso trabalho é dar conhecimento e ferramentas”

A convivência entre diferentes gerações foi outro dos temas centrais do debate. Para Isabel Moisés, “a convivência entre gerações não é uma questão nova”, mas a diferença está hoje na maior diversidade e na redução dos ciclos nas empresas.

As gerações mais jovens apresentam expectativas distintas e  “interrogam, de forma transparente e direta os seus líderes”. Neste contexto, alertou, o maior risco é o julgamento. Por isso, “o nosso trabalho é dar conhecimento e ferramentas, recompensando” práticas que promovam “o diálogo construtivo”, nomeadamente através de técnicas de coaching.

Miguel Reis Costa reforçou que “temos de tirar vantagem do espectro etário, sem segregação”. Para o responsável, equipas intergeracionais facilitam a transferência de conhecimento, cabendo aos líderes das equipas o papel de guardiães da cultura da empresa.

Também Catarina Paiva destacou o impacto da longevidade: “vivemos mais, com saúde”, o que exige novas abordagens à gestão de carreira, promovendo mobilidade – horizontal e vertical – e reforçando o compromisso recíproco entre organizações e colaboradores.

“Criar segurança psicológica para entregar resultados”

Na reta final, os oradores convergiram na definição das competências críticas para as lideranças do futuro. Curiosidade, energia, visão humanista, aprendizagem contínua e impacto positivo nas comunidades foram apontados como fatores diferenciadores.

Mais do que nunca, o líder deverá ser capaz de conciliar resultados com uma leitura afinada dos contextos, promovendo um ambiente de confiança: “criar segurança psicológica” torna-se essencial para um bom desempenho das equipas.

Neste processo, os Recursos Humanos assumem um papel determinante, ajudando os líderes “a serem mais humildes para continuar o caminho”.

O Breakfast Seminar terminou com uma sessão de perguntas e respostas, mantendo a tradição do ciclo People & Management da AESE, com a participação ativa de profissionais de gestão de Talento e de Pessoas que assistiram ao encontro.

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