A equipa Médis é confrontada com uma inesperada e profunda mudança estrutural
No final do 3º trimestre de 2004, a equipa Médis, constituída por Francisco Henriques (director geral), Pedro Gomes da Silva (director da área de comunicação e retalho) e Leonor Ferreira de Castro (directora da área de medicina e apoio à rede de prestadores), e os responsáveis pelas restantes áreas dos ramos Vida e Não Vida, foram chamados ao edifício do Millennium bcp na Rua Augusta, para uma reunião extraordinária. A reunião foi conduzida pelo presidente do conselho de administração (CA) do Millennium bcp e versou sobre o que viria a ser conhecido por “Projecto Madre-Deus”.
Este projecto era composto por duas fases distintas. A primeira fase – fase “Deus” – compreendia a alienação ao grupo Caixa Geral de Depósitos (GCGD) da totalidade das seguradoras Império Bonança (IB), Seguro Directo, Impergesto e Servicomercial. A segunda fase – fase “Madre” – consistia no estabelecimento de uma joint-venture entre o Millennium bcp e o grupo Fortis, detida maioritariamente por este último (51%). Com este acordo, a nova empresa (Millenniumbcp Fortis – Grupo Segurador) ficaria responsável pela gestão das seguradoras Ocidental, Ocidental Vida e Médis, e da sociedade gestora de fundos de pensões Pensõesgere.
Em face desta inesperada revelação, a equipa Médis tomou consciência de que, com a venda da IB, a Médis iria perder 40% da sua carteira de clientes para o GCGD, pondo em causa a sua posição de líder de mercado, bem como a estratégia anteriormente delineada para o futuro da empresa.
À saída da reunião a tensão era evidente. Enquanto Francisco Henriques reflectia sobre a necessidade de repensar o posicionamento estratégico da Médis, a sua equipa, apreensiva, não hesitou em confrontá-lo com as dúvidas que se lhes tinham colocado quanto ao futuro:
. “Como é que a nossa rede de prestadores vai reagir a esta drástica perspectiva de diminuição do número de clientes?”, interpelou Leonor Ferreira de Castro.
. “Mais importante que isso será o impacto no nível de satisfação dos clientes afectos à IB e a manutenção da elevada notoriedade da marca Médis”, salientou Pedro Gomes da Silva, mostrando onde se localizava o centro das suas preocupações.
. “As vossas observações são bastante pertinentes”, afirmou Francisco Henriques, com um tom tranquilizador “Como ponto de partida, vou reunir o máximo de informação possível ,de modo a podermos definir um plano de acção. Não esqueçamos que há ainda questões relacionadas com o capital humano, a sustentabilidade financeira e a optimização de processos e operações.”
Francisco Henriques apercebeu-se da premência em definir uma nova estratégia para o futuro da Médis, que acomodasse as preocupações de todos os stakeholders. Mas qual?