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Agentes de IA: ferramenta de apoio ou novo colega de trabalho?

| 5 nov 2026 | 6 min de leitura

5 nov 2026 | 6 min de leitura

Os Agentes de IA são os novos colegas de trabalho? A AESE organizou uma sessão de fórum de Gestão de Talento e de Recursos Humanos para debater o impacto da Inteligência Artificial nas organizações, refletindo sobre as oportunidades, os desafios e as novas competências exigidas por uma transformação tecnológica que já está em curso. O encontro realizado no AESE Campus Lisboa, a 5 de novembro de 2026, reuniu 50 participantes em torno de questões em debate como a relação entre humanos e agentes de IA, a evolução do papel dos Recursos Humanos e a responsabilidade na tomada de decisão.

A sessão contou com as intervenções de Sofia Bué Alves, Diretora de Pessoas e Organização da MEO, Pedro Pires, Head of Human Resources & Services da Nestlé Portugal, e Carla Caracol, Head of Engineering & Construction Human Resources do Grupo Proman, que partilharam diferentes perspetivas sobre a forma como as organizações se estão a adaptar a uma realidade em que a Inteligência Artificial assume um papel cada vez mais relevante, sem que o fator humano perca centralidade. A moderação esteve a cargo do Prof. Francesco Costigliola, Professor da AESE Business School.

A responsabilidade continua a ser humana

Sofia Bué Alves existe ainda um desfasamento significativo entre os ganhos de produtividade individual proporcionados pela IA e o impacto efetivo nos resultados das empresas. Apesar de reconhecer que “a IA veio para ficar”, alertou para a dificuldade de abandonar práticas enraizadas e para a resistência que surge quando as ferramentas são altamente especializadas. A este propósito, sublinhou que os novos modelos de trabalho exigem também novas responsabilidades, nomeadamente na auditoria dos agentes e na correção de eventuais desvios.

A questão da responsabilidade esteve igualmente no centro da intervenção de Pedro Pires: “quando um agente erra, quem se responsabiliza?” Na sua perspetiva, as organizações continuam numa fase de aprendizagem, mas há um princípio que deve permanecer inalterado: “o agente deve ser desenvolvido para criar valor e ajudar a realizar trabalho. Não deve substituir-nos na tomada de decisão, nem na responsabilidade individual e coletiva.”

O Head of Human Resources & Services da Nestlé Portugal reforçou ainda que “temos de ter a responsabilidade pelas decisões que tomamos” e que, à medida que os agentes se tornam mais autónomos, as empresas precisam de garantir que estes estão alinhados com os objetivos e valores organizacionais. Nesse contexto, Sofia Bué Alves destacou a importância da governação dos dados e das fontes de informação. Para a Diretora de Pessoas e Organização da MEO: “a governance precisa de garantir que a informação base está correta.” “A IA tem de estar ao serviço do humano e ajudar a criar valor”. “Temos de ter cuidado para não nos deslumbrarmos”: foi o repto que deixou.



Mudar tecnologia é mais fácil do que mudar comportamentos

A dimensão cultural da transformação, reconhecendo que existe uma aparente contradição entre o entusiasmo pela tecnologia e a capacidade de alterar comportamentos: “temos vontade de aceitar a IA, mas muita resistência a mudar comportamentos.”


A aprendizagem continua a ser uma experiência humana

O debate alargou-se depois à aprendizagem, ao desenvolvimento de talento e ao papel das diferentes gerações nas organizações. Para Carla Caracol, há aspetos que permanecem intrinsecamente humanos. A atual Head of Engineering & Construction Human Resources do Grupo Proman considera que: “o acompanhamento das pessoas, mais juniores ou mais experientes, é humano e não substituível pela IA.” Ainda assim, reconheceu que os processos de aprendizagem estão a mudar, exigindo curiosidade tanto de quem aprende como de quem ensina.

Carla Caracol destacou igualmente a riqueza da diversidade geracional nas equipas: “não acredito que percamos qualidade na abordagem, mas temos de nos ajustar. É na complementaridade de gerações e de competências que ganharemos qualidade na resposta.” Por isso, defendeu que o foco deve estar menos na tecnologia e mais nas pessoas: “temos de falar menos em IA e mais em pessoas.”


O novo papel dos Recursos Humanos

Neste contexto de transformação, os Recursos Humanos assumem um papel cada vez mais estratégico. Como foi referido durante o fórum, tal como aprenderam a ser parceiros das áreas de marketing e negócio, os profissionais de RH terão agora de se afirmar como parceiros da tecnologia, repensando processos de raiz e acelerando o desenvolvimento de novas competências.

Sobre as capacidades que serão mais valorizadas no futuro, Pedro Pires destacou que as organizações precisarão de profissionais capazes de utilizar melhor estas ferramentas, nomeadamente, através da formulação de prompts cada vez mais eficazes. Simultaneamente, referiu que competências humanas como o pensamento crítico, a capacidade de análise e o relacionamento interpessoal se tornam ainda mais relevantes. Para o responsável, a transformação exige não apenas mudança tecnológica, mas também uma profunda mudança cultural que permita integrar a IA em toda a organização.


Das soft skills às power skills

A mesma ideia foi reforçada por Sofia Bué Alves, que propôs uma nova forma de olhar para as chamadas soft skills: “as palavras importam. As Soft Skills passaram a Power Skills.” E acrescentou: “quanto mais inteligência artificial, mais precisamos de inteligência humana. É preciso calibrar.”


Literacia, adaptação e talento para o futuro

Na sua intervenção, a responsável da MEO salientou ainda que a tecnologia deve servir a estratégia de negócio e não o contrário. Para isso, defendeu a importância da literacia digital e do investimento na capacitação das pessoas: “ao investir em tecnologia é fundamental dar literacia e ajudar as pessoas a fazer esse caminho.” Na sua perspetiva, a capacidade de adaptação será determinante: “A competência mais crítica é a capacidade para aprender, desaprender e voltar a aprender.”


O que não é delegável

Num exercício de futurologia, a Carla Caracol apontou para um futuro em que os agentes continuarão a desempenhar um papel de suporte, mas em que a atitude e a experiência humana permanecerão diferenciadoras. “Está a apostar-se muito na proficiência em IA, mas para que todo o processo seja bem-sucedido e tenhamos as pessoas certas nos lugares certos, as pessoas com muita experiência continuam a ser muito procuradas.” Sublinhou que a velocidade de adaptação não depende apenas da tecnologia: “depende também da experiência de quem sabe interpretar, traduzir e otimizar o que a tecnologia nos possibilita.” Por isso, acrescentou, o sucesso das organizações continuará a assentar, acima de tudo, em pessoas altamente experientes e competentes.

Uma ideia final reuniu consenso entre os participantes do painel: independentemente da evolução tecnológica, há um princípio que permanece inalterado. Carla Caracol, Pedro Pires e Sofia Bué Alves defendem que existe uma responsabilidade que não pode ser delegada aos agentes inteligentes: a tomada de decisão continua a ser humana e ética – temas especialmente gratos à AESE Business School.

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