O futuro dos sistemas de pensões, a cultura da poupança e o impacto da inteligência artificial no trabalho estiveram em destaque no Jantar das Empresas Parceiras da AESE, realizado a 1 de outubro de 2026, em Lisboa. Neste encontro estiveram presentes cerca de 50 líderes e executivos comprometidos com o tema da “Sustentabilidade dos Sistemas Sociais”.
“Os melhores sistemas de pensões do mundo têm dois pilares: um pilar de repartição e um pilar capitalizado.” O Prof. Javier Díaz-Giménez, do IESE Business School, convidado para estimular a discussão, defendeu o reforço da poupança para a reforma e alertou para a necessidade de repensar o financiamento das pensões num mundo marcado pela IA.
Para o Professor, uma das principais reformas passa por reforçar a poupança complementar, reduzindo a excessiva dependência dos rendimentos dos reformados face ao sistema público de pensões.
Poupar mais cedo
“O momento ideal para começar a poupar para a reforma é o dia em que nasces. Depois, já é tarde. Já perdeste um dia.” O Professor do IESE reconhece as limitações impostas pelos níveis salariais, e argumenta que pequenas contribuições regulares podem fazer a diferença, ao longo de uma vida profissional.
As escolas de negócios e as empresas também têm um papel importante nesta matéria: Javier Díaz-Giménez apontou o reforço a literacia financeira e a criação de mecanismos que facilitem a poupança dos colaboradores, nomeadamente através de planos de pensões.
“A tecnologia não te dá dinheiro, dá-te tempo”
A crescente utilização da IA, dos algoritmos e das máquinas tende a transformar profundamente os sistemas de proteção social.
Num futuro em que o trabalho humano possa ser parcialmente substituído pela tecnologia, o Professor questionou a sustentabilidade de modelos assentes, sobretudo, em impostos e contribuições sobre o trabalho.
“A tecnologia não te dá dinheiro, dá-te tempo.” E acrescentou a sua perspetiva sobre o que poderá acontecer se a produtividade e a abundância aumentarem significativamente: “Se caminharmos para um mundo de abundância, pagar as pensões não será um problema.”
Nesse cenário, o desafio poderá ser menos financeiro e mais humano: encontrar novas formas de dar sentido à vida num mundo em que o trabalho ocupe menos tempo.
“O problema não será pagar as pensões. Isso já estará resolvido. O problema será dar sentido às nossas vidas.” A intervenção de Javier Díaz-Giménez proporcionou às Empresas Parceiras da AESE uma reflexão sobre um dos grandes desafios das próximas décadas, cruzando pensões, poupança, tecnologia e futuro do trabalho.
Um futuro sustentável depende de Líderes
Como ressalvou a Prof. Fátima Carioca, Dean da AESE: “Temos de estar conscientes de que o efeito amplificador da IA implica maior procura e responsabilidade, no ensino e em todas as áreas. Um uso humano e humanizador da tecnologia requer mais reflexão, iniciativa, julgamento crítico, rastreabilidade, responsabilidade ética e mais liderança do que nunca.” A importância dada à Política de Empresa nas formações da AESE, sublinha de forma inequívoca “a função diretiva como uma função política no sentido aristotélico do termo, ou seja, uma tarefa prudencial orientada à construção do bem-comum, numa comunidade humana formada por pessoas inteligentes e livres.” Esta responsabilidade é inalienável.
Num tempo marcado pela transformação tecnológica, pela pressão demográfica e pela crescente complexidade económica, a sustentabilidade dos sistemas sociais dependerá cada vez mais da capacidade de formar líderes que aliem competência técnica, sentido ético e compromisso com o bem comum, colocando a pessoa no centro das decisões e das organizações.