No âmbito do Alumni Learning Program, a AESE recebeu, no passado dia 30 de setembro de 2026, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para uma reflexão sobre os principais desafios que marcam o atual contexto internacional e o papel da Europa num cenário global cada vez mais complexo e exigente. A sessão reuniu cerca de 80 Alumni da AESE, entre outros participantes, proporcionando um espaço privilegiado de análise e debate sobre os temas que moldam a agenda geopolítica contemporânea.
Ao longo da sua intervenção, o orador abordou as profundas transformações em curso na ordem internacional, os desafios à competitividade europeia, a evolução das relações entre as principais potências mundiais e o posicionamento estratégico de Portugal face às dinâmicas económicas, políticas e de segurança que caracterizam o mundo atual.
Na análise do Ministro, uma combinação de “fatores internos e externos”, a par de uma crescente “crise de confiança” e do “choque de acontecimentos geopolíticos”, alguns dos quais “benignos”, ajuda a explicar as “relações de tensão” que hoje marcam o contexto internacional e colocam novos desafios à ação diplomática da Europa e de Portugal.
Paulo Rangel identificou os atentados de 11 de setembro de 2001 como um momento decisivo na transformação da ordem mundial. Na sua perspetiva, esse acontecimento introduziu uma era de “incerteza e da imprevisibilidade”, constituindo uma autêntica “epifania global”, cujas consequências continuam a fazer-se sentir. “Afinal, a Guerra Fria que nos parecia muito má, em que experimentava a luta ancestral do ser humano entre o bem e o mal, eram tempos de estabilidade e de lideranças com responsabilidade”, afirmou.
Comparando o atual contexto internacional com o período da Guerra Fria, o Ministro sublinhou que os líderes de então “sabiam quais eram os limites, que tinham a capacidade de destruir o planeta, mas não queriam que isso acontecesse e tinham controlos nos seus aparelhos governativos para garantir que isso não iria acontecer. E isso desapareceu.” Na sua leitura, “com o fim da Guerra Fria”, assistimos a um verdadeiro “aquecimento global” das tensões internacionais. “Estamos a viver catástrofes: a geografia física está em linha com a geografia humana ou política. Isto coloca desafios à diplomacia e à ordem de defesa e de segurança dos Estados.”
O governante destacou ainda duas evoluções geopolíticas particularmente relevantes para Portugal. A primeira resulta do Brexit e do afastamento do Reino Unido da União Europeia. Apesar das divergências existentes em determinadas matérias, Portugal perdeu um aliado político histórico e uma importante potência atlântica, numa mudança que Paulo Rangel considera ter representado “uma amputação grande para nós”. A segunda prende-se com o atual contexto de tensão nas relações transatlânticas, particularmente no que respeita à dinâmica com os Estados Unidos da América, cuja evolução continua a merecer especial atenção por parte dos decisores europeus e portugueses.
A sessão proporcionou ainda uma análise das oportunidades e riscos decorrentes das mudanças no equilíbrio global de poder, bem como das implicações destas tendências para as empresas, as instituições e os líderes chamados a tomar decisões num ambiente caracterizado pela incerteza e pela rápida transformação.
Num momento particularmente relevante para a compreensão dos desafios do presente e das perspetivas para o futuro, Paulo Rangel partilhou com os participantes a sua visão sobre o papel da da cooperação internacional e da liderança na construção de uma Europa mais resiliente e preparada para responder aos desafios emergentes.
A sessão de ALP terminou com um espaço de debate, durante o qual os participantes tiveram oportunidade de colocar questões diretamente ao orador, num ambiente de proximidade e diálogo aberto, característico da comunidade de Alumni AESE.
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