Notícia

“Portugal tem de saber ler bem a sua posição no mundo”

| 23 abr 2026 | 6 min of reading

23 abr 2026 | 6 min de leitura

O Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, esteve na AESE como orador numa sessão do Alumni Learning Program, dedicada ao impacto das atuais tensões geoestratégicas na economia mundial e nacional. Os desafios e as oportunidades que o contexto internacional coloca a Portugal, num momento decisivo no xadrez da competitividade e da soberania económica, estiveram patentes na conversa moderada pelo Prof. Manuel Rodrigues, Senior Lecturer no King’s College London, no dia 23 de abril de 2026.

O ambiente da sessão “Geoestratégia e Economia: riscos e oportunidades no cenário atual” foi de grande proximidade, na medida em que o Ministro Manuel Castro Almeida é também Alumnus da AESE, à razão de ter realizado o PADE | Programa de Alta Direção de Empresas.


O otimismo, apesar da “encruzilhada económica”
O Prof. Manuel Rodrigues espoletou a discussão sobre a atual “encruzilhada económica” e o posicionamento de Portugal neste contexto, “valorizando o que conseguimos” e “termos uma ambição futura”. O Professor partiu da constatação de um relatório da OCDE de que “neste momento, 48% do petróleo exportável está de alguma forma limitada”, a Ormuz (38%) e à Rússia (10%), facto que impacta a subida de preço das matérias-primas. Considerando os cenários do Banco Central para a Europa e analisando o caso português, Manuel Rodrigues destaca “um crescimento económico ainda assim significativo, principalmente quando compara com os nossos parceiros europeus”, dada a crise energética do Irão. “Com uma dívida em retrocesso – tirando a Alemanha, somos das poucas economias que está a consolidar as suas contas públicas -, quando olhamos para a balança externa”, é expectável que esta se “venha a equilibrar em 2027”.

“Como podemos ir mais longe e acrescentar mais crescimento ao PIB?” “A redução da dívida em curso é uma política de crescimento”, visto ser sinónimo de: menos risco de crédito, custo de financiamento e mais valorização da economia portuguesa. “O excedente orçamental é muito importante”. Manuel Rodrigues acrescentou “o caminho de redução do IRC”, “o aumento da produtividade do Estado”, como algumas das medidas que se configuram como uma resposta otimista para a situação económica portuguesa.

“Enquanto acreditarmos na nossa capacidade de convergir com a União Europeia, temos de apostar em políticas de crescimento que nos garantam estar a 64 pontos base de onde estamos hoje, que é o dobro do PIB que temos hoje.” O Professor Manuel Rodrigues concluiu: “acredito mesmo que as estas métricas, numa análise top down, são possíveis e fazem sentido.”  

Geoestratégia no epicentro económico
“Vivemos num tempo em que a geoestratégia voltou ao centro da economia. As tensões geopolíticas, os realinhamentos económicos, a reorganização das cadeias de abastecimento, a pressão tecnológica, os custos da energia e a volatilidade dos mercados” são as variáveis apontadas pelo Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida que “estão a alterar profundamente o contexto em que os países e as empresas tomam decisões”.

“A economia está muito fragmentada”. “As perspetivas globais apontam para que em 2050, entre as 7 maiores economias do mundo, apenas 1 seja ocidental: a dos EUA.”

Manuel Castro Almeida defende que “a energia está no centro da economia”. “Quase metade da oferta exportável mundial de petróleo a depender do Golfo Pérsico e da Rússia” constitui “não um risco potencial, nem periférico”: trata-se de um ponto nevrálgico “da nossa vulnerabilidade com impacto potencial sobre a inflação, sobre custos de produção, de confiança e crescimento”. “Neste contexto, Portugal tem de saber ler bem a sua posição no mundo.”

Portugal num triângulo estratégico

A geografia que coloca o País entre “o triângulo estrategicamente relevante” dos EUA, África e Ásia “abre-nos oportunidades”. “Num mundo em que a cadeias de valor se reorganizam e as rotas comerciais ganham nova importância, Portugal pode afirmar-se como plataforma de ligação de investimento, logística, tecnologia e internacionalização. Portugal não está de fora desta realidade.” Destaca-se a situação fortalecida em que Portugal compete, dado: o equilíbrio orçamental, o “excedente e uma disciplina a manter-se”, “a dívida pública com trajetória de compressão acelerada, em contraciclo com a generalidade países da UE”, usufruindo de “uma maior credibilidade externa contrastante com a situação “de várias economias externas com desequilíbrios mais expressivos. Essa diferença conta muito para os mercados, investidores, empresas e capacidade do País responder a choques, sem perder margem de ação.”      

Manuel Castro Almeida recordou que, entre 1985 e 1995, “Portugal aproximou-se da média europeia 12 pontos percentuais”, sublinhando que o País está, hoje, “a 18 pontos da média europeia”. Considerou “notável” este percurso e afirmou que “não é nenhuma loucura esperar, no nosso tempo ainda, viver num País que está, pelo menos, na média europeia”, embora reconheça que tal “leva tempo e exige muita persistência”.

Ênfase no papel das empresas

Para o Ministro, “não há razão para sermos um País pobre”. Defendeu que, para concluir o processo de convergência, é necessário “assumir com clareza a dimensão do desafio”. “Não basta crescer; é preciso crescer mais do que os nossos parceiros europeus”, o que implica um diferencial de “mais de 1 ponto percentual” face às restantes economias europeias. Trata-se, afirmou, de “uma meta exigente, mas mobilizadora”, sustentada numa estratégia clara, execução rigorosa, produtividade e competitividade. “Não há crescimento sem as empresas”, que devem ser “mais capitalizadas, mais inovadoras, mais exportadoras e mais produtivas”.

Sublinhou ainda que “a primeira prioridade deve ser o investimento privado”, responsável por criar “riqueza e emprego”. Nesse sentido, reforçou que “o papel do Estado não é substituir as empresas. É o de criar condições para que invistam e concorram melhor”.

O Ministro Manuel Castro Almeida destacou também o impacto da sua formação na AESE, referindo “Reflexão, liderança e entrega de resultados” como aprendizagens marcantes do PADE. A sua intervenção foi seguida de um momento de perguntas da audiência, que aprofundou os temas debatidos.

A sessão integrou o ciclo do Alumni Learning Program, reunindo a comunidade Alumni num espaço de reflexão estratégica sobre os desafios e oportunidades do futuro económico de Portugal. O encontro promoveu um debate vivo e orientado para soluções, reforçando o papel destes momentos como plataformas de pensamento crítico e de ligação entre líderes empresariais e decisores.

Próximas sessões do Alumni Learning Program

Noticias Relacionadas

fachada aese

Há +45 anos a preparar líderes. Chegou a sua vez?

A AESE dedica-se à formação específica em direção e administração de empresas, com uma perspetiva cristã do homem e da sociedade. Comece agora.