A AESE Business School organizou, no Campus de Lisboa, o evento “Talento Experiente em Ação: Longevidade, Reinvenção e Interim Management”, uma iniciativa promovida em parceria com a recém-constituída Fundação Longevidade e Talento e a Associação Interim Management (AIM). O encontro reuniu dirigentes, gestores e especialistas para refletir sobre o impacto da longevidade nas carreiras, os desafios da reinvenção profissional e as oportunidades que o talento experiente representa para as organizações e para a sociedade.
Na sessão de abertura, o Professor José Ramalho Fontes, Presidente Emérito da AESE e um dos mentores da iniciativa Criar Valor na Longevidade, sublinhou a importância de reconhecer e mobilizar a experiência acumulada ao longo da vida profissional. O desafio passa por identificar novas formas de colocar esse conhecimento ao serviço das organizações e da sociedade. Como salientou, “o talento não termina com determinada idade”. Porque, na verdade, “quando existe propósito e oportunidade, a experiência pode ser transformada num recurso positivo e próspero.” O professor lembrou ainda que o tema da longevidade está na origem de vários projetos de investigação, produção de casos pedagógicos e iniciativas que darão continuidade ao trabalho agora assumido pela Fundação Longevidade e Talento.
Da conquista de resultados à criação de valor
O convidado principal do encontro foi o Professor Manuel Alonso Puig, diretor da unidade Nuevos Horizontes Profesionales do IESE Business School. Com base na experiência acumulada junto de centenas de executivos seniores, defendeu que a segunda metade da vida profissional exige uma mudança de posicionamento. Segundo o especialista, entre os 35 e os 55 anos a prioridade dos gestores é a obtenção de resultados. Depois desse período, o desafio passa a ser a construção de uma nova proposta de valor baseada na experiência, no conhecimento acumulado, na capacidade de antecipação e na identificação de oportunidades. “A partir dos 55 anos, o executivo tem de passar de ‘conquistador de resultados’ para ‘criador de uma proposta de valor’.”
Manuel Alonso Puig destacou que a experiência não perde relevância com a idade, mas exige novas formas de aplicação, defendendo a necessidade de ajudar os profissionais a identificar o caminho onde o seu contributo pode continuar a gerar impacto.
Interim Management: uma resposta para empresas e profissionais
A segunda parte do encontro centrou-se na apresentação e discussão de casos de Interim Management, metodologia que permite às organizações integrar, por um período definido, gestores altamente experientes para resolver desafios específicos ou liderar processos de transformação.
O Professor Ramiro Martins, da AESE, enquadrou o papel do Interim Management como um exemplo de complementaridade entre diferentes fases da vida profissional. “Em cada fase da vida, cada um de nós pode aportar valores diferentes, que se complementam e harmonizam para o sucesso das organizações e da sociedade.”
Na mesa-redonda que se seguiu, participaram Mário Fernandes, membro da Direção da AIM, Carlos Jesus, da Fundação Longevidade e Talento, e o Professor Manuel Alonso Puig.
Mário Fernandes destacou que uma das grandes barreiras ao desenvolvimento desta prática em Portugal continua a ser o desconhecimento por parte das empresas. “Na realidade, estamos a fazer uma verdadeira ‘cruzada de Interim Management e de evangelização’ do mercado.” “Existe muito talento experiente e qualificado disponível para ajudar as organizações a resolver problemas concretos e criar valor.” O responsável explicou que importa dar visibilidade a uma solução que permite colocar novamente no mercado profissionais com carreiras sólidas e elevada capacidade de execução. “Existe muito talento experiente e qualificado disponível para ajudar as organizações a resolver problemas concretos e criar valor.” Segundo Mário Fernandes, a rapidez de resposta, a independência, a ausência de agendas internas e a capacidade simultânea de diagnosticar e executar são alguns dos fatores que distinguem o Interim Management de outras soluções organizacionais.
Valorizar o talento experiente
A otimização do Talento Experiente responde à necessidade de combater o desperdício de experiência e promover uma nova visão sobre o contributo dos profissionais seniores. O Interim Management representa, portanto, não apenas uma ferramenta de gestão para as empresas, mas também uma oportunidade para que profissionais experientes redefinam o seu percurso, identifiquem uma nova proposta de valor e encontrem formas renovadas de continuar a contribuir.
Ao longo da sessão ficou clara uma ideia transversal: numa sociedade em que a longevidade aumenta e as carreiras se prolongam, a experiência tornou-se um ativo estratégico. O desafio passa agora por criar condições para que este capital de experiência, conhecimento e
liderança continue a gerar valor para as organizações, contribuindo simultaneamente para o desenvolvimento económico e para uma sociedade mais inclusiva e intergeracional.