insight #127

Quando a música encontra as operações

25 Set 2025 | 3 min de leitura

Miguel Guerreiro
Miguel Guerreiro Professor da Área de Operações e Diretor do Programa de Direção de Empresas da AESE Business School

A música tem um poder raro: traduz em sons aquilo que muitas vezes escapa às palavras. Uma sinfonia, um concerto de jazz ou até uma canção popular carregam em si a complexidade de ideias, emoções e narrativas que unem pessoas de diferentes culturas e gerações.

Curiosamente, algo semelhante acontece no mundo das Operações. Para muitos, é uma área invisível, feita de processos, fluxos, métricas e sistemas que raramente sobem ao palco.

Contudo, é precisamente aí, no que não se vê, que se decide a qualidade da experiência do cliente.

É desta analogia que nasce esta série de artigos: usar a música como metáfora para compreender e repensar o mundo das operações, da tecnologia e da inovação.
Porque, no fundo, tanto uma orquestra como uma empresa vivem da mesma essência: a coordenação harmoniosa de diferentes elementos em busca de um objetivo comum.

Cultura e gestão: duas faces da mesma moeda
Acredito profundamente que um gestor sem cultura não é um gestor completo. Liderar pessoas, inspirar equipas e tomar decisões estratégicas exige mais do que conhecimentos técnicos e de gestão. Exige visão, sensibilidade e capacidade de escuta.

A música, neste sentido, é uma escola inigualável.

Ensina disciplina, porque sem ensaios não há concerto. Ensina coordenação, porque um solista brilhante não pode ofuscar o conjunto. E ensina humildade, porque mesmo o maior maestro depende do talento, do esforço e empenho de cada músico para que o espetáculo aconteça.

Ao trazer a música para o centro da reflexão sobre as Operações, não pretendo apenas simplificar os conceitos de gestão. Pretendo também alimentar o gosto pela escuta, pela descoberta e pelo desenvolvimento cultural.

Por isso, em cada artigo haverá sempre uma “Sugestão de Audição: um disco ou uma obra que sirva de inspiração, de convite à pausa e de estímulo para um olhar mais profundo sobre o papel da gestão e do gestor no nosso tempo.

Um percurso a descobrir

Os temas que abordarei vão cruzar diferentes universos musicais e diferentes desafios da gestão. Em alguns casos, a música ajudará a pensar melhor a coordenação e a disciplina; noutros, servirá para refletir sobre a inovação, a flexibilidade ou a importância dos detalhes. O essencial é que cada texto abra novas perspetivas e convide à mesma atitude que a música desperta: escutar com atenção, interpretar com inteligência e agir com sensibilidade.

Sugestão de Audição
Para abrir esta viagem, proponho a Sinfonia n.º 3 “Eroica” de Beethoven.
Esta obra não foi apenas um marco musical: foi um gesto de rutura, uma afirmação de que a arte pode transformar o mundo ao ousar ser diferente. Do mesmo modo, nas empresas, são os momentos de coragem e visão que inauguram novos caminhos e inspiram gerações.

Este é o espírito com que convido cada leitor a acompanhar esta série: pensar as operações com a mesma paixão, disciplina e ambição com que os grandes músicos abordam as suas obras. Porque, no fim, tanto a música como a gestão de operações partilham o mesmo segredo: quando tudo se alinha, o resultado pode ser inesquecível.

Recomendações de Leitura

Tip of the week Success is not final; failure is not fatal: it is the courage to continue that counts.

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