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A crise pandémica: da contração à expansão económica

17/12/2021

O Prof. Manuel Rodrigues foi o convidado da última sessão dos Alumni Learning Program em 2021. “Finanças Públicas e Recuperação Económica no Pós Pandemia” foi o tema tratado pelo Lecturer in Financial Management, no King´s College, em Londres e Conferencista da AESE Business School.


“Faz cerca de 20 meses que Covid começou a afetar as nossas vidas. Todos nós sentimos aquela que foi a maior recessão em intensidade, de que temos memória. A contração económica foi mais intensa num só trimestre do que foi ao longo de 7 anos da crise de 2008.” Manuel Rodrigues entende, quando comparamos esta crise com outras, não haver “relação possível com a magnitude do desafio que enfrentamos”. Porém “em apenas 20 meses tivemos a maior contração económica, mas também um ciclo de expansão económica”. Na verdade, “foi possível enfrentar a pandemia, salvaguardar a estabilidade financeira, e relançar a economia. E muitas economias esperam recuperar o PIB pre-pandémico já no início de 2022.”


O Professor identifica diferenças entre as duas crises. “Esta crise beneficiou de uma resposta atempada, coesa, uniforme, e global, com políticas sintonizadas – por parte dos Bancos Centrais e Governos – que permitiram reconduzir as economias globais à estabilidade e ao crescimento.”  Contudo, o sucesso que tivermos nesta segunda parte do desafio (a partir de 2022) fará a diferença entre a consolidação da recuperação e o risco de um novo abrandamento económico – tudo irá depender das políticas que forem implementadas.”


Sobre a expectativa do défice público estar próximo dos 4%, Manuel Rodrigues referiu que “é muito importante continuar a Consolidar as Finanças Públicas para fazer face a esta nova etapa da Recuperação”. “Finanças públicas sólidas é a única forma de garantir que a economia se pode continuar a financiar a custos competitivos.”


“Do ponto de vista das vulnerabilidades económico-financeiras, o mundo encontra-se hoje muito mais endividado que em 2008. A dívida das famílias, das empresas e dos países, no início da crise pandémica estava já bem acima do patamar do início da crise de 2008. O aumento destas vulnerabilidades financeiras resultou do convívio com uma década de juros baixos – e foi agora amplificada com a pandemia”


Em Portugal, “o PIB contraiu – 8,4 %, em 2020, quando comparado com – 3 %, em 2009. Em 2020, o PIB Global caiu 3,1 %, quando na crise de 2009 caiu 0,1%.” Na Mundo, “os Bancos Centrais empreenderam uma ação coordenada sem precedentes, baixando a taxa de juro diretora para zero, a fim de mitigar os impactos financeiros da pandemia”.


“Esta foi a solução atempada para estimular o crescimento e o emprego.” A recuperação está em curso e em 2021 beneficiámos de um quadro económico benigno.”


Há contudo riscos que ganham volume no horizonte: a inflação é um deles e está já bem presente. “A escalada de preços sem precedente nos produtos alimentares, metais e produtos energéticos complica as perspetivas de inflação e recorda a crise energética dos anos 70.” A projeção da inflação em dezembro de 2021 é de 4,9 % na área Euro e 6,8 % nos EUA. Portugal é o 2.º País da Zona Euro com menos inflação.” O Professor é de opinião que ainda assim “a política monetária expansionista na zona Euro deve ser mantida para evitar alargamento dos yields soberanos (periféricos) que iriam comprometer a recuperação. Haverá, contudo, que ajustar a política monetária em particular moderar a aquisição de dívida não soberana”


O Professor referiu os apoios previstos pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência,  e a sua reflexão versou ainda sobre a regulação das cryptomoedas, danos ambientais, climas extremos, perda da biodiversidade entre outros… riscos que coexistem com a pandemia.


Manuel Rodrigues terminou com otimismo, considerando que “estamos a caminhar no sentido certo”.


No final da conferência, os participantes, que assistiram remotamente, colocaram questões ao orador.



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