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E no fim, quem paga a crise?

23/04/2020, Online


A convite do Agrupamento dos Alumni da AESE, o Prof. Bruno Proença, Diretor de Comunicação do Banco de Portugal e Alumnus do Executive MBA AESE, demonstrou quem a seu ver, irá pagar a crise, causada pela “pandemia devastadora” do Covid-19, que hoje se vive no cenário global. A sessão online realizou-se a 23 de abril de 2020.


Por se tratarem de “duas crises interligadas: uma de saúde pública e outra económica”, Bruno Proença advoga terem de “ser atacadas em simultâneo”.
Segundo dados publicados pelo Financial Times e pelo FMI, há razões para considerar que as consequências desta situação seja a mais danosa vivida desde a II Guerra Mundial. E Portugal seguirá a tendência mundial, com aumento do desemprego e da pobreza. Esta crise económica é rara e muito profunda: encontra-se do lado na oferta e da procura e com tendência de agravamento à medida que o tempo passa.


Bruno Proença reviu as medidas de combate à crise empreendidas por parte do BCE e da FED, e questionou se os Bancos Centrais não estarão a assumir demasiados riscos? As medidas tomadas pelo Governo Português estão “genericamente” em linha com as tomadas por outros países, diferindo no que toca à dimensão das medidas – “bastante inferiores” -, face ao volume da dívida pública.


O Professor considera que o aumento da dívida não terá a ver com a liquidez, mas com uma questão de sustentabilidade, quer das contas públicas portuguesas quer de outros países da Europa. A dívida tornar-se-á na questão central, já que “é um peso que impedirá a recuperação mais rápida da economia”. Também “é em si mesma, uma limitação dos “direitos da população, enquanto estado nação, porque caber-lhes-á pagar esta dívida”. Na verdade, haverá verbas que serão utilizadas para o pagamento da dívida pública ao invés de serem alocadas no combate à pobreza, ao desemprego, e na melhoria o Serviço Nacional de Saúde…


No futuro, adivinham-se dois caminhos possíveis: um deles, trilhado solitariamente pelos Portugueses; e outro, no qual fará sentido falar-se de solidaridade europeia, dado viver-se uma crise simétrica, que atingiu todos os países em simultaneo, “sem culpa de ninguém”, com consequências assimétricas, vista a disparidade dos índices de riqueza e de despesa dos vários estados membros.


A sessão terminou com perguntas colocadas pela audiência e respondidas pelo orador.