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Lançamento do livro Esperança e Reinvenção – ideias para o Portugal do futuro

23/07/2020, Lisboa

A 23 de julho, a Prof. Maria de Fátima Carioca, Dean da AESE deu as boas vindas no evento de apresesentação do livro “Esperança e Reinvenção – ideias para o Portugal do futuro”, um projeto idealizado e coordenado por Luís Ferreira Lopes. A obra editada pela Guerra e Paz, consiste num desafio cívico lançado pelo Assessor para Empresas e Inovação do Presidente da República, a 19 empresários, gestores e universitários, a fim de partilharem ideias e estratégias para um País mais bem sucedido a nível económico, social, científico, tecnológico e de gestão, numa era tão crítica como a post Covid-19.


Com este livro, Luís Ferreira Lopes procurou compilar uma visão transversal, sistemática e integrada de pensar e planear o futuro a médio prazo. Preferiu optar por uma abordagem distinta da macroeconómica ou de saúde pública, de maneira a que as iniciativas expostas pelos vários co-autores se mantivessem atuais. Cada capítulo explora tendências de cidadãos independentes, com reconhecida experiência e formação base diferenciada. Este trabalho de colaboração surge com “uma resposta cívica com o fito de mudar o país, com esperança para a reinvenção”, onde o papel da solidariedade servirá de catapulta para “nos tornar mais fortes”. Note-se que a receita dos direitos de autor será entregue na totalidade ao Banco Alimentar contra a Fome. Luís Ferreira Lopes anunciou na sessão que “em 10 dias, reunimos 6 500 €”, valor resultante de vendas, sobretudo a partir de encomendas feitas por empresas.


Esperança, Aprendizagem e Humanismo
“O livro foi bastante desafiante”, afirmou a Prof. Maria de Fátima Carioca, responsável por olhar o tema com o foco na gestão das pessoas. A Dean da AESE considerou o título muito feliz porque “antes da reinvenção está a esperança. “Partirmos com a esperança de que conseguimos” enfrentar um desafio, o que gera a oportunidade de “reinventar”. O recentemente falecido Prof. Luís Manuel Calleja, da AESE e do IESE, apontava para a necessidade vital de “nos redescobrimos”. Fátima Carioca acrescentou: “Estamos em tempos em que os líderes devem sentir-se apaixonados. A incerteza, a complexidade e a vulnerabilidade, nas empresas e organizações e em nós próprios pela exposição perante aos colaboradores e família” devem ser uma força motriz para superar os obstáculos e criar um mundo melhor.A Esperança responde à incerteza. A formação responde à complexidade, com a partilha de experiência heterógeneas acumuladas. E a consciência da Vulnerabilidade permite “o contacto com a humanidade que nos torna irmãos ou pares”. No confinamento descobriu-se inovação e capacidade de trabalho em locais e contextos onde não havia hábito. Descobriram-se competências inesperadas. A forma como olhamos para o talento e para a convivência entre as gerações convoca, segundo a Professora, para uma mudança significativa de mentalidades.


“A indústria tem de voltar para Portugal”
“Escrever foi um exercício arriscado”, considera Nuno Fernandes Thomaz, que acompanha vários setores de atividade, e por esse motivo contribuiu com uma reflexão abrangente sobre o futuro de Portugal. O seu propósito incidiu sobre “extrair algo positivo desta crise” e aproveitou a intervenção na sessão para destacar “a forma exemplar como a cadeia alimentar se comportou no pico da crise”, garantindo o fornecimento ininterrupto de bens à população.No texto que lhe coube, Nuno Fernandes Thomaz desenvolveu os temas da Saúde, da Mobilidade e do Consumo – debruçando-se, neste caso concreto, nos hábitos dos consumidores que se têm vindo a alterar. O co-autor sublinhou a relevância de uma reindustrialzação, geradora de mais empregos e de mais riqueza com um Programa de 3R’s: Recapitalizar, Recuperar e Regenerar.
Como é que podemos crescer?Com a pandemia, Rui Paiva foi perentório em afirmar que “tivemos, em simultâneo, um curso intensivo de transformação digital que mudou o mundo, da educação à aquisição de produtos”.  A disrupção é a oportunidade privilegiada de sermos criativos. “Como é que podemos crescer?” é a questão que se levanta, sendo que do seu ponto de vista “a solução não é nacional, mas global”.


A fibra de ser português
Carlos Coelho, por seu turno, discorda, defendendo que é olhando para dentro, relembando a identidade e respondendo ao “Quem somos?”, enquanto País, que saberemos fazer face aos problemas que se colocam.  “A fibra que temos” e as qualidades que nos são características são  essenciais para agir. Importa criar marcas, reforçá-las, e reajustar o valor dos produtos. “A falta de margem é o que faz com que sejamos um País pobre. Não podemos considerar-nos um País com sucesso, enquanto houver um português pobre.”

As lanternas vermelhas e a criação de riquezaBernardo Trindade propôs inovar em matéria de Turismo e da Aviação, áreas intimamente ligadas que têm trazido ganho aos demais setores de atividade nacionais. Hoje, o condicionamento à liberdade de circulação fazem destas atividades “lanternas vermelhas” no mercado. A sua participação na obra apresentada na AESE visa “fazer crescer o País com diferentes contributos, dando resposta àqueles que mais anseiam” de apoio.



É tempo de olhar para a comunidade
Fernando Amaral fechou o ciclo de intervenções dos autores do livro “Esperança e Reinvenção – ideias para o Portugal do futuro”. “Numa altura em que é muito complicado fazer previsões”, Fernando Amaral usou do seu tempo para corroborar a ideia de que é tempo de “deixar de pensar só em nós, nas empresas e olhar para a comunidade”, elogiando o trabalho meritório desenvolvido há tantos anos por Isabel Jonet, no Banco Alimentar contra a Fome.


Alimentar  a esperança
Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar contra a Fome, tomou a palavra no evento para agradecer a todos os cidadãos envolvidos no projeto a entrega das receitas da venda do livro a favor da causa que representa. O donativo é muito importante pelo que é possível comprar com esse dinheiro.” Isabel Jonet deu conta de que bastava um dos co-autores ter querido receber a sua parte, para que a receita da venda do livro  não tivesse este destino: “não houve nem um entre vós que quisesse os seus direitos de autor” e por isso agradeceu. “São pessoas muito diferentes, com práticas empresariais e académicas distintas e que comungam de um mesmo sentimento: o da esperança. Vivemos num mundo que não pode deixar de a sentir”, ciente de que “há uma realidade que é muito dura” que não pode ser descurada. A Presidente do Banco Alimentar acredita que as ideias partilhadas neste livro são capazes de impactar a realidade pois “ajudam a criar emprego e a dar esperança a quem realmente precisa”.


Às intervenções, seguiu-se um período de perguntas colocadas pela assistência que acompanhou a sessão remotamente.


Os coautores
A obra “Esperança e Reinvenção – ideias para o Portugal do futuro”, coordenada por Luís Ferreira Lopes contou com a participação de: Isabel Furtado, Cristina Fonseca, António Rios de Amorim, Jorge Magalhães Correia, Paulo Pereira Silva, Daniel Bessa, Daniel Traça, João Duque, Adrian Bridge, António Mexia, Alexandre Fonseca, Rui Paiva, Pedro Rocha Vieira, Nuno Fernandes Thomaz, Bernardo Trindade, Fernando Amaral e Carlos Coelho. As notas introdutórias ficaram a cargo do Sr. Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.