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Margarida Ornelas

Margarida Ornelas, Presidente do Conselho de Administração do IPO Coimbra

Alumna do PADIS

“A modernidade deve andar a par com a humanização”. É assim que Margarida Ornelas encara o seu dia a dia, como Presidente do Conselho de Administração do IPO de Coimbra. Os cargos de responsabilidade que foi ocupando ao longo da sua trajetória profissional, levaram-na, a inscrever-se no PADIS – Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde, em 2013.

Gestão do Talento, Trabalho e Transparência são os valores pelos quais se rege, ciente de que a humildade permite refletir e evoluir como pessoas e como profissionais.


Quais os principais marcos na sua trajetória profissional, que contribuíram para chegar à posição de Presidente do Conselho de Administração do IPO Coimbra?

Após uma licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, rumei a Lisboa, à Escola Nacional de Saúde Pública, para me especializar em Administração Hospitalar.

Tive o privilégio de ter começado o meu percurso profissional, em julho de 1998, no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, Hospital dotado de um estatuto inovador: um hospital público, com gestão pública, regido com regras de natureza empresarial. Colaborei na preparação da abertura deste Hospital, participando nesta nova experiência de gestão que visava a procura de um modelo de funcionamento eficiente e de qualidade, sustentado em termos financeiros.

Com a abertura do Hospital, a 4 de janeiro de 1999, passei a assumir a gestão de um Centro de Responsabilidade, uma estrutura operacional de gestão intermédia, dispondo da máxima autonomia, num contexto de grande proximidade com o Conselho de Administração e de trabalho de equipa. Inicialmente fui a administradora responsável pelo Centro de Responsabilidade Médico e, em 2002, passei a gerir o Centro de Responsabilidade Cirúrgico, atuando com delegação de competências. Este Hospital, com o seu modelo de gestão, viria a conquistar um grande reconhecimento externo.

Acompanhei a alteração do estatuto jurídico do Hospital São Sebastião para sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos e, mais tarde, a sua passagem a entidade pública empresarial e centro hospitalar – Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, E.P.E. (CHEDV), integrando o Hospital de São Sebastião, o Hospital Distrital de São João da Madeira e o Hospital de São Miguel de Oliveira de Azeméis, o que viria a constituir um novo desafio. Em março de 2012 iniciei funções como Vogal Executiva do CHEDV, tendo desempenhado este cargo até 25 de junho de 2018, data em que assumi funções no IPO de Coimbra, como Presidente do Conselho de Administração.

No meu percurso como administradora hospitalar e nos dois mandatos que assumi como Vogal Executiva, fui responsável por diferentes atividades e pelouros, que me possibilitaram uma visão holística da organização, muito enriquecida, também, pela cultura institucional, alicerçada num excelente ambiente de trabalho de equipa.

Não poderei, por último, deixar de mencionar a aposta que sempre fiz na educação e formação ao longo da minha trajetória profissional. Nesse sentido, destaco, por exemplo, pela sua relevância, a frequência, em 2013, do Programa de Alta Direção de Instituições da Saúde (PADIS). Esta veio a revelar-se uma experiência formativa muito enriquecedora, sobretudo pelo processo interativo de aprendizagem e partilha que o mesmo Programa potencia.


Quais foram as suas principais conquistas?

Na Gestão dos Centros de Responsabilidade no Hospital São Sebastião e mais tarde no CHEDV, tendo sempre presente a orientação para os resultados, na atividade de gestão, julgo ter contribuído para o crescimento da atividade assistencial; os indicadores de eficiência dos serviços; a atividade desenvolvida com custos substancialmente menores aos verificados em hospitais de referência de idêntica dimensão e complexidade e os bons resultados de satisfação dos doentes.

Por outro lado, tendo acompanhado as diferentes fases da evolução do Hospital de São Sebastião, fui conquistando competências pessoais e profissionais, ao longo de um crescimento que se pode afirmar conjunto com a organização, durante quase duas décadas.

Mais recentemente, tenho tido a enorme satisfação de trabalhar no IPO de Coimbra, instituição que se tem posicionado como de referência na prestação de cuidados de saúde de qualidade, acessíveis, em tempo oportuno, num quadro de desenvolvimento económico/financeiro sustentável.

Tendo de selecionar os principais acontecimentos, destacaria os alcançados durante a vivência da pandemia por COVID-19, porque nunca experienciámos tempos tão difíceis, com a necessidade de nos reinventarmos. Estes resultados não resultam de um esforço individual, mas antes de uma enorme resiliência e de um esforço contínuo de todos, num amplo trabalho de equipa. Neste sentido, realço as principais conquistas em contexto de pandemia: o balanço positivo conferido pela adoção de medidas de prevenção e contenção tomadas atempadamente, com monitorização sistemática; o reforço da missão do Instituto, como referência da doença oncológica na Região Centro, tendo sido potenciada a resposta a outros hospitais; a atenção à vertente da humanização de cuidados, parte integrante do capital cultural da instituição, pois apesar do distanciamento físico, a humanização não se perdeu e, em alguns casos, até ganhou uma nova dimensão; a boa gestão da capacidade assistencial; o enfoque à área da Investigação, pilar fundamental da Instituição, sendo que, mesmo com a pandemia, não se parou a atividade científica; o foco no cumprimento do exigente plano de investimentos em curso – mais de 37 milhões de euros de investimento recentemente adjudicado, nomeadamente: a construção do novo Bloco Operatório Periférico, concretizada em 2020; o programa de eficiência energética; a criação de um novo Sector de Virologia; a instalação de 2 novos aceleradores lineares (em curso) e a empreitada de requalificação do edifício de Cirurgia e Imagiologia, cujo arranque de trabalhos se perspetiva para breve.


Quais as principais lições que a tornam na dirigente que é hoje?

Em primeiro lugar, tenho aprendido que a modernidade deve andar a par com a humanização. Na área que acompanho – a da Saúde – e apesar do caráter positivo da inovação, da sofisticação e de todos os avanços tecnológicos que o futuro nos reserva, devemos centrar-nos cada vez mais nas pessoas: nos doentes (respostas que valorizem a sua experiência, a proximidade dos cuidados, o respeito integral pela pessoa e sua dignidade) e nos profissionais. Nada se faz nas organizações sem as pessoas, pelo que há que ter na gestão grande sensibilidade social, fomentando a coesão interna.

Em segundo lugar, tenho constatado que grande parte das dificuldades nas organizações se prendem com falhas na comunicação, ou ausência de respostas multidisciplinares e potenciadoras do trabalho em rede. Estas parecem-me premissas fundamentais a acautelar para o sucesso das organizações.

Por último, a humildade que nos faz interrogar e evoluir como pessoas e como profissionais.


Quais os valores pelos quais se rege e que transmite às suas equipas?

Diria que os valores assentam na conjugação de 3 T: Gestão do Talento, Trabalho e Transparência.

Todos temos os nossos talentos, temos de os descobrir e rentabilizar, partilhando os mesmos. Só assim eles têm valor.

O Talento, no entanto, sem Trabalho de nada vale. Acredito muito na capacidade de trabalho e de que, pelo esforço, tudo se consegue atingir.

Por último, a Transparência, a Ética no Trabalho e nas relações interpessoais, como um referencial obrigatório que deve nortear o nosso caminho.


Se pudesse recuar no tempo, o que faria diferente?

Honestamente, não faria nada diferente, pois entendo que temos de aprender com os erros e com as dificuldades. Faz parte do nosso crescimento errar e tomar opções por vezes menos boas, pois só assim conseguimos reerguer-nos, com maior dinamismo.


Profissionalmente, como se vê daqui a 5 anos?

Como administradora hospitalar de carreira, vejo-me a trabalhar nessa qualidade, não antecipando onde, nem em que circunstâncias profissionais concretas. O meu lema daqui por 5 anos será o mesmo que sigo hoje: “Decidi não esperar as oportunidades e, sim, buscá-las. Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz” (Walt Disney).

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